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Pessoas atiram na maior ave de rapina do Brasil por ‘curiosidade’

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A maioria das pessoas não associa ave de rapina com o Brasil, mas isso é porque a maioria não tem conhecimento da harpia. Também chamada de gavião-real, esse animal é considerado vulnerável pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Desde o século XIX, essa que é uma das maiores aves de rapina do mundo perdeu mais de 40% do seu território, que vai do México até a Argentina. Em nosso país, a ave podia ser vista em todos os biomas. No entanto, hoje em dia, populações grandes, diversas e funcionais delas são encontradas somente na Amazônia.

Essas aves são monogâmicas e usam o mesmo ninho durante décadas. Elas têm um filhote a cada três anos. Para fazer seus ninhos, elas preferem árvores como sumaúmas, castanheiras, jatobás ou angelins por serem as mais altas e terem uma grande forquilha. Esse ponto é necessário, visto que os ninhos dessas aves podem ter até 2,5 metros de diâmetro.

Ave

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Os filhotes da harpia ficam no ninho durante cinco meses até que chega o momento de eles arriscarem um voo. Esse voo é feito com uma distância de entre 15 e 30 metros. Quando a ave já está adulta, ela consegue alcançar entre 200 e 300 metros com duas batidas de asas, como diz Tânia Sanaiotti, fundadora do Projeto Harpia, que completou 25 anos.

Por todo seu tamanho não é de se surpreender que a ave esteja no topo da sua cadeia. Ela pode chegar a pesar até nove quilos e tem uma importância para a manutenção da saúde do ecossistema. Para se alimentar, a harpia precisa de aproximadamente 800 gramas de alimento todo dia.

Assim como vários outros animais, essa ave também corre perigo de desaparecer por causa da perda de habitat, já que suas árvores preferidas para os ninhos também são bem cobiçadas pela indústria, e perseguições, caças e choques com fios de alta tensão, conforme elas vão se aproximando das comunidades humanas.

Dessa forma, monitoramento, fotografia, pesquisas, turismo e educação ambiental tem sido as formas encontradas para preservar a maior ave de rapina do nosso país.

Na década de 1960 que começou o monitoramento de gaviões em nosso país. Nessa época, os pesquisadores do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), um centro de pesquisas fundado pelo biólogo Thomas Lovejoy, começaram a fazer esse monitoramento dos ninhos de gavião-de-penacho e do uiraçu-falso.

Monitoramento

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O primeiro ninho de harpia foi encontrado em 2011. Hoje em dia, são dois ninhos da ave monitorados dentro de uma das unidades. O Projeto Harpia teve início em 1997, na Amazônia.

“A gente fez cartazes e colocou em barcos em várias rotas. Todo mundo sabia que tinha um grupo de pessoas estudando gaviões”, contou Tânia sobre o começo do projeto.

Atualmente são mais de 60 ninhos monitorados na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica. Conforme explica Tânia, a reprodução da espécie em cativeiro para que ela seja colocada novamente na natureza como uma forma de conservação ainda tem que ser estudada com cuidado. Por conta disso, ela não é uma prioridade para o projeto.

“Uma das vertentes do projeto é devolver para a natureza tudo que tem condições de não ir para cativeiro permanente. Essa é uma das bandeiras. É muito sofrido para nós a hora que dizem que tem um bicho baleado. Quando você descobre a curva do rio em que ele está, já sabe que não vai chegar socorro em 24 horas. Se não atendeu em 24 horas, o tipo da lesão é quase irreversível. Muitas vezes o tratamento fica prejudicado pela imensidão e pela forma da rede hidrográfica da Amazônia”, disse Tânia.

Curiosidade fatal

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“Aqui neva floresta incinerada todo mês de agosto. Eu moro no Arco do Desmatamento, não moro num lugar fácil para um biólogo. As pessoas me perguntam como é que eu continuo tendo esperança. O que me recarrega a esperança é quando aparecem fotos de ovos [de harpia] nos ninhos nas armadilhas fotográficas. Eu sempre fico muito feliz. Eu acho que tem uma chance de ir adiante”, disse o pesquisador Everton Miranda.

Contudo, essa esperança é difícil de continuar tendo, já que o habitat delas está sendo cada vez mais destruído e as mudanças climáticas também as afetam. “No cenário atual de mudanças climáticas, a tendência é de que essas populações ao longo do Arco do Desmatamento venham a desaparecer”, alertou o pesquisador.

Além disso, por estarem perto de comunidades humanas, a harpia é vítima de perseguições, de caça e de possíveis colisões com linhas de transmissão.

“As pessoas matam esses bichos aqui no Arco do Desmatamento sobretudo por curiosidade, como eles dizem: ‘para ver com as mãos’. Esse tipo de abate representa uma taxa de 2.6 indivíduos mortos a cada 100 km² por ano aqui no sul da Amazônia. Oras, se a gente está falando de uma espécie que conta apenas com 9.7 indivíduos a cada 100 km², essa é uma taxa de mortalidade extremamente alta”, pontuou Everton.

Fonte: UOL

Imagens: UOL

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