Curiosidades

Oficinas revelam prejuízos e perrengues nas reformas do ”Lata Velha”

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A televisão brasileira já nos presenteou com diversas coisas boas. Novelas premiadas internacionalmente, filmes que entretêm várias pessoas, jornais e programas dos mais diversos, além de quadros que não saem da lembrança das pessoas, como por exemplo, o Lata Velha.

O quadro foi lançado em 2005, no programa “Caldeirão do Huck”. Logo, o Lata Velha se tornou um clássico quando se fala em reforma de carros na televisão aberta. Isso porque, além de transformações inesquecíveis, ele também é cheio de boas histórias e várias polêmicas.

Dentre elas estão carros com um resultado final duvidoso, participantes insatisfeitos e até mesmo processos na justiça. Talvez por isso que muitas pessoas se perguntam como as reformas do Lata Velha são feitas.

Então, para saber um pouco mais, proprietários de duas das mais de cinco oficinas que participaram do Lata Velha explicaram em entrevista como é o trabalho. Eles disseram que além de não ser uma coisa simples, o prazo que eles têm é bem apertado. Além disso, os técnicos pegam carros em condições bem ruins e têm um orçamento limitado.

Lata Velha

UOL

Um dos donos de uma empresa de customização é Tarso Marques. Ele é ex-piloto de Fórmula 1 e o responsável pelo Lata Velha por cinco anos. Nesse período, Marques disse que promoveu algumas mudanças no perfil do quadro do programa.

“Já tinha sido convidado para o quadro outras duas vezes, mas não aceitei porque era uma linha totalmente diferente da que eu trabalho. Eu faço carro com cara de carro, não carro alegórico. E essa foi a condição para que eu participasse”, disse ele.

Na época em que Marques estava responsável pelo Lata Velha, os carros tinham características mais discretas em oposição aos que eram apresentados nos anos anteriores no quadro.

Embora as transformações fossem, em teoria, mais “simples”, o trabalho não era nada fácil. De acordo com Marques, em alguns carros a sua equipe passaria mais de um ano trabalhando em condições normais. Mas, como era para o programa, o veículo tinha que ficar pronto entre oito e 15 dias depois do começo da reforma.

“É um carro que não tem absolutamente nada. É realmente um lixo. A maioria não tem assoalho, tem rato dentro, vocês não têm ideia do estado que o carro chega. É um prazo muito pequeno, um orçamento extremamente apertado, tem coisas que temos que usar de patrocinadores e ainda precisa ser um carro útil para passear, trabalhar, desfilar”, lembrou ele.

Orçamento

Rimaq

Além de Marques, os sócios Emerson Calvo, Daniel Barbosa e Juliano Barbosa, donos da “Dimension Customs” concordaram com as palavras de Marques. A oficina deles reformou 33 carros no Lata Velha e, de acordo com eles, o valor que a Globo pagava não dava nem para pagar os funcionários que trabalhavam na reforma.

“Nós éramos conhecidos por participar de um reality do Discovery quando a Globo entrou em contato. Na época, aceitamos firmar contrato por um valor baixo pensando na visibilidade. Não podemos revelar a quantia por causa da confidencialidade, mas para pagar os funcionários que trabalhavam nos carros do programa nós usávamos a renda dos eventos que fazíamos na época”, contaram eles.

A oficina assumiu o Lata Velha depois que a “Nitro Hot Rocks”, a que fez a maioria dos carros chamativos e alegóricos do quadro, deixou o programa. Contudo, os donos da “Dimension” relataram que tiveram desgastes com os produtores do programa por conta do prazo curto para a entrega.

“Nós éramos muito pressionados para fazer um carro com glamour para televisão, eles não se importavam se ele andava ou freava, por exemplo, tinha que ser um show-car. Sempre deixamos claro que, para a oficina, o quadro não é bom. Por isso nenhuma fica por muito tempo”, relembraram.

Lado bom e ruim

Inscrições2021

Assim como praticamente tudo na vida, existe um lado bom e um ruim de ter participado do Lata Velha. Para Marques, seu saldo foi positivo. Por mais que sua oficina nunca tenha vendido um carro por conta do quadro, ele lançou uma linha de produtos licenciados que deu visibilidade para sua marca.

“Nosso caderno chegou a ser o mais vendido do Brasil por anos”, disse ele.

No entanto, os sócios da “Dimension” disseram que tiveram prejuízos em sua participação no Lata Velha. “Durante a nossa participação, tivemos problemas com a Globo e um ex-funcionário, saímos com uma mão na frente e outra atrás, demorou quatro anos para conseguirmos nos reerguer. Chegamos a ter depressão, mas hoje seguimos trabalhando e estamos na melhor fase da nossa carreira”, explicaram.

Fonte: UOL

Imagens: UOL, Rimaq, Inscrições2021

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