Ciência e Tecnologia

Novas reações nucleares são registradas em Chernobyl

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Não há como esquecer o desastre nuclear envolvendo a usina de Chernobyl, na Ucrânia. A explosão de um reator nuclear em 1986 ficou marcada na história e, com certeza, não pode se repetir. No entanto, uma nova descoberta tem intrigado cientistas: uma das câmaras da usina está apresentando pequenas reações nucleares. Os níveis de atividade chegam a 40% a mais do que o “normal” após o acidente.

O desastre de Chernobyl ficou conhecido como o maior acidente nuclear de todos os tempos. Tudo aconteceu durante testes de capacidade elétrica nos reatores, que passou por instabilidades durante os testes e explodiu, liberando componentes químicos e radioativos por grande parte da Europa. Até hoje, níveis altíssimos de radiação são registrados na cidade, que foi completamente evacuada, exceto por aqueles que decidiram voltar a viver por conta própria no local.

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Apesar das medidas tomadas pelas autoridades para que o reator fosse isolado e tivesse sua atividade interrompida, sensores posicionados ao redor da cúpula de proteção do reator destruído identificaram um número crescente de nêutrons vindos de uma sala que se tornou inacessível por conta dos escombros da explosão. Essas partículas são indicativas de fissão nuclear. 

Na câmara intitulada “305/2”, que é isolada e monitorada pelos sensores, os pesquisadores que monitoram os índices de reação no local perceberam que os nêutrons estão ricocheteando e agindo de forma mais acelerada e não mais lenta, como era esperado. O local está repleto de entulho pesado, ocultando uma massa radioativa de urânio, zircônio, grafite e areia. A hipótese mais aceita para as reações é bem simples, a ausência de água. 

Reações nucleares: a água é a solução?

O sarcófago chamado de “Shelter”, erguido um ano após o desastre para isolar o reator número 4 destruído, permitiu que a água da chuva escorresse nos escombros e componentes remanescentes. Isso se deu porque a estrutura foi construída às pressas após a catástrofe e, consequentemente, possuía falhas que permitiam a entrada de água.

A água consegue reduzir a velocidade dos nêutrons, o que deixa a situação “neutralizada”, ou seja, sem grandes riscos de fissões. No entanto, em 2016 uma nova estrutura foi colocada sobre as ruínas da usina, que vedou totalmente o local, impedindo a passagem de água.

A hipótese levantada para o aumento das reações nucleares na câmara inacessível é, justamente, ligada à construção dessa nova estrutura. Isso porque, anteriormente, a água estava ajudando a suprimir as reações na sala 305/2. Agora, é possível que a ausência de água esteja ligada ao aumento da velocidade dos nêutrons. 

Na década de 1990, especialistas instalaram irrigadores de gadolínio, que é um elemento químico capaz de absorver nêutrons. Entretanto, os irrigadores estão no teto do “Shelter” e grande parte do composto não consegue penetrar nas profundezas dos escombros, que são altamente radioativos. Ou seja, a forma como os irrigadores foram posicionados não é eficaz para controlar os nêutrons que estão se agitando nas profundezas da câmara e corroborando em pequenas reações nucleares.

Com isso, os especialistas estão investigando o caso e decidindo se estas são manifestações físicas que se apagarão por conta própria com o tempo ou se uma intervenção direta será necessária. Ainda é necessário, também, comprovar se as reações estão ocorrendo por conta das chuvas. 

Caso seja necessária uma mediação no local, o processo deve exigir muitos esforços para perfurar e liberar o acesso, já que paredes desabaram no acidente, o que faz com que muitos escombros bloqueiem o local. Lá, seriam aplicadas substâncias como o próprio nitrato de gadolínio já usado nos irrigadores. O uso desse composto no local da explosão é importante porque, considerando a capacidade da substância de absorver o excesso de nêutrons, seria possível inibir uma reação de fissão e uma nova catástrofe nuclear.

O tamanho do problema

É importante considerar que as estruturas do “Shelter” foram erguidas em 1987 e o único reforço atribuído a elas foi feito em 2016. Dessa forma, embora um desastre tão grande quanto o ocorrido em 1986 não ocorra, qualquer alteração na usina deve ser monitorada e contida, visto que a região já foi bastante atingida e que desastres radioativos afetam o mundo todo.

O pesquisador de descarte de lixo nuclear, Neil Hyatt, afirmou à revista New Scientist que Chernobyl é um problema controlado, mas não resolvido. Apesar disso, o pesquisador tentou tranquilizar a população. “Estamos falando sobre taxas muito baixas de fissão. Não é como se um reator nuclear estivesse funcionando a todo vapor. Estamos confiantes com nossa estimativa de que a quantidade de material físsil naquela sala não ocasionará uma explosão. Mas não temos certeza”, completou.

reações nucleares

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Contudo, não dá para se ter ideia da quantidade de material radioativo presente na sala 305/2 e, consequentemente, não há como medir o tamanho real do problema. “Há muitas incertezas, mas não podemos descartar a possibilidade de um acidente”, afirmou Maxim Saveliev, cientista do Instituto de Problemas de Segurança das Plantas de Energia Nuclear (ISPNPP), em Kiev, capital da Ucrânia.

Dados certeiros só poderão ser coletados nos próximos anos, considerando que é necessário construir um robô que possa acessar a sala ou um instrumento que mantenha a segurança para os humanos. No entanto, a segunda opção é um tanto quanto mais complicada diante dos níveis de radiação encontrados no local. 

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