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O mistério dos dois homens abraçados em gravura de tumba no Egito

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Mais de 50 anos de discussão, e ainda nenhuma resposta. É assim que se encontram as perguntas sobre a gravura em uma tumba na necrópole do Saqqara, no Egito.

Nela, é possível ver a incomum cena de dois homens se abraçando. Logo, pesquisadores do mundo todo instigaram que tipo de relação a dupla tinha. Ainda não há uma resposta definitiva, e nesse post, você vai conferir algumas teorias que já circularam.

Identidades

Apesar do mistério, uma coisa já se sabe: as identidades dos sujeitos. As pessoas da gravura são Khnumhotep e Niankhkhnum, duas figuras que não eram da nobreza. No entanto, eles tinham cargos de chefia durante o reinado de Niusserré, o qual governou durante a segunda metade do século 25 a.C.

Sendo assim, os dois homens representados eram supervisores das manicures do palácio do monarca. Após as suas mortes, os egípcios os enterraram juntos em Saqqara. Além disso, eles são listados como “confidentes reais” do rei, designação que pode ser encontrada na tumba da dupla.

Fonte: Mstyslav Chernov

A propósito, o egiptólogo Ahmed Moussa encontrou o sepulcro em 1964, durante uma escavação na calçada da pirâmide do rei Unas. Na descoberta, os arqueólogos se depararam com várias gravuras, as quais tratam de situações diversas.

A princípio, há uma cena de banquete, na qual os dois funcionários se entretêm com dançarinos, músicos e cantores. Em outra representação, o que se visualiza é a dupla conferindo os detalhes de um funeral.

No entanto, a imagem que mais chama atenção é uma em que eles estão de narizes colados e cinturas juntas. Desde então, diversas teorias surgiram sobre a ligação entre os dois: namorados? irmãos gêmeos? Vamos para as teorias!

Amor em tela

Em suma, muitos arqueólogos acreditam que Khnumhotep e Niankhkhnum são o primeiro casal do mesmo sexo já registrado. Isso se dá por conta da disposição do corpos e dos contatos que eles estabelecem entre si.

Nesse sentido, o pesquisador Greg Reeder disse ao The New York Times: “Eles estão muito próximos aqui, não estão apenas face a face e nariz contra nariz, mas estão tão próximos que os nós de seus cintos estão se tocando, ligando seus troncos.” Ainda de acordo com o estudioso, se a cena fosse composta por um homem e uma mulher, não haveria dúvidas quanto à existência de um casal ali.

Fonte: Wikimedia Commons / Ahmad Badr

No entanto, o que enfraquece essa teoria são outras gravuras, nas quais os sujeitos aparecem com esposas e filhos. Logo, não haveria ali a construção de uma relação amorosa, e sim de uma amizade entre irmãos, talvez gêmeos.

Irmandade

Conforme dito, as tumbas de Khnumhotep e Niankhkhnum também trazem imagens de ambos com suas respectivas famílias. O primeiro seria cônjuge de Khenut, com quem teve três filhos e uma filha. No caso do segundo, a hipótese é que ele seja casado com Khentikawes, mulher com quem ele teve três filhos e três filhas. Logo, os dois homens são irmãos e não amantes.

Os defensores dessa tese propõem que eles são filhos de Khabaw-khufu e Rewedzawes. Além disso, essa família ainda tem outros três irmãos: Titi, Nefernisut e Kahersetef. Porém, essa teoria pode ir ainda mais longe.

Quem leva o debate a outro nível é David O’Connor, professor de arte egípcia no Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova York. Para ele, Khnumhotep e Niankhkhnum não só são irmãos gêmeos, como também são siameses. Logo, a representação grudada se daria por conta dessa condição de nascimento.

Vale lembrar que dois indivíduos que nascem conectados podem passar por sérios riscos de vida. Afinal, há a possibilidade de uma das partes consumir mais um órgão do que a outra. Sendo assim, os dois funcionários correriam um certo risco de não se desenvolverem de forma saudável. Isso não invalida a teoria de O’Connor, porém diminui as chances dela proceder.

Enfim, ainda não há um consenso quanto à relação que ganha destaque na gravura. Porém, os estudiosos continuam teorizando sobre a proximidade entre Khnumhotep e Niankhkhnum. Sem querer me meter nas vidas das pessoas do século 25 a.C, mas será que em breve teremos uma resposta?

Fonte: Aventuras na História.

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