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James Webb descobre ‘objetos misteriosos’ na Nebulosa de Órion; veja

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O telescópio James Webb é o observatório espacial mais poderoso já construído. Seu lançamento foi muito aguardado e desde que finalmente começou sua missão, ele vem fazendo imagens impressionantes e que intrigam os cientistas.

Por exemplo, uma observação recente que ele fez foi o registro de objetos que são consideravelmente pequenos no aglomerado do Trapézio. De acordo com as informações, eles são corpos celestes do tamanho de Júpiter que flutuam no espaço sem nenhuma conexão com nenhuma estrela.

Segundo os especialistas, essa descoberta feita pelo telescópio pode mudar algumas teorias a respeito de planetas e estrelas. Ao todo foram observados aproximadamente 40 pares bem pequenos na Nebulosa de Órion (M42). Esses corpos foram chamados de Jupiter Mass Binary Objects (JuMBOs).

Observação do telescópio

Tecmundo

Como esses corpos não são ligados a órbitas de nenhuma estrela e alguns deles são em pares, até o momento os cientistas não conseguiram explicar como exatamente eles “funcionam”. No entanto, eles já estão estudando possibilidades.

Dentre elas, uma possível é de que esses corpos celestes tenham crescido em um local onde eles não conseguiram se formar como estrelas completas. Ou então, eles podem ter se desenvolvido bem perto das estrelas e acabaram sendo ejetados por causa de diferentes interações espaciais.

Até o momento, os cientistas acreditam que é mais provável que a segunda hipótese seja verdade. Ou seja, esse corpos acabaram sendo expulsos depois de um ou mais eventos cósmicos.

“A hipótese da ejeção é a preferida no momento. A física dos gases sugere que você não deveria ser capaz de criar objetos com a massa de Júpiter por conta própria, e sabemos que planetas individuais podem ser expulsos de sistemas estelares. Mas como você expulsa pares dessas coisas juntas? Neste momento, não temos uma resposta. É uma questão para os teóricos”, disse o consultor científico da Agência Espacial Europeia (ESA) e professor Mark McCaughrean.

Nebulosa de Órion

Tecmundo

As observações feitas pelo telescópio da Nebulosa de Órion revelaram mais do que os objetos binários. Um outro mistério visto está intrigando os cientistas. Isso aconteceu quando eles observaram o filtro F115W, que é responsável por coletar dados de luz nas ondas de 1,16 mícron. Com isso, eles viram sombras circulares misteriosas em volta das estrelas. O que mais os intrigou foi que essa sombra não foi vista em nenhuma outra frequência de luz, somente nesse filtro.

Uma das possibilidades para isso é que seja uma poeira cósmica. No entanto, não faz sentido ela desaparecer em todos os outros filtros. Uma outra hipótese é que ela seja a presença do hélio, sendo mais específico, o hélio neutro.

“Quando eu estava olhando em volta, comecei a ver todas aquelas sombras escuras ao redor das coisas. E isso está nos números mais tarde. E está só nesse filtro, exclusivamente nesse filtro. Essas sombras não existem em nenhum outro comprimento de onda com o telescópio Hubble ou com o JWST”, disse o Dr. Mark McCaughrean, Conselheiro Sênior de Ciência e Exploração da Agência Espacial Europeia.

Segundo McCaughrean, alguns estudiosos acreditam que essa descoberta feita pelo telescópio é muito mais interessante do que os JuMBOs.

Mais descobertas

Canaltech

Além dessas descobertas, o telescópio também mostrou mais coisas aos pesquisadores, como por exemplo esse exoplaneta K2-18 b, que está a 120 anos-luz do nosso planeta e tem moléculas com carbono em sua estrutura diferente. Essa descoberta foi possível por conta dos dados capturados pelo telescópio e dá ainda mais embasamento para a possibilidade do planeta ter uma atmosfera potencialmente rica em hidrogênio e uma superfície coberta por um oceano de água líquida.

As primeiras descobertas sobre esse planeta e suas propriedades atmosféricas foram possíveis graças ao telescópio Hubble. Contudo, ainda não foram totalmente compreendidas pelos astrônomos as características atmosféricas do K2-18 b por conta do tamanho dele. Isso porque ele tem proporções que fazem-no ficar entre o tamanho da Terra e de Netuno.

Por conta disso, não existe nenhum planeta no nosso sistema solar que tenha um tamanho parecido. Além disso, não existem também muitos planetas análogos a ele, o que faz com que o K2-18 b, conhecido como subnetuno, seja pouco entendido, especialmente em sua atmosfera.

Nesse caso em específico, existe uma possibilidade de que a atmosfera dele seja do tipo Hycean, que é aquela que combina hidrogênio e oceano. Então, esse planeta maior que a Terra e menor que Netuno pode ser coberto por uma atmosfera de hidrogênio e ter oceanos de água líquida.

“Tradicionalmente, a busca por vida em exoplanetas foi focada primariamente em planetas rochosos menores, mas os Hycean maiores são significativamente mais condutores a observações atmosféricas”, disse Nikku Madhusudhan, autor principal do novo estudo.

Segundo os novos dados obtidos pelo telescópio, existe uma abundância de metano e dióxido de carbono. Também foi visto amônia, em uma quantidade baixa, o que é mais uma evidência para a hipótese de que o planeta tenha um oceano embaixo da sua atmosfera. No entanto, mesmo que esse oceano exista, o K2-18 b pode ser muito quente para que exista vida ou até mesmo a água em seu estado líquido.

Outro ponto que os dados do telescópio mostraram foi uma possível detecção da molécula sulfeto de dimetila (DMS). No nosso planeta, ela é produzida por conta de processos biológicos. Nesse ponto, é preciso mais dados para que sua ocorrência seja confirmada.

No momento, a equipe está planejando fazer novos estudos usando o instrumento Mid-InfraRed Instrument (MIRI), do James Webb, para conseguir uma validação do que eles já sabem a respeito do planeta, além de fazer novas descobertas.

Fonte: Tecmundo,  Canaltech

Imagens: Tecmundo,  Canaltech

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