Há mais de 100 anos Brasil não tem presidente negro. Saiba quem foi o único da história

No dia 15 de novembro de 1889, nosso país deixou de ter um monarca e passou a ser governado por um presidente da república. Desde então, tivemos quarenta e três homens e uma mulher ocupando esse cargo. Dentre todos eles, existiu somente um presidente negro no Brasil.

Isso aconteceu quando Afonso Pena, sexto presidente da República do Brasil em exercício, morreu no dia 14 de junho de 1909. Ele faleceu por conta de uma forte pneumonia e estava no seu terceiro mandato. Por conta disso, quem assumiu foi seu vice, o político e advogado Nilo Peçanha, se tornando o único presidente negro do Brasil.

Por mais que ele seja considerado o primeiro presidente negro da história brasileira, por causa das teorias racistas e a ideia de embranquecer a população do nosso país, a identidade racial dele foi um objeto de controvérsia.

Tanto que ele era descrito como “mulato” e sofreu várias e frequentes ofensas racistas em toda sua vida pública. Por exemplo, ele era atacado pela imprensa com charges e piadas racistas. Além disso, a elite o apelidou de “mestiço do Morro do Coco” referenciando a origem rural dele.

Presidente negro do Brasil

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Nilo Peçanha nasceu em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. Seu pai era um padeiro e sua mãe filha de agricultores. Ele teve uma infância pobre em um sítio junto com seus seis irmãos. Mesmo assim, Peçanha estudou direito na Faculdade do Largo São Francisco, em São Paulo. Contudo, ele terminou o curso na Faculdade do Recife.

Com relação à carreira política de Peçanha, ele estava trilhando de maneira sólida. Tanto que, em 189o, ele teve o reconhecimento por estar engajado nas lutas abolicionista e republicana ao ser eleito para a Assembleia Constituinte.

Até 1902 ele foi deputado e no ano seguinte virou presidente do Rio de Janeiro, que é um cargo equivalente a de um governador atualmente. Em 1906 foi eleito vice-presidente da República.

Sendo o primeiro presidente negro do Brasil, Peçanha trouxe o lema “paz e amor” como uma tentativa de apaziguar os ânimos da oposição.

Mesmo com uma passagem curta pelo cargo, Peçanha conseguiu deixar duas importantes marcas. Ele criou o Serviço de Proteção aos Índios, órgão que veio antes da atual Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Além disso, foi ele também quem fundou a Escola de Aprendizes Artífices, primeira instituição de ensino técnico do Brasil e sem ter ligação com os militares.

Depois do fim do mandato, ele se elegeu senador, foi eleito de novo como presidente do estado do Rio de Janeiro e também foi ministro das relações exteriores.

Em 1921, Peçanha se candidatou à presidência pelo movimento Reação Republicana, que era oposição ao revezamento das oligarquias paulista e mineira no poder. Contudo, ele não ganhou essa disputa. E em 1924 ele faleceu, quando estava no cargo de senador.

Fonte: UOL

Imagens: UOL

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