A NASA anunciou, recentemente, uma nova missão de ciência planetária. Dessa vez, a Agência Espacial Americana pretende enviar um robô voador para a superfície da lua de Saturno, Titã. A missão faz parte do seu novo programa New Frontiers, chamado Dragonfly. O primeiro empreendimento do gênero, o quadcopter, é equipado com instrumentos capazes de identificar grandes moléculas orgânicas.

Se tudo correr como planejado, o Dragonfly deverá ser lançado rumo à Titã em 2026. Contudo, só chegará em seu destino em 2034. Titã é a única lua do nosso sistema solar que tem uma atmosfera, vista como um alvo importante na busca por vida alienígena. Depois dessa missão, o robô será usado para explorar vários outros locais a centenas de quilômetros de distância.

Titã já foi explorada anteriormente, durante a missão Cassini, que terminou em 2017. Os dados, fornecidos pela sonda Hyugens, sugeriam que a maior lua de Saturno tinha muito potencial para uma exploração mais aprofundada. "A ciência é convincente e a missão é ousada", disse Thomas Zurbuchen, administrador associado da NASA. "Estou convencido de que agora é a hora certa para fazer isso".

A missão

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O Dragonfly é um drone do tamanho do que é usado em Marte. O equipamento, de cerca de três metros de comprimento, é capaz de identificar moléculas orgânicas. O objetivo de usar o robô nessa ousada missão é que ele visite uma cratera de impacto. Acredita-se que ingredientes importantes se misturaram lá quando Titã foi atinginda no passado.

“É o primeiro drone que pode voar mais de 100 milhas pela atmosfera espessa de Titã”, disse o administrador da NASA, Jim Bridenstine, em um comunicado. “Titã é mais comparável à Terra primitiva. Os instrumentos da Dragonfly ajudarão a avaliar a química orgânica e as assinaturas químicas da vida passada ou presente. Vamos lançar Dragonfly para explorar as fronteiras do conhecimento humano para o benefício de toda a humanidade”.

Os cientistas pretendem explorar dunas de areia em Titã, para determinar se são feitas do mesmo material orgânico descoberto na atmosfera. O Dragonfly também explorará a atmosfera, e as propriedades da superfície e profundezas do oceano líquido de Titã.

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“Titã tem os principais ingredientes para a vida”, afirma Lori Glaze, diretor da Divisão de Ciências Planetárias da NASA. “Tem moléculas orgânicas complexas e a energia necessária para a vida. Teremos a oportunidade de observar processos semelhantes ao que aconteceu na Terra primitiva, quando a vida se formou e potencialmente condicionou a vida atual. Podemos procurar por bioassinaturas”.

Titã

Titã é um objeto único no nosso sistema solar, sendo maior do que a nossa própria lua e o planeta Mercúrio. É a única lua com nuvens e uma densa atmosfera de nitrogênio e metano. Isso explica a sua aparência alaranjada difusa. No entanto, a lua de Saturno não é bem conhecida como um lugar hospitaleiro.

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A superfície de Titã apresenta uma pressão atmosférica 60% maior do que a da Terra. Ou seja, ela exerce um tipo de pressão muito mais forte do que se imagina ser suportável. Além do que, a sua superfície tem uma temperatura extremamente fria de menos 290 graus Fahrenheit (cerca de -178 graus Celsius).

Sendo assim, se Titã tem potencial para a vida, ela seria bastante diferente do tipo de vida que há no nosso planeta. Em contrapartida, a atmosfera de Titã não é assim tão diferente da atmosfera terrestre primordial, e como sabemos, a vida encontrou formas de existir aqui.

Pode ser que, se existir mesmo vida lá, ela não seja como a vida alienígena que vemos na ficção científica. Em 2017, cientistas confirmaram a presença de algo que pode levar a achar vida em Titã, de acordo com um estudo publicado na revista Science Advances. Essa nova missão tem o intuito de responder todas as perguntas e dúvidas sobre a lua de Saturno.

Publicado em: 03/07/19 15h28