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Grupo de direitos civis rouba monumento confederado

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Um antigo monumento, que estava presente desde 1893, em um antigo cemitério da cidade de Selma, Alabama, nos Estados Unidos, desapareceu recentemente. O artefato que, basicamente, é uma cadeira de pedra, foi feito para presentear Jefferson Davis, ex-presidente de uma Associação Histórica Confederada.

De acordo com uma reportagem publicada pelo portal de notícias All That is Interesting, a cadeira de pedra, que mede cerca de um metro, foi retirada do local na madrugada do dia 19 de março, durante a 44ª Peregrinação anual do município. A peregrinação, conforme expôs a reportagem do portal, é um festival que celebra a arquitetura pré-guerra de Selma. O evento, que acontece anualmente, é liderado por mulheres brancas.

O monumento perdido

Segundo as informações que foram disponibilizadas pelo portal All That is Interesting, o responsável pelo desaparecimento do monumento é um grupo de ação anti-racista. Conhecido como White Lies Matter, o grupo assumiu a responsabilidade pelo sumiço do da cadeira de pedra por meio de um de um e-mail, o qual foi enviado às Filhas Unidas da Confederação (UDC), uma associação histórica dedicada a homenagear soldados confederados.

O White Lies Matter, além de assumir a responsabilidade do ato, também ameaçou a transformar a cadeira de pedra em um banheiro, a menos que o UDC concorde em pendurar no local do monumento uma faixa que o grupo produziu. A faixa em questão tem que estar presente no cemitério, a partir das 13 horas do dia 9 de abril e deve permanecer por 24 horas.

A data estipulada pelo grupo marca o 156º aniversário do evento em que o general confederado Robert E. Lee se rendeu à União, em Appomattox, Virgínia, encerrando, assim, a Guerra Civil Americana, um marco para fim da escravidão nos estados do sul. “Caso contrário, o monumento será imediatamente transformado em um banheiro”, escreveu o grupo White Lies Matter no e-mail. “Se vocês exibirem o banner, não apenas devolveremos a cadeira intacta, como também a limparemos”.

A faixa em questão foi enviada ao UDC junto com um panfleto, o qual reitera as demandas do grupo. O documento, conforme expôs o portal All That is Interesting, foi estilizado para parecer vintage, similar aos velhos posters de “Procurado”, famosos durante a era do Velho Oeste.

O Banner carrega uma famosa citação da revolucionária negra Assata Shakur: “Os governantes deste país sempre consideraram suas propriedades mais importantes do que nossas vidas”.

Panorama

Shakur foi uma das integrantes do Exército de Libertação Negra, composto por membros do Partido dos Panteras Negras e da República da Nova Afrika. Enquanto atuou junto ao grupo, a revolucionária pediu a libertação de todos os negros americanos. Shakur, em meio a sua luta, acabou sendo condenada, em 1977, por assassinato, após atirar em um policial em Nova Jersey. A revolucionária escapou da prisão em 1979. Atualmente, vive livremente em Cuba, onde recebeu asilo político.

“Para o grupo anti-racista, as lutas de Shakur e as lutas dos negros americanos contra o racismo sistêmico estão perfeitamente encapsuladas em monumentos como a cadeira de pedra feita para presentear Jefferson Davis”, revela o portal All That is Interesting.

“A cadeira de pedra, bem como a maioria dos monumentos confederados, servem para lembrar aqueles que ganharam a liberdade à base do sangue, comportamento este que ainda existe em uma parte de nosso país, onde cidadãos estão mais do que dispostas a continuar derramando sangue para evitar quitar uma dívida”, pontuou o grupo White Lies Matter no e-mail.

A cadeira de pedra, avaliada em cerca de US$ 500.000, foi originalmente apresentada à cidade pelas Damas de Selma como uma forma representativa de resistência da supremacia branca.

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