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OMS confirma 169 casos e uma morte por hepatite aguda desconhecida

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As autoridades internacionais investigam o aumento de casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças e adolescentes de até 16 anos. Relatadas inicialmente no Reino Unido até 8 de abril, onde se concentram mais de cem casos, as notificações atingiram outros países da Europa, os Estados Unidos e Israel.

Até sexta-feira (21/04), eram pelo menos 169 casos em ao menos treze países,  de acordo com o boletim divulgado no sábado (22), pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, uma morte foi confirmada, mas não existem detalhes sobre o histórico da vítima.

Os casos foram notificados no Reino Unido e Irlanda do Norte (114), na Espanha (13), em Israel (12), nos Estados Unidos (9), na Dinamarca (6), na Irlanda (5), na Holanda (4), na Itália (4), na Noruega (2), na França (2), na Romênia (1) e na Bélgica (1).

Até o momento, foi registrado que dezessete crianças infectadas necessitam de transplante de fígado. De acordo com a OMS, a hepatite é uma inflamação que atinge o fígado. A infecção pode ser provocada por diversos vírus infecciosos (hepatite viral) e agentes não infecciosos. 

A infecção pode levar a uma série de problemas de saúde, que podem ser fatais. Os vírus comuns que provocam a hepatite viral aguda (vírus da hepatite A, B, C, D e E) não foram detectados em nenhum desses casos.

Mesmo que a síndrome atinja pacientes de até 16 anos de idade, a maioria dos casos está na faixa de 2 a 5 anos. O quadro das crianças europeias é de infecção aguda. Muitas delas apresentam icterícia, que, por vezes, é precedida por sintomas gastrointestinais, entre eles a dor abdominal, diarreia e vômitos, especialmente em crianças menores de dez anos. A maioria dos casos não apresentou febre.

A hepatite e o adenovírus 

Foto: Agência Brasil

Mesmo que o adenovírus seja atualmente uma das hipóteses da causa subjacente, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. A infecção com adenovírus tipo 41, o tipo citado, não foi previamente associada à apresentação clínica.

“O adenovírus foi detectado em pelo menos 74 casos e, do número de casos com informações sobre testes moleculares, 18 foram identificados como F tipo 41. O SARS-CoV-2 foi identificado em 20 casos dos testados. Além disso, 19 foram detectados com uma co-infecção por SARS-CoV-2 e adenovírus”, disse a OMS, em nota.

Os adenovírus são patógenos comuns , organismos que conseguem provocar doença em um hospedeiro, que provocam infecções autolimitadas. Esses organismos se espalham de pessoa para pessoa. Além disso, costumam provocar doenças respiratórias, mas dependendo do tipo, também podem provocar gastroenterite (inflamação do estômago ou intestinos), conjuntivite (olho rosa) e cistite (infecção da bexiga).

De acordo com a OMS, existem mais de 50 tipos de adenovírus imunologicamente distintos que podem provocar infecções em humanos. O adenovírus tipo 41 costuma causar sintomas como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios.

O potencial surgimento de um novo adenovírus, assim como a coinfecção por covid-19, precisa ser mais investigado. As hipóteses relacionadas aos efeitos colaterais das vacinas contra o coronavírus não são consideradas, já que a maioria das crianças afetadas não está com idade elegível para ser imunizada. 

Outras explicações infecciosas e não infecciosas precisam ser excluídas para avaliar e gerenciar completamente o risco, de acordo com a OMS.

Suspeita e prevenção 

Foto: Reprodução

Em caso de suspeita de hepatite, a recomendação é que sejam realizados testes de sangue (com experiência inicial de que o sangue total é mais sensível que o soro), soro, urina, fezes e amostras respiratórias. Além disso, podem ser realizadas amostras de biópsia hepática (quando disponíveis), com caracterização adicional do vírus, incluindo sequenciamento.

Vale destacar que medidas simples de prevenção para adenovírus e outras infecções comuns envolvem a higienização da mão.

Além da OMS, os países que registraram casos também estão monitorando a situação. A prioridade é determinar o que está provocando esses casos e refinar as ações de controle e prevenção.

De acordo com a Organização, ainda não é possível informar se houve um aumento nos casos de hepatite ou um aumento na conscientização sobre as notificações. Mesmo que o adenovírus seja uma hipótese possível, seguem sendo realizadas as investigações para descobrir a origem da infecção.

Atualmente, não existe orientação para restringir viagens aos países com casos da doença.

Fonte: Istoé

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