Ciência e Tecnologia

Segunda corrida espacial? Países estão com pressa para chegar na Lua

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Estaria acontecendo uma nova corrida espacial? São mais de 60 anos desde a primeira disputa tecnológica envolvendo a Lua, e os países estão querendo dominá-la novamente.

Foi em 1968 que a revista Time retratou a famosa analogia na sua capa: um cosmonauta soviético e um astronauta americano em uma corrida em direção à Lua.

O verdadeiro frenesi espacial teve início em 1957 com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial, pela União Soviética.

Esse período culminou com o pouso da Apollo 11 dos EUA na Lua em 20 de julho de 1969. A última caminhada lunar tripulada ocorreu em 1972, com a missão Apollo 17. Desde então, a Lua permaneceu intocada.

Hoje, a NASA está programando uma nova aterrissagem lunar para 2025, por meio do seu Programa Artemis. A China também possui planos para uma aterrissagem lunar até 2030.

Simultaneamente, as missões robóticas estão se multiplicando. A Rússia lançou a missão Luna-25 esta semana, marcando seu retorno à Lua após 47 anos.

Recentemente, a Índia conseguiu um pouso bem-sucedido com o módulo lunar Chandrayaan-3 em 23 de agosto.

Diante dessa súbita agitação de atividade lunar, estaremos observando o início de uma segunda corrida espacial?

Via Superinteressante

Uma nova corrida espacial

Cathleen Lewis, curadora de programas espaciais internacionais no Museu Nacional do Ar e Espaço Smithsonian, não compartilha dessa visão. Ela observa que não é bem uma nova corrida espacial, mas sim uma ‘corrida pelo ouro’.

E que ouro é esse? Trata-se, na verdade, de gelo. Cientistas identificaram a presença de gelo de água na superfície lunar, além de depósitos ocultos nas crateras polares permanentemente sombreadas e profundas.

Estados Unidos, China, Rússia e Índia estão focados nesses locais. O gelo pode ser convertido em combustível para foguetes ou usado para a fabricação local, reduzindo a necessidade de transportar água da Terra.

Essa nova onda de exploração lunar é motivada por objetivos diferentes daqueles da primeira metade do século 20.

“A URSS estava buscando alcançar seus limites tecnológicos”, explica Lewis, referindo-se à corrida espacial inicial. Os EUA desenvolveram o foguete Saturn V, o mais potente da sua época, até ser superado pelo novo Sistema de Lançamento Espacial (SLS) da NASA, lançado em 2022.

Hoje, várias nações e até mesmo empresas privadas têm capacidade para enviar espaçonaves à Lua.

O espaço abriga inúmeros satélites que desempenham papéis vitais nas economias terrestres, fornecendo comunicações, orientação e observação de recursos terrestres.

Essa competição já não se baseia apenas na supremacia tecnológica. Agora, as nações almejam adquirir tecnologias cruciais para garantir independência econômica e prosperidade. Como Lewis ressalta, “esses programas são essenciais para a existência no século 21”.

Possível conflito lunar

À medida que um número crescente de nações se envolve em atividades lunares, a possibilidade de conflitos emerge. Como a diretora pergunta, quem detém o direito de determinar o destino dos recursos lunares?

O Tratado do Espaço Exterior, estabelecido em 1967, proíbe a reivindicação de territórios extraterrestres, embora permita a utilização de recursos em corpos celestes.

No entanto, não está claramente definido se isso abrange a exploração de materiais lunares com fins lucrativos na Terra.

Por enquanto, juristas e diplomatas têm a oportunidade de resolver essas questões complexas.

A Lua permanece como um destino desafiador, apesar dos avanços tecnológicos. Como Lewis nos recorda, “a Lua pode ser mais acessível do que era há 60 anos, mas ainda representa um desafio significativo para o pouso”.

O que esperar?

Via Só Científica

Embora os objetivos sejam diferentes, o comportamento ainda é como uma nova corrida espacial. Por isso, é possível esperar cada vez mais notícias sobre o desenvolvimento tecnológico no setor.

A Índia, por exemplo, divulgou o sucesso no pouso, enquanto outros países fora das potências anunciam seus próprios projetos. O Brasil já está voltando com seu programa nacional para assuntos espaciais.

Nos próximos meses, existirão mais países e mais lançamentos do que vistos nos últimos anos. A própria NASA se prepara para revolucionar a conquista espacial, e vale acompanhar empresas privadas como a SpaceX, de Elon Musk, que participa da corrida.

Os países mais bem-sucedidos nessa busca certamente terão destaque na obtenção de recursos nunca vistos antes.

 

Fonte: Só Científica

Imagens: Só Científica, Superinteressante

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