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Conheça a organização que matava japoneses no Brasil depois da 2° Guerra Mundial

POR Mateus Graff    EM História      28/11/18 às 18h10

O Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial em agosto de 1942. Do lado dos Aliados, o Brasil declarou guerra aos países do Eixo, que era formado pelo Japão, Itália e Alemanha. Nessa época, os imigrantes desses países eram vistos com desconfiança pelos brasileiros, o que fez ser uma época difícil para os 160 mil imigrantes japoneses.

Depois que acabou a Segunda Guerra Mundial, um grupo extremista de imigrantes japoneses começou a espalhar um boato de que o Japão não havia perdido a guerra. Para eles, essa notícia era falsa e tinha sido espalhada pelos Aliados. O grupo, chamado Shindo Reimei, acreditava tanto nessa ideia que eles começaram a assassinar quem dissesse o contrário.

Alguns imigrantes, que tinham vindo procurar uma vida melhor no Brasil, acaram sendo perseguidos pelo grupo.

Imigrantes japoneses

Quem aceitava que o Japão tinha perdido a guerra era vítima do grupo. Eles achavam que deveriam matar quem acreditasse que o Japão tinha perdido a guerra em nome da pátria e os chamavam de "corações sujos". Entre 1946 e 1947, cerca de 23 membros do grupo de imigrantes japoneses no Brasil morreram e ao menos 147 ficaram feridos.

O pai de Aiko Higuch foi uma das vítimas. Em entrevista à BBC, ela contou um pouco do sofrimento da sua família (foto abaixo). Aiko Higuch na época tinha 23 anos de idade e era agricultora. Ela tinha vindo para o Brasil com apenas 7 anos de idade.

"Papai deixou o filho mais velho no Japão porque achava que ia ficar 5, 6, 7 anos no Brasil e depois voltaria. A propaganda no Japão era a de que, no Brasil, você ganhava dinheiro fácil", disse Aiko.

Ela disse que não podiam vir cartas do Japão, que era proibido escutar rádio e até falar o idioma japonês na rua. Os imigrantes não podiam dirigir e nem viajar, bem diferente do que era comentado sobre o Brasil no Japão (ao menos antes da guerra).

O Shindo Reimei

Com isso, surgiram grupos para apoiavam a comunidade japonesa. Mas um desses grupos, o Shindo Reimei, seguiu outro caminho. O grupo foi fundado por Junji Kikawa, um ex-oficial do exército japonês. Sua organização começou a espalhar os tais boatos, dizendo que tudo tinha sido inventando pelos Aliados.

"Mandavam mensagens falando que Japão tinha ganhado guerra e que ia mandar navio para levar japonês de volta. Eles eram, como diz? Fanáticos, né? A maioria eram pessoas com pouca educação em cidades com muitos japoneses: Bastos, Pompeia, Tupã", declarou Aiko.

Ikuta Mizobe (foto acima), pai de Aiko, era gerente de uma cooperativa de agricultores onde a maioria das pessoas eram imigrantes japoneses. Mas como tinham brasileiros no meio da cooperativa, eles tinham mais acesso à informação do que o grupo Shindo Reimei. O pai de Aiko dizia a verdade para os cooperados, mas isso deixou o grupo extremista furioso.

"Meu pai recebeu carta com duas palavras: pessoa e coração, cortado com uma faca. Minha mãe queimou a carta. Desde daquele dia eu não consegui mais dormir, toda noite ia pra cama pensando", contou Aiko.

Infelizmente, o pai de Aiko foi a primeira vítima do grupo Shindo Reimei. Eles usavam armas e, às vezes, katanas - as espadas tradicionais japonesas.

O fim da organização

Anos depois da morte do pai de Aiko, cerca de 380 pessoas foram investigadas por terem participado do Shindo Reimei. As penas foram entre 1 a 30 anos de prisão e quatorze jovens foram condenados por homicídio. Em 1950, muitos deles já estavam nas ruas.

Tokuichi Hitaka, um cara que matou um ex-coronel do exército japonês, detalhou o motivo pelo qual os homens confessaram os crimes quando foram presos. "Depois do assassinato, eu joguei a arma fora. Na delegacia, o delegado não acreditava que a gente estava confessando. Do ponto de vista dos brasileiros, nós éramos um bando de idiotas. Mas nós acreditávamos que estávamos fazendo nosso dever pela pátria. Nós assumimos o que fizemos, como verdadeiros japoneses", disse ele em um documentário.

Os dois homens que mataram o pai de Aiko também foram presos.

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Via   BBC  
Mateus Graff
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