Loira do banheiro: saiba a história real por trás da lenda urbana

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadessetembro 11, 2023

As lendas urbanas são uma parte inevitável de qualquer cultura, sejam elas um mistério não resolvido ou apenas uma história popular. Contam-se essas lendas em festas de amigos, conversas e até em acampamentos quando se quer passar medo nos outros. Elas vão passando de geração para geração.

Por mais que tenhamos evoluído em todos os sentidos e que algumas dessas lendas tenham se provado falsas, algumas delas sobrevivem ao tempo e se recusam a serem eliminadas. Quer você acredite ou não nelas, uma coisa é certa: ouvir as histórias pode fazer com que você comece a duvidar, nem que seja um pouco, do seu próprio ceticismo.

Uma das mais lembradas quando o assunto é lenda urbana é a famosa “loira do banheiro”. É quase impossível encontrar uma pessoa que nunca tenha ouvido falar dessa história, ou que não tenha ficado com medo de encontrá-la no banheiro da escola. No entanto, muitas pessoas podem não saber qual é a origem dessa lenda urbana.

Origem

Mistérios do mundo

Algumas lendas são versões distorcidas de uma história que pode ser real. Esse é o caso da loira do banheiro. Isso porque ela se baseou na história verdadeira de Maria Augusta de Oliveira, uma jovem de Guaratinguetá, em São Paulo.

A história da filha do Visconde de Guaratinguetá é cheia de rebeldia e determinação, o que a faz ser cativante e inspiradora. De acordo com a história, Maria Augusta foi obrigada a se casar aos 14 anos. E mesmo que na época esses casamentos arranjados e ainda na adolescência fossem “normais”, ela não era muito a favor dessa tradição.

Tanto é que Maria Augusta vendeu suas joias e fugiu para Paris quando tinha 18 anos. Ela ficou por lá até 1891. Até que sua vida terminou, de forma trágica, aos 26 anos.

Sabendo da morte dela, a família trouxe o corpo de volta para o Brasil e seu corpo foi colocado em uma urna de vidro na mansão da família. Mesmo que a princípio esse ato tenha sido de amor e pelo luto da filha, a mãe de Maria Augusta começou a ser assolada por vários pesadelos. Foi então que ela decidiu enterrar sua filha.

Lenda urbana

Mix FM

Em 1902, já algum tempo depois, a mansão que era da família acabou se tornando a escola estadual Conselheiro Rodrigues Alves. E como as lendas surgem, várias histórias começaram a surgir a respeito do espírito inquieto de Maria Augusta assombrando os banheiros da escola.

Contudo, conforme o tempo foi passando, a história de rebelião de Maria Augusta acabou perdendo espaço para servir como um desencorajamento para que os alunos faltassem às aulas. Tanto é que uma versão bem popular da lenda urbana é que a loira do banheiro era na verdade uma aluna que estava matando aula e morreu de forma trágica.

Medo

Eu sem fronteiras

As lendas urbanas podem tirar o sono de muitas pessoas. E parece que quando alguém ouve uma dessas histórias ou vê um filme de terror, uma coisa quase sempre acontece: ele acorda às três horas da manhã. Isso se chama “pensamento de arame farpado”. O nome vem porque a pessoa pode ficar presa nele.

Geralmente, esses pensamentos costumam ser angustiantes e punitivos. E felizmente eles parecem se esvanecer com a luz do dia. o que prova mais ainda que o pensamento das três da manhã é completamente irracional e improdutivo. Isso levantou uma pergunta: por que isso acontece? Então Greg Murray, pesquisador de psicologia com experiência em humor, sono e sistema circadiano, resolveu pesquisar sobre o assunto para responder essa pergunta.

Por volta das três ou quatro da manhã, em uma noite normal de sono, a neurobiologia das pessoas atinge o seu ponto de inflexão. Então, a temperatura corporal central começa a subir, o impulso de sono está diminuindo, a secreção de melatonina chegou ao seu pico e os níveis de cortisol estão aumentando conforme o corpo se prepara para acordar a pessoa para o novo dia.

Toda essa atividade acontece independentemente dos sinais do ambiente, como por exemplo a luz do amanhecer do dia. Isso porque há tempos a evolução decidiu que o nascer e o pôr do sol são importantes e devem ser previstos, para isso temos o sistema circadiano.

A realidade é que todas as noites as pessoas acordam várias vezes. E ter um sono mais leve é mais comum na segunda metade da noite. No entanto, quando o sono está indo bem, geralmente as pessoas não têm consciência dessas acordadas. Mas se existe um pouco de estresse, a chance de que o despertar aconteça é bem maior.

Não é à toa que a pandemia é um fator de estresse que perturba o sono, o que fez com que mais pessoas acordassem às três da manhã com uma frequência maior. Além disso, o estresse também afeta o sono na insônia, quando as pessoas ficam hiper vigilantes por estarem acordadas.

Essa preocupação de estar acordado quando deveria estar dormindo pode acabar fazendo com que a pessoa pule para uma vigília ansiosa sempre que ela passar por uma fase de sono leve.

“Como terapeuta cognitivo, às vezes brinco que a única coisa boa em acordar às três da manhã é que nos dá um exemplo vívido de catastrofização. Por volta dessa época do ciclo do sono, estamos em nosso ponto mais baixo, física e cognitivamente. Do ponto de vista da natureza, este é um momento de recuperação física e emocional, então é compreensível que nossos recursos internos estejam baixos. Sem nenhuma de nossas habilidades humanas e capital, somos deixados sozinhos no escuro com nossos pensamentos. Portanto, a mente está parcialmente certa quando conclui que os problemas que gerou são insolúveis. Até porque, às três da manhã, a maioria deles realmente é”, explicou Murray.

“A verdade é que nossa mente não está realmente procurando uma solução às três da manhã. Podemos pensar que estamos resolvendo problemas trabalhando mentalmente sobre os problemas a esta hora, mas isso não é realmente uma solução de problemas. É o gêmeo do mal da solução de problemas: a preocupação”, ressaltou.

Fonte: Mistérios do mundo, Science alert

Imagens: Mistérios do mundo, Mix FM, Eu sem fronteiras

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