
Nosso planeta já tem seu longo período de existência e já passou por várias mudanças. Uma delas os pesquisadores consideram uma das mais drásticas, que é a climática. Vivemos em uma situação de perda e estima-se que, com o passar do tempo, a vida ficará impossível para várias espécies de seres vivos, incluindo os humanos. Por conta disso, vários planos são pensados para tentar diminuir essa situação. Como esse para bloquear a luz do sol e resfriar a Terra.
Para David Keith, a erupção do vulcão nas Filipinas em 1991 é uma validação para a ideia central do trabalho dele. De acordo com ele, se for liberado dióxido de enxofre na estratosfera iria ser possível diminuir as temperaturas no mundo todo.
Cada vez mais soluções radicais como essa estão sendo consideradas conforme os efeitos das mudanças climáticas ficam mais intensos. Como as temperaturas globais atingiram recordes durante 13 anos seguidos, os cientistas estão esperando que esse calor aumente durante décadas. Até porque a queima de combustíveis fósseis, que é o principal impulsionador, está quase que inabalado.
Justamente por isso que vários esforços são pensados para mudar o clima da Terra. Esse campo de estudo é conhecido como geoengenharia. No momento, existem corporações grandes com instalações para sugar o dióxido de carbono que aquece a atmosfera e enterrar ele no subsolo. Além disso, alguns cientistas estão fazendo experimentos para clarear as nuvens para que uma parte da radiação solar seja refletida para o espaço. Enquanto outros trabalham para que os oceanos e plantas consigam absorver mais dióxido de carbono.
De todas as ideias de geoengenharia, a que desperta mais medo e esperança é bloquear a luz do sol e resfriar a Terra. Para quem defende essa ideia, ela é uma forma relativamente barata e rápida de diminuir as temperaturas antes da paralisação da queima de combustíveis fósseis.

Galeria do meteorito
O programa de geoengenharia da Universidade de Harvard teve subsídios de Bill Gates, da Fundação Alfred P. Sloa e da Fundação William e Flora Hewlett. E o Environmental Defese Fund e o World Climate Research Program estudam esse tema.
Em 2023, a União Europeia disse que os países tinham que discutir uma forma de regular o uso dessa tecnologia. Contudo, vários cientistas e ambientalistas têm a preocupação de que isso possa gerar calamidades imprevisíveis.
Isso porque a geoengenharia solar envolve a estratosfera, o que pode afetar o mundo todo. Uma das possibilidades é que ela perturbe os sistemas naturais, criando chuvas em regiões áridas e secas em locais de monções.
Além disso, quem critica esse plano pontua que ele pode criar uma distração para o verdadeiro foco que é parar de usar os combustíveis fósseis. Além disso, liberar de forma intencional o dióxido de enxofre, o poluente poderia se deslocar na estratosfera para o solo e com isso irritar a pele, olhos, nariz e garganta, causando problemas respiratórios. E o temor deles é que quando isso começar, a geoengenharia solar irá ser uma coisa difícil de ser interrompida.

Folha de São Paulo
Na visão de Keith, professor do departamento de ciências geofísicas da Universidade de Chicago, os riscos de bloquear a luz do sol para resfriar a Terra são bem entendidos, não são tão graves quanto dito por quem critica esse plano e os potenciais benefícios os superam.
Para ele, se a geoengenharia solar conseguir retardar o aquecimento do planeta em 1ºC durante o próximo século, isso já conseguiria ajudar na prevenção de milhões de mortes associadas ao calor.
O professor é enfático em dizer que todos os medos relacionados ao plano de bloquear a luz do sol para resfriar a Terra são exagerados. E mesmo tendo poluição adicional no ar, ele diz que o risco é negligenciável quando comparado aos benefícios.
“Estou ainda mais motivado agora par avançar na geoengenharia solar porque o argumento racional para isso está se fortalecendo. Embora haja muitas vozes individuais fortes de oposição, há muitas pessoas em posições políticas importantes que estão levando isso a sério, e isso é realmente empolgante”, concluiu ele.
Fonte: Folha de São Paulo
Imagens: Galeria do meteorito, Folha de São Paulo






