Imagens impressionantes da desigualdade do Brasil vista de cima
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Imagens impressionantes da desigualdade do Brasil vista de cima

Não é nenhum segredo que a desigualdade social é um problema presente em todo o mundo. A pobreza existe em todos os países, sejam eles desenvolvidos ou não. E, às vezes, quanto mais rico um lugar é, podemos ver com mais facilidade essa desigualdade.

Muitas vezes, podemos saber da existência da desigualdade social,  mas não ter uma noção real do contraste entre a vida de diferentes populações por não sairmos de nossas bolhas. E talvez, por estarmos olhando sempre do mesmo nível.

Em 2016, o fotógrafo americano Johnny Miller fez um registro na Cidade do Cabo, na África do Sul. Sua foto viralizou nas redes sociais e teve um grande destaque na imprensa.

A foto foi tirada usando um drone. E ela mostrava o contraste impressionante entre a vizinhança rica e branca de Lake Michelle, e a comunidade pobre e negra de Masiphumelele.

Com toda atenção que a foto teve, Miller criou um projeto chamado “Unequal Scenes”. Com esse projeto ele já viajou para oito países. E neles, ele mostra, do alto, como a desigualdade de renda se expressa na arquitetura e na organização urbana das cidade.

Projeto

O fotógrafo está no Brasil desde o fim de outubro, e sem uma data para voltar. Em nosso país ele já fotografou imagens chocantes da desigualdade no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Miller quer levar o seu projeto também a Salvador.

“O Brasil, infelizmente, não está no caminho certo. De maneira geral, as soluções para acabar com a desigualdade envolvem taxar mais os ricos e usar esse dinheiro para redistribuir aos mais pobres. Focar em medidas como bolsas sociais, transporte público e sistemas de saúde. Nos últimos quatro anos, ou dois anos, o governo do seu país parece estar se desviando desse caminho”, disse Miller.

O fotógrafo e ativista está com 39 anos e já tem muita experiência. Ele já passou pela África do Sul, Namíbia, Tanzânia, Quênia, Índia, México, Estados Unidos e agora pelo Brasil. Em todos os países tira fotos para o  seu projeto. E ele já recebeu vários prêmios e bolsas de financiamento.

Além das fotos, Miller também trabalha com a ONU Habitat, que é um programa das Nações Unidas para os assentamentos humanos. Esse programa é voltado para diminuir as desigualdades espaciais e a pobreza através de iniciativas de regeneração urbana.

Desigualdade

De acordo com Miller, escolher a desigualdade como tema central do seu projeto foi por conta de uma avaliação para ver de que forma as sociedades atuais são organizadas. E ver que essa forma não é sustentável.

“Eu acredito, e muitas pessoas acreditam o mesmo. Que da forma como nossas sociedades são organizadas, o status quo não é sustentável. Não é saudável, não é tão próspero quanto poderia ser, não é tão seguro quanto poderia ser”, disse.

“As pessoas me perguntam: ‘Então você acha que todo mundo deve ser totalmente igual?’ Não, eu não acredito nisso. Não sou algum tipo de comunista soviético. Mas o que eu acredito é que a proporção entre riqueza e pobreza atualmente está totalmente desequilibrada e além do razoável. Num país como o Brasil, algumas pessoas muito ricas detêm mais de 50% da riqueza. O mesmo acontece na África do Sul e, nos EUA, e isso está piorando. Acredito que isso é um problema e que a mudança climática e a desigualdade serão os maiores desafios do século 21”, ressaltou.

Discussão

Além do mais Miller deixa claro que seu objetivo com seu projeto não é apontar soluções para o problema. Mas sim fazer com que ele seja cada vez mais visto e aumentar a discussão sobre o tema.

“Prefiro que você não me pergunte qual é a minha solução para a desigualdade, porque, honestamente, há pessoas muito mais inteligentes do que eu trabalhando para resolver a questão e a resposta não será muito sexy. Será uma combinação de reforma tributária e redistribuição de renda através de instrumentos financeiros e patrimoniais”, explicou.

“O que eu posso fazer é comunicar o tema de uma maneira que faça as pessoas entenderem que se trata de um problema. O que estou tentando fazer com esse projeto é provocar uma discussão sobre desigualdade, mas também sobre como a arquitetura é usada para separar as pessoas”, concluiu.