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Como funcionava o primeiro computador brasileiro criado há 50 anos

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Atualmente, é quase impossível imaginar a vida sem um computador, e até os celulares podem fazer as vezes desse aparelho. Entretanto, há 50 anos, quando quase não existiam profissionais capacitados para isso no Brasil, aproximadamente 15 pesquisadores criaram o primeiro computador brasileiro.

Esse computador foi desenvolvido na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), e ficou conhecido como Patinho Feio. Ele tinha somente quatro kilobytes de armazenamento, não tinha tela, mouse, nem a maioria das funções dos computadores de hoje. Mesmo assim, ele serviu para começar a indústria brasileira de equipamentos digitais.

“O Patinho Feio foi uma semente da indústria digital brasileira a partir de um protótipo viável”, disse Lucas Moscato, professor aposentado de automação industrial e robótica da Poli-USP e um dos criadores do computador.

O computador foi o resultado de um esforço em conjunto de engenheiros, professores, estagiários e estudantes de pós-graduação da faculdade. “A gente teve alunos excelentes. Muitos ficaram trabalhando conosco na Poli, outros alimentaram a indústria de computadores que começou a surgir no Brasil”, destacou Edith Ranzini, professora sênior da Poli-USP e uma das quatro mulheres que participaram do projeto.

Na última quinta-feira, começou a se comemorar o 50° aniversário do Patinho Feio na Poli-USP. Essa comemoração se estenderá nos próximos meses com exposições e visitas programadas de estudantes para mostrar os avanços da tecnologia e também ressaltar a importância dos investimentos na universidade pública.

Primeiro computador

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Esse dispositivo foi um projeto do antigo Laboratório de Sistemas Digitais da USP, atualmente chamado de Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais. Ele foi inaugurado no dia 24 de julho de 1972, mas o projeto começou a ser desenvolvido dois anos antes.

Quem pediu a criação desse primeiro computador brasileiro foi a Marinha, com o objetivo de usá-lo em seus navios. Inicialmente, o aparelho seria feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que chamou o projeto de Cisne Branco.

Como os engenheiros da USP também estavam projetando um computador, eles chamaram o seu projeto de Pato Feio, que depois seria chamado no diminutivo. “Foi realmente uma brincadeira que gerou o nome. O Patinho Feio teve essa ligação com o que o pessoal da Unicamp propôs fazer”, explicou Moscato.

No final das contas, o Cisne Branco da Unicamp não vingou. Com isso, o G10, um sucessor do Patinho Feio, iria ser usado em sistemas de navegação de alguns navios da Marinha.

Como funcionava

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Esse primeiro computador brasileiro era controlado por um painel com botões e chaves liga-desliga que enviavam códigos binários (0 e 1) para rodar pequenos programas.

Além disso, o Patinho Feio também usava um sistema de entrada e saída com periféricos, que são aparelhos que ficam conectados à máquina. Para esse dispositivo, os acessórios serviam para salvar e iniciar programas.

Os programas do computador eram salvos em fitas perfuradas impressas em teletipo, que era uma espécie de máquina de escrever que enviava e recebia mensagens através de telégrafo. Depois disso, uma máquina leitora conseguia ler essas fitas e rodar os programas.

De acordo com Edith, quando o Patinho Feio foi desenvolvido, ele foi considerado um mini computador. Contudo, na realidade, ele pesava aproximadamente 60 quilos e tinha o tamanho de dois frigobares.

“Um ‘frigobar’, do lado esquerdo, é para as fontes de alimentação, para você ver como ele consumia energia. O outro é a parte do Patinho Feio propriamente dito, é aquele em que há um painel verde”, explicou ela.

Para que era usado

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O Patinho Feio tinha pouca memória e rodava somente pequenos programas de demonstração. Então, o dispositivo seguia instruções para criar listas e copiar textos e também fazia contas de soma e subtração. O objetivo era testar o que foi aprendido nas aulas sobre sistemas digitais, incluídas no curso de Engenharia da Computação da Poli-USP um ano antes da criação do computador.

“O importante na época era demonstrar a capacidade de desenvolver um equipamento confiável que funcionasse e permitisse que os engenheiros que ali haviam trabalhado pudessem progredir fazendo outros equipamentos ou indo até para a indústria”, disse Moscato.

De acordo com Edith, o objetivo do dispositivo “era estudar como fazer um módulo de entrada e saída, como ligar mais um periférico. O foco não era tanto que programa fazer, era dotar o Patinho Feio de mais recursos de infraestrutura básica para depois o pessoal rodar programa”.

Fonte: G1 

Imagens: G1

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