História

Hedy Lamarr, a atriz de Hollywood que deu início ao Wi-Fi

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Na atualidade, é difícil encontrar um ambiente que não tenha nenhum acesso a internet. Esse serviço se tornou essencial para diversas relações, como as profissionais, comerciais e até mesmo pessoais. Mas, tão importante quanto a existência da internet é a presença do Wi-Fi em locais como residências, clínicas médicas, escritórios e até em ônibus, já que é ele o responsável por distribuir a internet em diversos aparelhos, de diferentes pessoas, sem que esses aparelhos precisem estar conectados a fios.

Apesar de grande parte das nações mundiais ter acesso praticamente ilimitado às redes Wi-Fi, poucas pessoas conhecem a história dessa tecnologia. A criação do Wi-Fi teve como base a época da Segunda Guerra Mundial, quando uma atriz de Hollywood (que também era inventora) criou um sistema de comunicações para as Forças Armadas dos Estados Unidos, que serviu como base para a invenção do Wi-Fi e também para a atual telefonia celular.

A grande responsável pelo feito é Hedy Lamarr, atriz e inventora austríaca, nascida em 1914. Lamarr ficou famosa no cinema por ter protagonizado a primeira cena de orgasmo em produções cinematográficas, além de ter deixado sua marca no universo da ciência e da tecnologia com suas invenções à frente de seu tempo.

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A trajetória artística de Hedy Lamarr

Nascida em Viena, Hedy Lamarr era filha de pais judeus. A família fazia parte da classe média da sociedade atual: a mãe era pianista e o pai, diretor bancário. Lamarr estudou piano até os dez anos de idade e, mais tarde, foi considerada pelo diretor Max Reinhardt “a mais bela mulher da Europa”. Ainda adolescente, a jovem atriz interpretou diversos papéis em filmes alemães, contracenando com atores famosos da época.

A fama de Hedy Lamarr teve um salto a partir do filme “Êxtase”, uma produção tcheca de 1933 filmada em Praga. No filme, a atriz aparecia nua correndo entre folhagens e mergulhando em um lago, além de ter simulado um ato sexual, finalizado em orgasmo. Essa era uma cena que o cinema nunca tinha retratado até então. Contudo, seu marido (que era milionário), acabou gastando uma verdadeira fortuna na tentativa de comprar todas as cópias do filme. A intenção era destruir os registros das cenas de orgasmo de Hedy Lamarr.

Hedy Lamarr

AP Photo

Depois desse episódio, a atriz se separou e, ainda em 1933, se casou novamente. Em sua autobiografia, intitulada “Esctasy and Me”, Lamarr contou que seu segundo marido tentava mantê-la trancada em sua mansão. Nessa época, a atriz tinha que acompanhar o esposo em diversos jantares com a elite nazista, com a qual o marido tinha relações profissionais.

Em 1937, Hedy conseguiu fugir do país com suas valiosas jóias, abandonando o casamento controlador. Já em 1938, a atriz estreou em Hollywood e, entre seus diversos filmes, atuou ao lado de grandes nomes, como Lana Turner e Judy Garland.

Alguns anos depois, em 1953, a atriz foi naturalizada norte-americana. Na América do Norte, Lamarr casou-se outras cinco vezes, tendo se relacionado com profissionais do cinema, como empresários, atores, roteiristas e produtores.

O lado inventor de Lamarr

Durante a Segunda Guerra, Hedy Lamarr criou junto com o compositor e também inventor George Antheil um sofisticado aparelho de interferência em rádio para despistar radares nazistas. A patente do aparelho foi feita em 1940. A ideia surgiu quando os dois estavam conversando pelo rádio e perceberam que, se o emissor e o receptor mudassem constantemente de frequência, somente os dois poderiam se comunicar sem medo de serem interceptados pelo inimigo.

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O músico e a atriz se conheceram em 1940, quando se tornaram vizinhos em Hollywood. Foi aí que Lamarr procurou Antheil em busca de conselhos sobre como aumentar seus seios e a amizade entre eles surgiu. Assim como Hedy Lamarr, o músico também rejeitava os ideais nazistas. Quando Hitler proibiu a música moderna por considerar o estilo “uma aberração judaica”, Antheil ficou sem emprego na Europa e se refugiou na América.

Apenas dois anos após o músico e a atriz se conhecerem, a dupla submeteu, em 1942, seu método de alternância de frequências (“frequence hopping”) ao Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Inicialmente, o projeto foi recusado porque a ideia de trocar as 88 frequências a fim de despistar radares pareceu complicada e difícil demais para ser realizada na época.

O projeto ficou inutilizado até 1962, quando o aparelho passou a ser usado por tropas militares dos Estados Unidos em Cuba, quando a patente já havia expirado. Mesmo assim, a invenção da atriz permaneceu desconhecida até 1997, quando a Electronic Frontier Foundation premiou Hedy Lamarr por sua contribuição.

Contraditorium

No ano seguinte, a Ottawwa Wireless Technology adquiriu 49% da patente de Lamarr. A ideia do aparelho de frequência criado por ela serviu de base para o desenvolvimento da moderna tecnologia de comunicação, como a conexão Wi-Fi.

Apesar disso, Hedy Lamarr não ganhou nenhuma quantia monetária com sua enorme contribuição para a tecnologia. Em 1997, ela recebeu do Governo dos Estados Unidos uma menção honrosa “por abrir novos caminhos nas fronteiras da eletrônica”.

A atriz parou de trabalhar para o cinema entre o final dos anos 1950 e o começo da década de 1960. Em 1966, o renomado cineasta Andy Warhol criou o curta-metragem “Hedy” sobre a vida da atriz, no mesmo ano em que ela lançou sua autobiografia. Em seus últimos anos de vida, Lamarr viveu reclusa em sua casa em Orlando, onde morreu em 19 de janeiro do ano 2000, aos 86 anos.

Fonte: Canal Tech

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