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Graças a olho biônico, homem cego enxerga sua esposa pela primeira vez em uma década

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Imagine a sensação de passar anos com deficiência visual e, graças ao avanço da ciência, conseguir enxergar novamente. Allen Zderad teve a oportunidade de sentir isso. O homem perdeu sua visão completamente e, com um olho biônico, voltou a ver sua esposa depois de uma década.

Allen adquiriu uma doença degenerativa chamada retinite pigmentosa, que afeta a retina dos olhos e não possui tratamento eficaz e nem cura. Então, aos 68 anos de idade, ele já estava completamente cego, conseguindo enxergar apenas luzes fortes.

Portanto, Allen não vê o rosto de sua esposa, Carmen, há dez anos. Nem o rosto dela e nem o de seus dez netos. Ele consegue se lembrar apenas do rosto do mais velho e nem chegou a conhecer os mais novos. Um deles, que estava com a mesma doença, em estágio inicial, foi a uma consulta médica com Raymond Iezzi Jr., pesquisador e oftalmologista.

Assim, o médico disse: “Diga ao seu avô que eu gostaria de vê-lo”. Isso porque Allen era o paciente ideal para o primeiro ensaio clínico do olho biônico em Minnesota, nos Estados Unidos.

Olho biônico

allen olho biônico

Reprodução

O sistema de prótese de retina conhecido como “Second Site Argus II” permite que os cegos enxerguem formas humanas e reflexos de luz. Desse modo, Allen foi a 15ª pessoa a receber o óculos nos Estados Unidos. Ao participar do ensaio clínico, a primeira indicação de que o olho biônico funcionava era que Allen pulou de emoção e abraçou sua esposa.

Ele agarrou-a em seus braços, sorriu e depois caiu aos prantos. Ele não consegue ver todos os detalhes dos rostos ou imagens, mas Allen andou por uma sala cheia de pessoas e foi capaz de encontrar quem era sua esposa. “Como a encontrou?” perguntaram ao paciente emocionado. “É fácil, ela é a mais bonita na sala“, respondeu.

Futuro da tecnologia

Quase 40 milhões de pessoas sofrem de cegueira em todo o mundo e 135 milhões são afetadas por baixa visão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Um olho saudável recebe luz pela pupila e uma lente focaliza essa luz na parte de trás do olho, onde há uma camada de tecido sensível chamada retina.

Então, células chamadas fotorreceptores transformam a luz em sinais elétricos que viajam pelo nervo óptico até o cérebro, que interpreta as imagens. Sendo assim, problemas acontecem quando esse sistema é interrompido, muitas vezes por doenças degenerativas que danificam parte da retina.

Nesse contexto, em 2009, cirurgiões do hospital de Manchester e Moorfields, no Reino Unido, realizaram o primeiro teste do mundo dos olhos biônicos, Argus II, para pacientes com retinite pigmentosa. Eles implantaram os dispositivos em dez pacientes com perda de visão. O Argus II ajudou os pacientes a reconhecer formas e padrões e, em 2013, a Food and Drug Administration dos EUA aprovou legalmente o uso do dispositivo.

Avanços

A tecnologia dos olhos biônicos continuou se desenvolvendo e, em 2021, pesquisadores da Keck School of Medicine da USC criaram um modelo de computador avançado para imitar a retina humana, segundo a Association for Computing Machinery (ACM). Isso significa que replicaram as formas e posições de milhões de células nervosas, podendo ajudar a trazer visão de cores e maior nitidez aos olhos biônicos.

Além disso, cientistas da Universidade de Sydney e da UNSW realizaram recentemente testes bem-sucedidos do olho biônico Phoenix99 em ovelhas, para determinar como o corpo se cura quando é implantado com o dispositivo. Segundo os pesquisadores, não houve reações inesperadas e esperam que possam permanecer com segurança no organismo por muitos anos.

Agora, o trabalho é para conseguir chegar ao ponto de testar a tecnologia em humanos. No entanto, um dos principais problemas atualmente é que a tecnologia pode ser relativamente grande. Então, a corrida é para encontrar novas maneiras de alimentar e miniaturizar os olhos biônicos.

Fonte: Universo Racionalista, Hypeness

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