Ciência e Tecnologia

Rara colisão de estrelas na Via Láctea pode colocar a Terra em perigo

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Um estudo recente revela que uma rara colisão cataclísmica entre duas estrelas na Via Láctea tem o potencial de remover a camada protetora de ozônio da Terra. Na prática, isso resultaria em uma extinção em massa de todas as formas de vida.

A pesquisa, ainda sem revisão pelos pares, indica que se essa explosão, denominada kilonova, ocorrer nas proximidades da Terra, a representação dessa ameaça é suficiente para acabar com a existência de vida.

Até o momento, os astrônomos observaram apenas alguns eventos semelhantes de colisão entre estrelas de nêutrons.

Por isso, não é possível dimensionar os efeitos e se, de fato, o potencial destrutivo seria grande o bastante para acabar com a Terra.

No entanto, esse conhecimento é precioso para o grupo de estudos dessa rara colisão. Isso porque essas descobertas podem auxiliar na avaliação da viabilidade da sobrevivência da vida em outros planetas que estão próximos a esses eventos de embate estelar.

Os pesquisadores também destacaram no estudo publicado no arXiv que a principal ameaça para os planetas resultante de uma colisão entre estrelas é a explosão de radiação gerada por elas, incluindo um brilho subsequente de raios X e raios gama.

Via National Geographic

Examinando colisões entre estrelas de nêutrons

Os cientistas conduziram suas análises com base na primeira detecção de uma colisão de estrelas de nêutrons, um evento estelar denominado GW170817.

Eles alertaram que qualquer forma de vida situada a cerca de 297 anos-luz de uma explosão desse tipo corre o risco de ser exposta a uma intensa radiação gama, resultando em queimaduras.

Os pesquisadores destacaram o perigo potencial ao afirmar que, se a Terra estivesse dentro dessa zona de impacto, a radiação poderia eliminar a camada de ozônio estratosférico, requerendo anos para uma recuperação completa.

“Os raios X provenientes da pós-luminosidade da kilonova provavelmente apresentarão maior letalidade, dado que sua duração é mais prolongada do que as emissões de raios gama”, acrescentaram os cientistas em nota divulgada.

Dessa forma, a preocupação seria os raios danosos para os humanos, que penetrariam após destruir nossas barreiras. Isso leva a crer que os efeitos seriam menos rápidos, demorando alguns minutos ou horas.

Rara colisão gera ameaça a longo prazo

O estudo também observou que a principal ameaça dessa rara colisão pode não ter um efeito curto, mas sim se manifestar anos após a explosão.

Isso aconteceria através dos raios cósmicos acelerados pela kilonova, que podem ser letais em distâncias de aproximadamente 11 parsecs.

“Com base nos parâmetros fundamentais da kilonova, identificamos que a emissão de raios X após o evento pode representar uma ameaça letal em uma extensão de ∼5 parsecs, enquanto a emissão de raios gama fora do eixo pode representar uma ameaça em uma faixa de até ∼4 parsecs”, destacaram os cientistas.

O parsec (parallax of one arcsecond) é uma unidade de medida de distância utilizada em astronomia para descrever distâncias estelares.

Ele se baseia na paralaxe estelar, um fenômeno que ocorre devido ao movimento aparente de uma estrela quando observada de pontos distintos na órbita da Terra.

Um parsec é aproximadamente igual a 3,26 anos-luz, ou cerca de 3,086 × 10^13 quilômetros.

Essa unidade é frequentemente empregada para expressar distâncias interestelares, especialmente aquelas que estão além do nosso sistema solar.

Via Só Científica

Incertezas

Apesar das descobertas preocupantes, os pesquisadores alertaram que os resultados apresentam “incertezas significativas”. Ainda, apontam que dependem de variáveis como “ângulo de visão, massa ejetada e energia da explosão”.

Como explicam, provavelmente não representam ameaças substanciais à vida na Terra. Isso devido à raridade das fusões binárias de estrelas de nêutrons e à sua limitada extensão de letalidade dessa rara colisão.

Em conclusão, os envolvidos apontam que essas fusões passarão batido em um primeiro momento. Contudo, a recorrência aumentará, e pode se tornar comum em nosso Universo.

 

Fonte: Só Científica

Imagens: Só Científica, National Geographic

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