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Cientistas podem ter encontrado o primeiro caminho para a América há 24.000 anos

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Arqueologia e ciência sempre andam juntas para descobrir nossas reais origens, como o mundo era antigamente, como era sua vegetação, como, porque e quando as espécies tiveram seu fim, entre outras coisas. E parece que sempre que se julga saber “com certeza” alguma coisa, uma nova descoberta surge e muda tudo. Como essa estrada congelada que pode ter dado aos humanos antigos um caminho livre da Sibéria até o Novo Mundo.

Esse caminho descoberto pode ter sido percorrido pelos humanos mais de 10 mil anos antes da chegada dos povos das Primeiras Nações da América. Segundo os dados, que foram baseados em estudos de sedimentos e vida marinha fossilizada, a migração precoce dos humanos pode ter sido facilitada por conta do gelo marinho.

De acordo com a apresentação do geólogo Summer Praetorius, do Serviço Geológico dos EUA, apresentada na Reunião Anual da União Geofísica Americana (AGU23) em São Francisco, as extensões planas de gelo de inverno podem ter tido um papel crucial em facilitar as viagens dos humanos antigos nos momentos em que viajar de barco seria uma coisa perigosa.

Descoberta

History

Por quase meio século os arqueólogos consideravam uma cultura conhecida como povo Clovis, como sendo os primeiros pioneiros do continente norte americano. Eles foram para lá por conta dos novos campos férteis de caça. Para isso, as famílias andaram através de terras, ligavam a Sibéria ao Alasca, na América, e que foram expostas brevemente pelo recuo do gelo. Isso acontece aproximadamente 13 mil anos atrás.

Essa hipótese tinha vários fatores a seu favor. Como por exemplo, vários restos de esqueletos e pontas de projéteis que tinham um estilo parecido com os que foram encontrados entre a mega fauna, que está extinta. Eles eram tidos como evidências tangíveis da existência dessa caminhada, enquanto que os dados climáticos corroboravam com o movimento relativamente fácil da terra.

Contudo, várias descobertas feitas nas últimas décadas foi minando a confiança na hipótese do povo Clovis e atrasando a chegada dos humanos na América até o Último Máximo Glacial, há mais de 25 mil anos.

Com isso, um ponto importante era como esses humanos antigos fizeram essa jornada árdua. Por amis que os níveis do mar estivessem baixos o suficiente para que uma ponte sólida fosse exposta, a camada acidentada de neve e geleira que cobria essa paisagem teria sido um desafio, se fosse possível atravessá-la.

No momento que os glaciares começaram a recuar, pode ter aparecido uma faixa estreita de ecossistemas costeiros que teria dado aos humanos recursos e meios de transporte de barco. Essa possibilidade de que povos pré-Clóvis estavam avançando de forma lenta ao longo dessa beira de água.

Migração

NetNature

Essa hipótese da “autoestrada das algas” presume que a tecnologia marinha da época já conseguia fazer o transporte de famílias de forma segura através de milhares de quilômetros em um ambiente marinho bem frio. Essa possibilidade pode ter dependido muito do momento em que essa viagem foi feita.

Segundo um estudo de 2020, as janelas de oportunidade para essa viagem podem ter se fechado nos períodos de calor críticos, ou seja, quando o derretimento acelerado fez com que as correntes girassem em direção errada.

Segundo Praetorius e a sua equipe, analisando os modelos climáticos foi possível confirmar que os ventos fortes e os níveis mais baixos do mar teriam sido fatores que ajudaram a fazer as correntes oceânicas duas vezes mais fortes do que são hoje há 20 mil anos.

Ainda conforme esses registros, grandes extensões de gelo marinho vistas no inverno estariam presentes até aproximadamente 15 mil anos atrás, época em que os humanos poderiam ter caminhado, ou então andado de trenó.

“Identificamos 24,5 – 22 [mil anos atrás] e 16,4 – 14,8 [mil anos atrás] como os períodos de tempo mais prováveis ​​para acomodar a migração inicial ao longo da costa do Alasca, possivelmente auxiliada pelo movimento e subsistência em uma “Rodovia do Gelo Marinho”, escreveram os pesquisadores.

Com essa nova informação de que os humanos podem ter ido até o sul, até o Novo México, há mais de 20 mil anos, isso também sugere que pode ter existido um caminho relativamente seguro e aberto para os nossos antepassados passarem.

Humanos

UOL

É sabido que o ser humano foi migrando para outras regiões do mundo com o passar do tempo. Mas talvez o momento em que isso aconteceu pode não ser realmente o que se imaginava.

Um dos lugares do mundo que funciona como uma cápsula do tempo como nenhum outro é a caverna Coxcatlan, no vale de Tehuacan, no México. Isso porque o chão da caverna é um livro de história, mostrando detalhadamente milhares de anos de alimentos e tecnologia dos habitantes antigos do planeta.

E finalmente arqueólogos dos Estados Unidos e do México escavaram o primeiro capítulo desse livro de história. Eles usaram técnicas de datação avançadas para conseguir determinar a idade dos ossos de animais que estavam enterrados entre as camadas mais antigas da caverna.

Com isso, tiveram resultados surpreendentes. Eles sugeriram que os humanos já estavam presentes na região há 33 mil anos. Isso são milhares de anos antes das camadas de gelo atingirem seu pico, há cerca de 20 mil anos, que é o tempo que as evidências atuais sugerem que os humanos estavam nas Américas.

Para que os pesquisadores repensem suas teorias ainda será preciso algumas medições de radiocarbono. Contudo, os resultados desse estudo recente, que foi liderado pelo arqueólogo Andrew Somerville da Universidade Estadual de Iowa, devem colocar um fogo no debate sobre a linha do tempo da migração humana para o centro das Américas.

“Ficamos surpresos ao encontrar essas tâmaras realmente antigas no fundo da caverna, e isso significa que precisamos dar uma olhada mais de perto nos artefatos recuperados desses níveis”, disse Somerville.

Com a descoberta fica claro o motivo do Vale Tehuacan-Cuicatlan, no sul do México, ser um Patrimônio Mundial da UNESCO. Além de hospedar uma grande biodiversidade, seu clima seco preservou registros da presença humana durante milhares de anos. Isso fez com que a localização fosse bem valiosa para os pesquisadores interessados na disseminação dos humanos pelo Novo Mundo.

E nesse tesouro arqueológico a caverna Coxcatlan é uma  verdadeira joia por conta das suas camadas profundas de sedimentos e condições secas que dão aos pesquisadores uma cronologia de atividade datada de, pelo menos, 11 mil anos.

Foi a partir de meados da década de 1990 que os estudiosos e acadêmicos começaram a ter dúvidas sobre como esse “livro” da caverna deveria ser lido. Eles começaram a ter preocupações com a datação de algumas espécies botânicas e dizendo que as páginas poderiam estar fora de ordem.

Isso poderia não ser apenas em uma ou duas camadas, mas sim em cerca de três quartos dos materiais vegetais que foram escavados da caverna. Por mais que novas pesquisas tenham vindo desde então defendendo a linha do tempo da caverna, a sua confiabilidade ficou um pouco abalada.

As camadas mais baixas do local ainda não foram totalmente analisadas. E Somerville e sua equipe perceberam que era preciso fazer um trabalho para esclarecer a cronologia da caverna.

“Não estávamos tentando pensar neste debate ou mesmo encontrar amostras realmente antigas. Estávamos apenas tentando situar nosso estudo agrícola com um cronograma mais firme”, disse Somerville.

Eles fizeram a datação por radiocarbono por espectrometria de massa em 14  ossos de animais como lebres, coelhos e veados, que tinham sido escavados da caverna. Com isso, criaram um catálogo de datas descrevendo quando os animais viveram.

Vários dos ossos de coelho e o fêmur de uma lebre foram datados de aproximadamente 33 mil anos. Essa época não somente precedeu todos os recordes que se tem atualmente, mas também seria isolada do resto do mundo por conta da mudança climática.

“Empurrar a chegada dos humanos à América do Norte para mais de 30.000 anos atrás significaria que os humanos já estavam na América do Norte antes do período do Último Máximo Glacial, quando a Idade do Gelo estava em seu pior estado. Grandes partes da América do Norte teriam sido inóspitas para as populações humanas. As geleiras teriam bloqueado completamente qualquer passagem por terra vinda do Alasca e do Canadá, o que significa que as pessoas provavelmente teriam que vir para as Américas em barcos pela costa do Pacífico”, concluiu Somerville.

Fonte: Universo racionalista

Imagens: History, NetNature, UOL

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