
Um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience sugere que o núcleo da Terra pode conter grandes quantidades de hidrogênio. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional liderada pelo professor Jun Li, da Universidade de Tóquio.

O núcleo da Terra pode ser a maior reserva de hidrogênio do planeta, superando, inclusive, os oceanos — Foto: Freepik
Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram simulações avançadas e experimentos que reproduzem as pressões extremas do interior do planeta. Assim, eles conseguiram observar como o hidrogênio se comporta em condições semelhantes às que existem a milhares de quilômetros abaixo da superfície.
O núcleo da Terra começa a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade e se estende até mais de 5.000 quilômetros. Nessas regiões, a pressão atinge milhões de atmosferas e a temperatura supera milhares de graus Celsius. Diante dessas condições extremas, o hidrogênio pode se misturar a metais como o ferro e formar regiões densas e estáveis. Dessa forma, os pesquisadores levantam a hipótese de que existam grandes reservatórios internos desse elemento.
Quando os cientistas mencionam oceanos de hidrogênio, eles não se referem a água líquida como a que encontramos na superfície. Pelo contrário, o termo descreve áreas com alta concentração de hidrogênio sob pressão intensa, distribuídas de maneira contínua no interior do núcleo. Além disso, essa configuração pode alterar propriedades físicas relevantes, como a condução de calor e o comportamento elétrico do material presente nessas camadas profundas.
Compreender a presença de hidrogênio no núcleo é importante porque esse elemento influencia diretamente a dinâmica interna do planeta. Por isso, a hipótese pode ajudar a explicar melhor como o calor se transfere do núcleo para as camadas superiores. Ao mesmo tempo, a descoberta também pode trazer novos dados sobre a formação do campo magnético terrestre. Assim, o estudo não impacta apenas a geologia, mas também amplia o entendimento sobre a evolução da Terra ao longo de bilhões de anos.
Ainda assim, os próprios pesquisadores reconhecem que são necessários novos experimentos para confirmar a hipótese. Portanto, futuras análises e simulações mais detalhadas devem aprofundar a investigação. Enquanto isso, o estudo já contribui para ampliar o debate científico e reforça a ideia de que o interior da Terra pode ser muito mais complexo do que os modelos tradicionais indicavam.






