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Como o cérebro decide quais lembranças manter na mente?

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Você já esteve vivendo sua vida tranquilamente quando, de repente, recebeu uma memória inesperada, e não soube dizer quando seu cérebro decidiu manter a lembrança? Saiba que não está sozinho!

A mente humana, com seus mecanismos, sempre intrigou os cientistas. Nos últimos anos, os neurocientistas intensificaram seus esforços para desvendar os mistérios por trás da formação de memórias permanentes no cérebro.

Agora, um estudo inovador, liderado por uma equipe brilhante da Escola de Medicina Grossman da Universidade de Nova York e em colaboração com o Instituto de Inteligência Artificial de Quebec em Montreal, abre portas para uma compreensão mais profunda de como nosso cérebro seleciona e armazena as experiências do dia a dia.

Publicada na revista Science, essa pesquisa é um passo crucial para desvendarmos a complexa teia da memória humana.

Através de métodos inovadores que surgiram recentemente, os cientistas conseguiram lançar luz sobre os mecanismos que ditam quais lembranças se tornam permanentes, enquanto outras somem com o tempo.

Com essa nova perspectiva, podemos traçar um mapa mais preciso da formação das memórias, abrindo caminho para futuras descobertas e aplicações práticas.

Via Freepik

Ondulações cerebrais

No fundo do nosso cérebro, ações complexas acontecem entre os neurônios, as células responsáveis por armazenar nossas memórias.

Nesse sentido, os cientistas desvendaram um mecanismo intrigante que orienta essas ações, revelando como as memórias são codificadas em nosso cérebro.

No centro dessa descoberta estão os neurônios do hipocampo, região cerebral crucial para formar e manter lembranças. Esses neurônios se comunicam através de sinais elétricos, criando padrões distintos de atividade que codificam as informações que experimentamos.

Em momentos específicos, esses neurônios se sincronizam em um ritmo frenético, como se estivessem dançando. Esse fenômeno, chamado de “ondulações agudas”, é essencial para a formação de memórias duradouras.

Durante as ondulações agudas, os neurônios disparam seus sinais elétricos quase simultaneamente, criando uma onda de atividade que fortalece as conexões entre eles.

Assim, a sincronização facilita a comunicação entre diferentes regiões do cérebro envolvidas na memória, consolidando as informações em nosso cérebro.

No futuro, essa pesquisa poderá levar ao desenvolvimento de novas ferramentas para auxiliar na retenção de informações e no tratamento de distúrbios da memória.

Pausas para manter lembranças

Via Freepik

Outra descoberta também chamou a atenção dos cientistas no quesito formação de memórias.

Imagine que você acabou de ter uma aula intensa e absorveu um grande volume de informações. Você se pergunta: como essas informações se transformam em memórias duradouras?

A resposta está em algo surpreendente: os períodos de inatividade após a aprendizagem.

Isso porque é durante as pausas, quando você está relaxando ou distraído com outras atividades, que o seu cérebro realiza um trabalho crucial para consolidar as memórias.

Ondas agudas de atividade percorrem o hipocampo, região central para a memória. Imagine milhares de neurônios disparando juntos, fortalecendo as conexões neurais e esculpindo as memórias em seu cérebro.

Mas a história não termina aí. Durante o sono, especialmente na fase de sono de ondas lentas, as memórias são revisadas e reforçadas.

É como se o seu cérebro estivesse repassando as experiências do dia, consolidando as mais importantes e descartando as irrelevantes.

Avanço

Compreender esse processo ajudará em diversas aplicações. Por exemplo, técnicas para turbinar a memória, ajudando estudantes a absorver conteúdo com mais facilidade ou auxiliando pessoas com perda de memória.

Ou ainda, no desenvolvimento de novos tratamentos para transtornos como o estresse pós-traumático, ajudando a reprocessar memórias dolorosas e aliviar o sofrimento dos pacientes.

De modo geral, essas e outras implicações serão possíveis quando entendermos mais sobre como manter lembranças, administrá-las e quais os processos que nosso cérebro prioriza para isso.

 

Fonte: Mega Curioso

Imagens: Freepik, Freepik, Freepik

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