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A ‘cirurgia do medo’ que separou siameses unidos pelo crânio

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Muitas pessoas têm a vontade de ter irmãos para compartilhar tudo da sua vida e ter uma pessoa que vai estar sempre ali por você. Só que, com certeza, ninguém quer uma pessoa literalmente grudada em si. No entanto, algumas pessoas não têm esse privilégio de escolha, como por exemplo, no caso de irmãos siameses.

Irmãos siameses sempre chamam a atenção de todos. Recentemente, o “Fantástico” contou a história emocionante e de sucesso da medicina. Os irmãos Arthur e Bernardo nasceram unidos pela cabeça. Por conta disso, eles compartilhavam um pedaço do cérebro e a principal veia que leva o sangue de volta ao coração. O caso desses siameses era bem raro e gravíssimo.

Agora, com quatro anos, os irmãos estão separados depois de terem passado por nove cirurgias. Todo esse procedimento foi bastante complexo e bancado pelo SUS. Para entender um pouco mais sobre a complexidade das cirurgias feitas para separar os siameses, o neurocirurgião Gabriel Mufarrej explicou um pouco sobre.

Siameses

G1

Sobre os riscos que estavam claros nas operações, ele disse: “Risco potencial de morte sempre em todas as cirurgias. Nós paramos o centro cirúrgico em todos os procedimentos. Deixando salas reservas disponíveis para uma separação emergencial”.

Depois de ter realizado sete procedimentos, o médico decidiu buscar ajuda para fazer a separação total dos siameses. “Eu comecei a fazer contato com o doutor Owasi Jeelani, de Londres, que é a pessoa que, no momento, tem mais experiência em separação de craniópagos pelo mundo”, contou.


E mesmo que Jeelani tenha feito cinco cirurgias desse tipo, nenhuma foi tão complexa como o caso desses irmãos brasileiros.

“Esse caso em particular era desafiador pra gente porque era o par de gêmeos mais velho que a gente separaria”, disse Jeelani.

Separação

G1

Os médicos passaram oito meses tendo encontros virtuais, até que Jeelani veio para o Brasil para realizar as últimas duas e mais importantes cirurgias nos irmãos.

“Eu tenho que te confessar que eu não sei se eu seria capaz de fazer as duas cirurgias de separação sem ele. Porque era muito difícil. Era muito desafiadora. Então, assim, por que eu não vou me aliar à pessoa que tem mais experiência no mundo?”, pontuou Mufarrej.

A importância dessas cirurgias era a mais alta possível. Nada podia dar errado e cada movimento foi planejado. “A gente chegou a fazer três simulações com ajuda de enfermagem, anestesistas, com os cirurgiões, com todos. Para cada um saber exatamente o que faria no dia”, contou a anestesista Mariana Tonon Rosa.

Para essas últimas duas cirurgias, estavam envolvidos mais de 20 profissionais, entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiros. Além disso, eles eram divididos em cores. A equipe vermelha era do Bernardo e a equipe azul do Arthur.

“Foi um trabalho hercúleo que nós tivemos por que era previsto cirurgias muito longas, tanto que nós dividimos em dois dias”, contou o neurocirurgião Gabriel Mufarrej.

Vida junto

Hypeness

Os irmãos Arthur e Bernardo conseguiram se separar cirurgicamente, mas nem todos os siameses conseguem ou têm essa oportunidade. Segundo estatísticas, as chances de uma gestação ser de gêmeos siameses é de 1 a cada 200 mil. Ou seja, é uma condição rara mas, ainda assim, acontecer é algo inevitável. O que resta é aprender a viver assim. A vida de gêmeos siameses, aqueles que nascem fisicamente conectados, um ao outro, pode não ser fácil, mas também não é nada de outro mundo. Dependendo da ligação, pela barriga, peitoral, cabeça, etc, há a possibilidade de separação. Mas quando a cirurgia de separação é muito arriscada, os dois irmãos estão destinados a viver juntos.

Nesses casos, entra a parte mais difícil do compromisso e do trabalho em equipe. É como uma corrida de quatro pernas ao longo da vida, se assim podemos dizer. Requer paciência, empatia e muita, mas muita dedicação.

Atualmente, existem cerca de 12 pares de gêmeos siameses vivos, sendo a maioria deles do sexo feminino. Alguns são unidos pelo quadril, outros pela cabeça e peitoral. Geralmente, esses irmãos compartilham órgãos, como corações ou até mesmo cérebros. Em casos raros, eles podem compartilhar até pensamentos, sentimentos e a visão. É comum que gêmeos siameses consigam terminar as frases um do outro. Mas mesmo assim, unidos pelo corpo, eles ainda são indivíduos.

Fonte: G1, Tua Saúde

Imagens: G1, Hypeness

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