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Arqueólogos descobrem rede de aldeias da Amazônia pré-colombiana

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De acordo com um recente estudo científico, um grupo de pesquisadores descobriram um agrupamento de 35 aldeias da época da Amazônia pré-colombiana que possuía uma estrutura organizacional inspirada nas constelações. Pela maneira que as aldeias estavam dispostas, os pesquisadores acreditam que as aldeias seguia um modelo social específico.

Apelidadas de “aldeias de montes”, as aldeias, segundo uma publicação do portal Live Science, foram construídas em linhas contínuas, que partiam de uma espécie de praça central – ou seja, dispostas como mostradores de relógio. A estrutura, além disso, foi projetada no século XIV, por indígenas que possuíam conhecimentos específicos de manejo e conservação de solo.

As aldeias

Os pesquisadores sempre acreditaram que toda o sul da floresta tropical já pertenceu a uma variedade de tribos que sabiam como manusear o solo e como esculpir a paisagem para estabelecer a sua organização sócio-espacial de uma forma que não agredisse o meio-ambiente. Entretanto, essa é a primeira vez que vestígios de tais aldeias foram encontradas no Acre.

Ao todo, os pesquisadores encontraram 25 aldeias circulares e 11 retangulares. Outras 15 aldeias foram identificadas, no entanto, nenhumas delas estavam bem preservadas. Por esse motivo, os cientistas não conseguiram categorizá-las.

A descoberta, publicada no Journal of Computer Applications in Archaeology, foi feita graças a mecanismos de varredura remotos a laser que estavam anexados em helicópteros. Com o auxílio da tecnologia, os pesquisadores foram capazes de distinguir sob as copas das árvores da Amazônia a configuração de redes de aldeias antigas.

A tecnologia e a coleta de dados

Para obter uma planta precisa dos assentamentos, os pesquisadores utilizaram a nova tecnologia de levantamento de imagens (em inglês, Light Detection and Ranging ou LIDAR). Atualmente, a mesma tecnologia pode ser encontrada em carros autônomos e até mesmo nos mais novos iPhones da Apple.

Com o auxílio da tecnologia, os pesquisadores, além de terem revelado como as aldeias eram organizadas em escala, conseguiram coletar dados específicos, sem a necessidade de realizar um trabalho laborioso ou escavar o solo.

“O LIDAR nos permitiu detectar essas aldeias e suas características, como estradas, o que não era possível antes porque a maioria não era visível pelos melhores dados de satélite disponíveis”, diz o arqueólogo José Iriarte, da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Os pesquisadores sugerem que a conectividade intencional entre as aldeias foi ditada pela estrutura social que existia entre suas comunidades. No entanto, os pesquisadores não sabem informar que modelo específico essas aldeias foram baseadas.

“A configuração espacial uniforme das aldeias de montes, como muitas aldeias circulares contemporâneas dos povos neotropicais, provavelmente representam representações físicas do cosmos na perspectiva nativo-americana”, ressalta Iriarte.

Próximos passos

Uma nova investigação deve ser capaz de revelar exatamente quais eram as estruturas com formavam as aldeias. Os pesquisadores querem saber se existiam apenas casas ou se poderia haver também, por exemplo, cemitérios.

“O LIDAR oferece a oportunidade de localizar e documentar localidades de terra em partes florestais da Amazônia caracterizadas por uma vegetação densa”, explica Iriarte. “Ele também pode documentar os menores vestígios de terra nas áreas de pastagem recentemente abertas”.

“A tecnologia irá nos ajuda a mostrar a diversificada e complexa história da construção desta parte da Amazônia”, diz Iriarte.

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