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Amamentação ajuda a salvar a vida de 800 mil crianças por ano

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Um estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates apontou que difundir a amamentação no mundo todo teria um grande impacto na saúde global. De acordo com a pesquisa, mais de 800 mil mortes de recém-nascidos seriam evitadas por ano – 13% de todas as mortes de crianças de até dois anos. 

A pesquisa também aponta que seriam evitadas cerca de 20 mil mortes de mães, provocadas por câncer de mama – uma doença que é prevenida com a amamentação. 

Além disso, a pesquisa aborda o impacto econômico: o estudo estima que o mundo perde em torno de 300 bilhões de dólares por ano com déficits cognitivos que seriam evitados com o leite materno.

O estudo foi realizado a partir de outras 28 pesquisas anteriores para calcular os dados globais. O resultado foi publicado no jornal britânico The Lancet.

Os benefícios  

Foto: iStock


Existem diversas pesquisas que apontam que a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses protege as crianças de diversos males. Entre eles estão a diarreia, asma e pneumonia.

Além disso, crianças que foram amamentadas na média são mais inteligentes e têm um sistema imunológico mais eficiente. 

Também vale destacar que os benefícios da amamentação duram além da infância. Isso porque as crianças amamentadas têm maior expectativa de vida. De acordo com as pesquisas, elas também têm taxas menores de diabetes e obesidade na vida adulta.

Porém, apenas uma em cada quatro crianças no mundo recebe amamentação exclusiva nos primeiros seis meses.

Países mais pobres costumam ter índices melhores de amamentação 

Foto: Shutterstock

O problema é grave nos países mais pobres, onde apenas 1 em cada 3 crianças de até seis meses é alimentada só de leite materno. No entanto, é ainda mais grave nos ricos, onde a taxa é de 1 a cada 5.

“Amamentação é um dos poucos comportamentos saudáveis que é mais comum em países pobres do que nos ricos – mães pobres amamentam mais que as ricas”, disse ao Lancet o pesquisador brasileiro Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas, autor principal do estudo internacional.

A afirmação do pesquisador pode ser comprovada pelo fato de que na Dinamarca só 3% das crianças de 12 meses tomam o leite da mãe, no Reino Unido a taxa é de menos de 1%. 

“Há um engano recorrente de que a amamentação pode ser substituída por produtos artificiais sem consequências graves. Mas a evidência não deixa dúvidas de que a decisão de não amamentar tem efeitos negativos de longo prazo na saúde, na nutrição e no desenvolvimento das crianças, sem falar na saúde das mães”, afirma Victora.

Os países mais pobres costumam ter índices melhores de amamentação até pela falta de competição com esses produtos artificiais, que costumam ser caros. 

Além disso, o estudo cita que Bangladesh conseguiu aumentar seus índices de amamentação em impressionantes 13% com algumas ações simples, entre elas está a licença-maternidade de seis meses.

Amamentação no Brasil

Foto: Getty Images

Apesar do Brasil garantir apenas quatro meses de licença-maternidade, o país alcançou progressos nas últimas décadas com campanhas de conscientização e de combate ao preconceito. 

O tempo de amamentação médio das crianças brasileiras subiu de 75 dias, nos anos 1970, para 14 meses, no começo do século 21.

Vale lembrar que neste mês é celebrado o Agosto Dourado. A campanha foi criada em 1992 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A cor dourada foi escolhida para ressaltar o padrão ouro de qualidade do leite materno.

A data também é marcada pelas campanhas de doação de leite materno para bancos de leite. Eles ajudam as mães com dificuldade de amamentar e os recém-nascidos prematuros que estão internados e precisam ganhar peso para se recuperar.

Fonte: Superinteressante

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