No dia 31 de maio de 1921, uma multidão de pessoas brancas invadiu e destruiu o distrito de Greenwood, localizado na cidade de Tulsa, no Estado de Oklahoma. Na época, esse lugar era conhecido por abrigar uma das comunidades negras mais prósperas dos Estados Unidos, a 'Wall Street Negra'. Contudo, recentemente, o episódio do massacre da comunidade foi retratado na série 'Watchmen' e muitos se questionaram: afinal, por que essa parte da história não é contada nos livros?

Até pouco tempo atrás, um dos piores episódios na longa e ainda tão atual história de violência racial nos EUA, não era conhecido por seu povo. E, de fato, quando essa parte da história foi representada na série, muitos espectadores confessaram não saber do que se tratava. Para se ter uma ideia, Regina King, uma das atrizes da série, chegou a publicar uma reportagem sobre o acontecimento.

Mais de 10 mil pessoas viviam na região

Publicidade
continue a leitura

Por 18 horas seguidas, mais de mil casas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e incendiados. Dessa forma, esses lugares que pertenciam a pessoas negras foram atacados por pessoas brancas como uma forma de violência racial. De acordo com historiadores, estima-se que 300 pessoas tenham sido mortas. Além disso, outras 10 mil ficaram desabrigadas.

Em 1920, Tulsa possui mais de 100 mil habitantes e era uma cidade que crescia bastante. Isso porque, alguns anos antes, foram descobertos poços de petróleo na região. Dito isso, muitos moradores brancos e até alguns negros haviam enriquecido por possuírem terras na área. Porém, a violência racial era severa e estava se tornando cada vez mais violenta. Portanto, era comum encontrar linchamentos e rígidas leis de segregação. Bem como várias outras cidades, havia uma parte para os brancos e outras para os negros. Assim, a parte destinada aos negros ficou conhecida como "Wall Street Negra".

Apenas algumas décadas após a abolição da escravidão, a "Wall Street Negra" começava a atrair comerciantes e empreendedores negros. Desse modo, aproveitando a prosperidade na região, a comunidade se tornou uma das mais bem-sucedidas comunidades negras. No entanto, tudo isso estava em risco.

Publicidade
continue a leitura

Por conta do racismo, "muitos brancos tinham inveja do sucesso dos afro-americanos, faziam comentários do tipo 'como esses negros ousam ter um piano de cauda em sua casa se eu não tenho um piano na minha?'. Também acreditavam que os afro-americanos estavam roubando seus empregos", afirma Mechelle Brown, diretora de programação do centro cultural de Greenwood.

Um massacre que deixou muitos mortos

Publicidade
continue a leitura

No dia do massacre, um engraxate negro chamado Dick Rowland, de 19 anos, pegou o elevador no Drexel Building. Esse era o único prédio que possuía um banheiro que os negros podiam usar. Entretanto, Dick nunca chegou a ir no banheiro. Isso porque, Sarah Page, a ascensorista, uma jovem branca, deu grito quando o Dick se aproximou.

Não sabemos o que, de fato, aconteceu, mas há teorias de que Dick tenha pisado no pé de Page. Depois disso, o jovem foi preso e o jornal da cidade afirmava que ele havia tentado estuprar Page. Ainda segundo o jornal, o homem negro seria linchado naquela noite. Por conta disso, uma multidão de pessoas negras se dirigiu à prisão. Sem conseguir soltar o jovem preso injustamente, um homem branco iniciou um tumulto e Dick não foi linchado.

Uma vez que não conseguiram linchar o jovem, uma multidão de brancos enfurecidos se dirigiu a Greenwood. Segundo testemunhas, eles queimaram lojas e pessoas. Até um avião foi usado no ataque. "Quando a violência finalmente chegou a fim, a cidade estava sob lei marcial, milhares de cidadãos haviam sido detidos por guardas armados e a segunda maior comunidade afro-americana do Estado havia sido reduzida a cinzas", afirma o historiador Scott Ellsworth. Contudo, a comunidade estava decidida a se manter no local. Menos descolados, aos poucos, os sobreviventes voltaram ao local e, em 1925, a comunidade já estava reconstruída. Porém, com o tempo, o massacre se tornou um tabu.

Publicado em: 07/08/20 12h14