
Recentemente, arqueólogos que estavam trabalhando em uma escavação em Sanxingdui, na província chinesa de Sichuan, encontraram fragmentos de uma máscara facial de ouro de 3.000 anos. A máscara, de acordo com o portal de notícias All That is Interesting, pesa pouco mais de meio quilo e possui 84% de ouro puro.
O valioso objeto foi encontrado entre um cache substancial de 500 objetos, todos espalhados no interior de seis “fossos de sacrifício”. Os arqueólogos acreditam que a máscara era utilizada em cerimônias, por alguma figura religiosa.
As seis fossas sacrificiais foram descobertas pela primeira vez entre novembro de 2019 e maio de 2020. Todas estavam próximas a duas outras fossas, que foram descobertas em 1986. Para os arqueólogos, o local, conhecido como Ruínas Sanxingdui, era centro de sacrifícios de antigas culturas Sanxingdui.
As outras relíquias, que foram encontradas ao lado da máscara facial, incluem objetos de bronze e ouro, artefatos feitos de marfim, jade e osso, uma caixa de madeira e uma espécie de recipiente marcado com padrões e símbolos.
Song Xinchao, vice-diretor da Administração de Patrimônio Cultural Nacional, disse que as descobertas mais recentes irão ajudar os pesquisadores e a academia a “compreender de forma mais palpável a cultura Sanxingdui”.
Os arqueólogos têm esperança de que essas descobertas possam revelar novas e contundentes pistas sobre o misterioso Estado de Shu, uma civilização da Idade do Bronze que governou a bacia de Sichuan ocidental até ser conquistada pelo estado vizinho de Qin, em 316 a.C..
Pouco se sabe sobre o Estado de Shu, pois poucos registros foram encontrados ao longo dos anos. A maioria das informações que existem sobre o Estado de Shu são encontradas apenas em livros de literatura, as quais muitas foram fomentadas por lendas.
A existência do Estado de Shu foi confirmada por um simples fazendeiro chinês que, em 1929, encontrou uma jade e artefatos feitos de pedra em uma vala de esgoto de Sichuan. A descoberta do ruralista incitou um grande número de escavações, onde mais de 50.000 objetos foram encontrados nas décadas seguintes.
Os arqueólogos encontraram restos de seda nas fossas sacrificiais. Na época, a seda era usada para uma infinidade de propósitos, de leques a tapeçarias. Mas a seda também desempenhou um papel religioso significativo, sendo, por exemplo, um meio de comunicação vital entre o céu, a terra, o homem e Deus – o que sugere que o antigo povo Shu usava roupas de seda durante as cerimônias de sacrifício.
Tang Fei, chefe da equipe de escavação e chefe do Instituto de Pesquisa de Arqueologia e Relíquias Culturais da Província de Sichuan, observou que a descoberta da seda em Sanxingui revela que o Estado de Shu “foi extremamente importante na propulsão da seda na China antiga”.
Além da máscara de ouro e dos fragmentos de seda, os arqueólogos estão intrigados com uma variedade de objetos que são semelhantes a outros itens descobertos no Sudeste Asiático. De acordo com Zhao Congcang, um arqueólogo da Northwest University, em Xian, a série de objetos sugere que o Shu se envolveu em “amplos intercâmbios com outras áreas”.
Alguns dos profissionais, nesse ínterim, acreditam que os artefatos descobertos nas ruínas de Sanxingdui podem desafiar as crenças atuais sobre a história chinesa. “Estamos diante de um sinal provável de uma fusão de culturas diferentes,” revelou Shi Jinsong, o vice-diretor do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais.






