
Imagine uma cidade submersa, do tamanho de Manhattan, escondida nas profundezas do oceano Pacífico. Agora, respire: acabamos de encontrar uma estrutura dessas, o recém-descoberto sistema hidrotermal Kunlun, com 20 crateras gigantes, algumas com mais de um quilômetro de diâmetro.
Localizado cerca de 80 km a oeste da Fossa de Mussau, no Pacífico, o sistema Kunlun tem impressionantes 11,1 km², ou seja, mais de 100 vezes maior que a conhecida Lost City, no Atlântico. Essa descoberta desafia ideias antigas sobre onde e como nascem sistemas ricos em hidrogênio nas profundezas do mar.
O sistema se destaca pela emissão absurdamente alta de hidrogênio, elemento-chave para formar moléculas orgânicas e potencial gerador de vida em cenários afastados da luz solar. Os cientistas viram shrimp, tubeworms e anêmonas criando ecossistemas inteiros ao redor das crateras, movidos por quimiossíntese.
Isso traz à tona ambientes submarinos que, ao contrário do que se imaginava, não se restringem às dorsais oceânicas. Amplia o mapa onde podemos buscar pistas sobre o surgimento da vida e, talvez, até formas de vida alienígenas. É um laboratório natural: grande, estável, remoto e cheio de hidrogênio, ingredientes perfeitos para estudar a evolução primitiva.
O sistema Kunlun aparece como um quebra-cabeça simultaneamente geológico e biológico. Quem sabe o que mais está escondido nas sombras do nosso planeta? Essa “cidade térmica” promete transformar nossa visão da origem da vida e de mundos como o nosso.
Fonte: Popular Mechanics





