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Programa de lavagem de mãos salvou as vidas de 2.430 brasileiros

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A pandemia ocasionada pelo novo coronavírus não acabou, por isso, não somente agora, mas como também em outros momentos que a história já pintou, seguimos dependendo tanto da medicina quanto da ciência e da tecnologia. Aguardamos, ansiosos, pela vacinas, que, felizmente, chegou em tempo recorde. Não obstante, ainda há muitos para serem vacinados e, enquanto a imunização de rebanho não chega em sua fase final, pequenas atitudes, como, por exemplo, lavar as mãos, são essenciais.

Prova disso é o projeto “Saúde em Nossas Mãos”, uma parceria entre o sistema público e um grupo que reúne instituições privadas de saúde. De acordo com uma reportagem publicada pela BBC, nos últimos dois anos, o projeto, voltado aos profissionais de saúde de 116 hospitais públicos brasileiros, promoveu uma série de sessões de workshops, encontros e palestras sobre a importância de lavar as mãos.

Inicialmente, o objetivo do movimento era tentar reduzir em 50% o número de infecções que eram adquiridas por pessoas que estavam sob os cuidados de unidades de terapia intensiva (UTI). Conforme expôs a reportagem da BBC, o projeto, por ter atingido o objetivo, conseguiu preservar um total de 2.430 vidas e, consequentemente, preservou o Sistema Único de Saúde cerca de ter que desembolsar cerca de R$ 320 milhões.

Uma forte aliança

Tudo começou em 2008, com a inauguração do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, o Proadi-SUS. O projeto, na época, surgiu a partir de um convênio, que foi estabelecido entre o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês, o Hospital do Coração, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o Hospital Moinhos de Vento.

Apesar de serem instituições privadas, todos, sem nenhuma exceção, promovem ações beneficentes. Obviamente, essas ações geram lucros e incentivos fiscais, no entanto, toda a renda acaba se transformando em programas de melhoria, ciência e desenvolvimento para os centros que fazem parte do convênio.

Foi exatamente dessa parceria que nasceu o “Saúde em Nossas Mãos”, que, desde o início, visava diminuir o número de doenças ocasionadas por bactérias nas UTIs públicas das instituições de saúde brasileiras.

O problema

Segundo a apuração realizada pela BBC, a oitava principal causa de morte no Brasil, atualmente, são infecções de pulmões, trato urinário e corrente sanguínea adquiridas em instituições hospitalares.

As causas citadas acima acometem pacientes que estão internados em estado grave, os quais, geralmente, acabam necessitando, em uma determinada fase do tratamento, de uma sonda urinária, um tubo na garganta para ventilação mecânica ou um cateter na veia, que é viabilizado para infusão de medicamentos.

Mesmo necessários, os equipamentos em questão, se não forem bem administrados, acabam tornando-se focos de contaminação. “Esses dispositivos abrem um canal direto entre o meio externo e os pulmões, a bexiga e a corrente sanguínea”, explica Claudia Garcia de Barros, enfermeira, obstetra e coordenadora do projeto “Saúde em Nossas Mãos”.

“Se não estamos atentos, se não lavamos as mãos, se não nos higienizamos corretamente, o paciente que está hospitalizado para tratar uma doença e acaba adquirindo outra. E nós já sabemos que essas infecções são absolutamente preveníveis”, completa a especialista.

O resultado de lavar as mãos

Dois anos e meio depois de ser colocado em prática, o projeto “Saúde em Nossas Mãos” atingiu o objetivo esperado. Conforme dissemos no início da matéria, houve uma redução de 53% nas notificações dessas doenças.

“Apesar do foco na lavagem de mãos, o projeto foi muito maior do que isso e permitiu uma verdadeira mudança na cultura e nos hábitos que tínhamos na UTI”, afirma Naila de Camargo Dalmaz, coordenadora de enfermagem do Hospital Geral Universitário de Cuiabá (MT).

Confirmando aponta um levantamento realizado pelas instituições inscritas no projeto, ao longo dos dois anos e meio, evitou-se 6.927 infecções hospitalares e 2.430 mortes. De acordo com as análises, ao atingir a meta, os hospitais economizaram cerca de R$ 320 milhões – dinheiro que, agora, pode ser utilizado para a aquisição de antibióticos, equipamentos, ocupação de leitos e quitação das horas trabalhadas das equipes de saúde.

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