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O homem que sobreviveu à Ilha Sentinela do Norte conta o que viveu lá

POR Diogo Quiareli    EM Mundo Afora      27/11/18 às 13h54

Recentemente, o mundo se surpreendeu com a história do turista americano que morreu ao tentar evangelizar os habitantes da ilha Sentinela do Norte, ilha de contato proibido. No entanto, há um homem que sobreviveu ao contato com essa tribo isolada responsável por matar John Chau. "Estava claro que eu não era bem-vindo", disse ele de cara. T N Pandit, antropólogo indiano, realizou um estudo dos sentinelas por 30 anos e compartilhou suas memórias e impressões sobre a tribo.

"Fico muito triste pela morte deste rapaz que veio da América. Mas ele cometeu um erro. Teve chance suficiente para se salvar. Mas insistiu e pagou com a vida", disse o antropólogo T N Pandit. Ele foi uma das pouquíssimas pessoas que já teve contato com a tribo que vive na Ilha Sentinela do Norte. A ilha faz parte do arquipélago indiano de Andaman e Nicobar, localizado no Oceano Índico. A tragédia envolvendo o americano John Allen Chau, de 27 anos, chamou a atenção para a tribo, que continua sendo um dos povos mais isolados do mundo.

Os responsáveis pela viagem de Chau ilegalmente para a ilha, no dia 17 de novembro, disseram ter visto alguns membros da tribo arrastando e enterrando o seu corpo na praia. No entanto, as autoridades da Índia estão enfrentando dificuldades para resgatá-lo quando chegam próximos a ilha. Ao chegar no lugar, eles avistaram os aborígenes portando arco e flecha para recebê-los.

Pandit também enfrentou uma situação de tensão quando visitou a ilha, como parte de uma expedição do governo em 1991. Ele contou à BBC por telefone algumas coisas sobre essa sua parte da vida por lá. Esclareceu o seu encontro com os aborígenes. "Quando eu estava distribuindo cocos, me distanciei um pouco do resto do grupo e comecei a me aproximar da praia. Um garoto sentinela fez uma cara engraçada, pegou uma faca e sinalizou para mim que cortaria minha cabeça. Chamei imediatamente o barco e parti em retirada", se lembrou. "O gesto do menino foi significativo. Ele deixou claro que eu não era bem-vindo".

Rostos assustadores

"Levamos panelas e frigideiras de presente, uma grande quantidade de cocos, ferramentas de ferro, como martelos e facas compridas. Também fomos acompanhados por três homens onge (outra tribo local) para que possa nos ajudar a "interpretar" o discurso e o comportamento dos sentinelas". Lembrou ele da sua primeira visita à tribo, em 1973. "Mas os guerreiros sentinelas nos encararam com rostos irritados e sombrios, totalmente armados com seus longos arcos e flechas, preparados para defender suas terras contra os "intrusos". Às vezes, eles viravam as costas para nós e se agachavam como se quisessem defecar", disse ele em 1999.

"O porco vivo que levamos de presente também foi menosprezado. Foi simplesmente perfurado com a lança e, sem seguida, enterrado na área". Como não sabem ainda muitas coisas a respeito desse povo, há diversos mitos sobre os sentinelas. "Nas ilhas e em Port Blair, havia até uma crença popular de que os habitantes da Ilha Sentinela do Norte eram na verdade prisioneiros de Pathan (grupo étnico originário do Afeganistão e Paquistão) que haviam escapado das prisões britânicas e camuflavam sua altura e pele pálida deixando o cabelo crescer", disse T N Pandit em um artigo.

Contato

Pandit e seus colegas começaram então a conduzir expedições a fim de estudarem a tribo na década de 1970. No entanto, só conseguiram algum avanço em 1991. "Ficamos intrigados porque eles permitiram". "Foi decisão deles no encontro, e a reunião aconteceu nos termos deles. Nós saltamos do barco e ficamos com água até o pescoço, distribuindo cocos e outros presentes. Mas não nos deixaram pisar na ilha". O antropólogo contou ainda que não estava preocupado em ser atacado, mas sempre teve cautela quando estava perto deles.

"Durante nossas interações, eles nos ameaçaram, mas nunca chegaram ao ponto de matar ou ferir alguém. Sempre que ficavam agitados, recuávamos". "Os sentinelas não eram altos, nem baixos. Carregavam arcos e flechas. Conversavam entre si, mas não conseguíamos entender seu idioma. Parecia com as línguas faladas por outros grupos tribais na região". "Tentamos nos comunicar com a linguagem de sinais. Mas eles estavam ocupados coletando os cocos".

Os estudiosos acreditam que há de 50 a 150 pessoas habitando a ilha. Os membros são conhecidos pela pesca com arcos e flechas. Eles costumam comer javalis, raízes, tubérculos e mel. Não levam fama de navegantes. O governo então resolveu cancelar as expedições feitas para levar presentes aos sentinelas. A ilha passou a ser um local proibido para evitar levar doenças ou coisas do tipo para aquele lado, preservando então o estilo de vida.

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Via   G1  
Diogo Quiareli
Geminiano, 24 anos, goiano.
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