Selfie (a esq) levou Carlos Magdalena a descobrir numa espécie de lírio d'água — Foto: Instagram: Carlos Magdalena/ Reprodução

Selfie no Instagram levou à descoberta de nova espécie gigante de vitória-régia que pode estar ameaçada de extinção

A descoberta de uma nova espécie de vitória-régia começou com uma publicação aparentemente comum no Instagram, mas acabou levando pesquisadores a identificar uma planta aquática gigante até então desconhecida pela ciência. Batizada de Victoria colombiana, a espécie foi encontrada na região do rio Inírida, na Colômbia, e pode ter apenas entre 30 e 50 exemplares vivendo na natureza.

Selfie (a esq) levou Carlos Magdalena a descobrir numa espécie de lírio d'água — Foto: Instagram: Carlos Magdalena/ Reprodução

Selfie (a esq) levou Carlos Magdalena a descobrir numa espécie de lírio d’água — Foto: Instagram: Carlos Magdalena/ Reprodução

O caso começou em 2021, quando o americano Jeremiah Harris publicou uma selfie durante uma viagem pela região. Na fotografia, ele aparecia próximo às enormes folhas flutuantes e acreditava estar diante de uma espécie já conhecida. Entretanto, a imagem chamou a atenção de um especialista em plantas aquáticas, que percebeu um detalhe geográfico inesperado.

A partir dessa pista, começou uma investigação que envolveu imagens de satélite, pesquisadores colombianos e integrantes de comunidades indígenas. Anos depois, o trabalho resultou na identificação científica de uma nova espécie de vitória-régia gigante.

Uma selfie no Instagram despertou a curiosidade de um cientista

Em 2021, Jeremiah Harris, proprietário de um viveiro de plantas carnívoras nos Estados Unidos, compartilhou imagens feitas durante uma visita à região de Inírida, no departamento colombiano de Guainía. Na época, ele acreditava que as plantas fotografadas pertenciam à espécie Victoria amazonica, uma das vitórias-régias mais conhecidas.

Entretanto, a publicação chegou até Carlos Magdalena, horticultor e pesquisador dos Jardins Botânicos Reais de Kew, no Reino Unido. Especialista em plantas aquáticas gigantes, ele percebeu que havia algo incomum naquela imagem.

O principal indício estava na localização. As espécies de Victoria conhecidas pelos cientistas não tinham ocorrência natural registrada naquela região da bacia do Orinoco. Por isso, Magdalena considerou a possibilidade de que as plantas pertencessem a uma espécie ainda não descrita pela ciência.

Imagens de satélite ajudaram a localizar a planta gigante

Para investigar a suspeita, Magdalena analisou imagens de satélite do rio Inírida e de lagos próximos. Dessa maneira, conseguiu identificar grandes folhas circulares flutuando na água, algumas com dimensões suficientes para serem reconhecidas em imagens feitas do espaço.

A investigação, porém, exigiu muito mais do que tecnologia. O pesquisador entrou em contato com especialistas do Jardim Botânico de Bogotá e trabalhou com integrantes de comunidades indígenas locais para organizar uma expedição pela floresta tropical colombiana.

O planejamento levou quase dois anos, devido à necessidade de organizar a viagem, obter autorizações e reunir os recursos necessários. Finalmente, a equipe iniciou uma expedição de cinco dias para encontrar os exemplares e confirmar a descoberta.

Expedição enfrentou dificuldades até encontrar a espécie

Durante a busca, os pesquisadores encontraram plantas do gênero Victoria, mas enfrentaram um problema importante: os primeiros exemplares não apresentavam flores.

Esse detalhe dificultava a identificação, porque as características das flores são fundamentais para diferenciar espécies próximas. Assim, a equipe precisava encontrar uma planta florida antes de concluir a análise.

Quando a expedição estava prestes a terminar, um integrante da equipe local indicou outro lago na região. Os pesquisadores seguiram de barco durante a noite e finalmente encontraram exemplares com flores, permitindo avançar na identificação científica.

A colaboração com moradores e guias indígenas foi decisiva para o resultado. Além de conhecerem os caminhos da floresta inundada, essas pessoas ajudaram a equipe a chegar a áreas que seriam difíceis de localizar apenas com imagens de satélite.

Victoria colombiana pode ter folhas de até três metros

A nova espécie recebeu o nome científico Victoria colombiana, em referência ao país onde foi encontrada. Ela pertence ao gênero Victoria, conhecido por reunir algumas das maiores plantas aquáticas do mundo.

Suas folhas circulares podem alcançar aproximadamente três metros de diâmetro, embora os exemplares também apresentem dimensões menores. Além disso, a planta possui características próprias que permitem diferenciá-la de outras vitórias-régias gigantes.

A descoberta também ampliou o conhecimento sobre a distribuição dessas plantas na América do Sul. Até então, os registros científicos conhecidos não indicavam a presença natural desse gênero na região do rio Inírida, que integra a bacia do Orinoco.

O estudo que descreve a espécie foi publicado em outubro de 2026 na revista científica Phytotaxa. A pesquisa também propõe o reconhecimento de outra espécie, chamada Victoria mattogrossensis, associada à região do Pantanal.

Nova espécie pode estar ameaçada de extinção

Apesar da descoberta, os pesquisadores enfrentam uma preocupação: a Victoria colombiana pode estar criticamente ameaçada de extinção.

As estimativas iniciais indicam que restam entre 30 e 50 exemplares na natureza. Esse número reduzido torna urgente a adoção de medidas para estudar a população e proteger seu habitat.

Por isso, os especialistas trabalham em iniciativas de conservação, incluindo o cultivo da planta fora de seu ambiente natural. A estratégia pode ajudar a preservar a espécie e ampliar o conhecimento sobre suas necessidades de crescimento e reprodução.

Além disso, a colaboração com jardins botânicos e comunidades indígenas poderá contribuir para proteger os exemplares existentes. O desafio agora é compreender melhor a distribuição da planta e identificar os fatores que ameaçam sua sobrevivência.

A história demonstra como uma fotografia publicada nas redes sociais pode contribuir para uma descoberta científica importante. Nesse caso, uma selfie aparentemente comum forneceu a pista inicial para uma investigação que reuniu conhecimento botânico, tecnologia de satélite e experiência de comunidades locais.

Fonte: VEJA

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