As nossas ações, desde mais novos, dependem diretamente das experiências que cultivamos. Qualquer psicólogo pode lhe dizer com certa autonomia que o desenvolvimento humano é um subproduto da infância que tivemos. Embora a maioria de nós possa refrear nossas experiências de infância, mesmo traumáticas, existem aqueles que não têm tanta sorte assim. Vamos adentrar ao exemplo vívido de Ted Bundy para entendermos melhor esses contextos caóticos. Durante toda a sua infância, ele não sabia que sua irmã era, na verdade, a sua mãe. Seu avô materno, que a princípio o criou, era racista, misógino e totalmente abusivo. Bundy passou sua adolescência afastado de tudo o que conheceu quando criança, criado por um padrasto com o qual não sentia nenhuma conexão. A loucura de Ted Bundy corresponde diretamente à bagagem pesada o suficiente para se carregar?

Em 24 de novembro de 1946, uma menina de 22 anos deu à luz em um centro para mães solteiras em Burlington, Vermont. O nome dela era Eleanor Louise Cowell. Ela não tinha ideia de que a criança que acabara de dar à luz um dia se tornaria um monstro infame e torpe.

Contexto delicado e o início da loucura de Ted Bundy

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A questão da paternidade de Bundy seria debatida durante a maior parte de sua vida. Segundo alguns relatos, sua certidão de nascimento dizia "desconhecido" no lugar do nome do pai. Também se diz que Bundy era o resultado da relação abusiva entre seu próprio avô e sua mãe. De acordo com Anne Rule em seu livro The Stranger Beside Me, Samuel Cowell pode ter estuprado sua filha, Louise Cowell. No entanto, isso nunca foi confirmado por evidências de DNA.

Pelo menos nos primeiros três anos de sua vida, Ted Bundy cresceria acreditando que sua mãe era sua irmã e seus avós eram sua mãe e pai. O psiquiatra Dr. Dorothy Otnow Lewis examinou-o durante seu julgamento. Por sua vez, chegou a afirmar que havia sinais na sua infância que apontavam para a subsequente vida adulta psicótica. De acordo com relatos obtidos de um primo de Bundy, muitas vezes, o jovem problemático se esgueirava para a estufa onde seu avô mantinha sua coleção pornográfica.

Mais tarde, Bundy admitiria que era a pornografia que alimentava suas fantasias violentas. A tia materna de Bundy, Julia, também revelou que acordou várias vezes naqueles primeiros anos. Em algumas vezes, encontrava o jovem Bundy enfiando facas de açougueiro debaixo dos lençóis e dando risadinhas. A loucura de Ted Bundy é mais complexa do que poderíamos imaginar.

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Adolescência extremamente problemática

A infância de Ted Bundy pode ter sido cheia de problemas. Entretanto, foi durante a adolescência que seus verdadeiros desvios começaram a aparecer. Ele foi pego, ao fim de sua adolescência, espiando pelas janelas e roubando lojas. Na mesma época, se apaixonou por uma jovem que o fez se sentir "desprezado".

Para conseguir sua vingança, Bundy se envolveu em uma campanha política para se tornar o vice-governador do estado de Washington. Infelizmente (ou felizmente), a empreitada acabou não dando certo. Nos calcanhares de sua carreira política fracassada, ele tentou mais uma vez se redimir. Como? Almejou concluir a graduação em Direito na Universidade Temple de Filadélfia. Porém, acabou desistindo antes de receber seu diploma.

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Em algum momento de sua adolescência precoce ou tardia, Bundy descobriu sobre seu parentesco quando encontrara sua certidão de nascimento. Talvez esse tenha sido o ponto fulcral para a loucura de Ted Bundy. O fato de nunca ser capaz de se vingar de seu primeiro amor, além da raiva por sua infância "apagada", pode ter fomentado seus crimes. De 1973 a 1978, acredita-se que Bundy tenha estuprado, torturado e matado 30 mulheres. Crimes esses em que ele abertamente confessou e pelos quais foi condenado à morte em janeiro de 1989.

Qualquer que seja a teoria sobre a sua infância, Ted Bundy era de fato um dos piores criminosos que o país já havia visto. Isso nós sabemos. No entanto, quanto de suas ações poderiam ser atribuídas ao seu passado? Mesmo que pudéssemos saber como a infância de Ted Bundy instigou seus crimes, existe alguma maneira de justificar o que fez?

Publicado em: 01/07/19 15h59