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Ilhas Marshall, o lugar 10 vezes mais radioativo que Chernobyl

POR Bruno Destéfano    EM Ciência e Tecnologia      18/07/19 às 14h09

Algumas das Ilhas Marshall no Oceano Pacífico ainda são mais radioativas que Chernobyl e Fukushima, segundo novo estudo. Ao testar o solo, os pesquisadores descobriram que algumas das ilhas tinham níveis entre 10 e 1.000 vezes maiores do que aqueles registrados em Fukushima. Além disso, são 10 vezes superiores em relação aos níveis da zona de exclusão de Chernobyl. A equipe levou apenas um número limitado de amostras de solo. Ou seja, uma pesquisa mais abrangente é necessária. Independentemente disso, eles ficaram surpresos com a descoberta. Afinal, nem os governos nacionais e nem as organizações internacionais têm "qualquer orientação adicional sobre os níveis de plutônio permissíveis no solo".

Depois de lançar bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, os Estados Unidos decidiram testar mais armas radioativas. Alguns desses testes ocorreram nas Ilhas Marshall, uma cadeia de ilhas entre o Havaí e as Filipinas. Na época, a região era um distrito do Território da Confiança das Ilhas do Pacífico. Além disso, também era administrada pelos EUA em nome das Nações Unidas.

As duas primeiras bombas, chamadas Able e Baker, foram testadas no Atol de Bikini, em 1946. Essas ações foram o pontapé para um período de 12 anos de testes nucleares. No total, 67 armas nucleares foram experienciadas. O primeiro teste da bomba de hidrogênio, com o codinome Ivy Mike, foi testado na Enewetak, em 1951.

Além de contaminar os atóis Bikini e Enewetak, a precipitação nuclear dos testes também provocou chuvas radioativas. O fenômeno deixou doentes que vivem nos atóis de Rongelap e Utirik (também parte das Ilhas Marshall).

Em 2016, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, publicou um estudo na revista Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS) sobre o assunto. Fora descoberto que os níveis de radiação eram mais altos do que o relatado anteriormente. Por isso, decidiram fazer estudos mais aprofundados sobre a radioatividade nas ilhas.

Novos estudos

Essa mesma equipe escreveu três novos estudos que foram publicados recentemente na revista PNAS. A pesquisa constitui-se na análise em quatro dos atóis nas ilhas do norte de Marshall: Bikini, Enewetak, Rongelap e Utirik. Os níveis nas ilhas Bikini e Naen eram tão altos que ultrapassaram o limite máximo de exposição com o qual os Estados Unidos e a República das Ilhas Marshall concordaram na década de 1990.

Também descobriram que as ilhas de Runit e Enjebi no Enewetak, bem como nas ilhas Bikini e Naen, tinham altas concentrações de certos isótopos radioativos no solo. Essas quatro ilhas tinham níveis de plutônio radioativo mais altos do que os encontrados em Fukushima e Chernobyl, de acordo com os pesquisadores.

"O surpreendente foi o quão alta a radiação gama externa ocorre em Naen, que é a ilha externa do Atol de Rongelap", disse Nikolic-Hughes à Live Science. Em seu segundo estudo, os pesquisadores trabalharam com mergulhadores profissionais, que coletaram 130 amostras de solo da Cratera Castle Bravo. O nível de alguns dos isótopos possui magnitude maior do que os que forma encontrados em outras ilhas Marshall.

Avaliação de impacto

Essas descobertas são importantes para medir a contaminação radioativa do sedimento da cratera. E isso é um "primeiro passo para avaliar o impacto geral dos testes de armas nucleares nos ecossistemas oceânicos", escreveram os pesquisadores no estudo. No terceiro estudo, testaram mais de 200 frutas - a maioria cocos e pandanus - ao norte das Ilhas Marshall.

Os níveis de césio-137 não pareciam bons para uma grande parte dos frutos dos atóis Bikini e Rongelap. Até porque tinham níveis de radioatividade superiores aos considerados seguros por vários países e organizações internacionais.

Segundo os estudiosos, é necessário mais trabalho para educar as pessoas que vivem nas Ilhas Marshall sobre esses perigos. Além disso, essas descobertas e pesquisas futuras podem esclarecer se é seguro reassentar ou coletar alimentos em algumas dessas ilhas.

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Bruno Destéfano
Escritor, fotógrafo e jornalista // Deixe que o conhecimento te revolucione de dentro para fora.
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