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O período mais fedido da Terra

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Um novo estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, em Riverside (EUA), e publicado na revista Nature Geoscience, a respeito da maior extinção em massa da história da Terra, sugere que minúsculos micróbios expelindo gás tóxico ajudaram a causar essa situação de um grande fedor na terra. Os estudiosos do período acreditam que os vulcões siberianos cuspindo gases de efeito estufa (os chamados Trapps Siberianos) impulsionaram o evento de extinção em massa ocorrido há cerca de 250 milhões de anos.

Os Trapps Siberianos resumem um grande evento vulcânico, considerando um dos maiores já acontecidos nos últimos 500 milhões de anos da idade geológica da Terra. As erupções duraram cerca de dois milhões de anos até o limiar da Era Permiana com a Era Triássica, tendo sido datadas entre 251 e 250 milhões de anos atrás. Foi a partir daí que surgiu a maior extinção da Terra, maior até do que aquela tão famosa, que foi ocasionada por meteoros.

Os gases causaram um aquecimento extremo, que por sua vez levou 80% de todas as espécies marinhas, bem como muitas espécies terrestres, à extinção. Até o momento, os cientistas não haviam conseguido explicar exatamente como o calor causou essas mortes. Mas, com o novo estudo, há a hipótese de que o calor acelerou o metabolismo dos micróbios, criando condições mortais. Esse processo varreu as espécies da Terra por cerca de 60 mil anos.

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A hipótese com que se tem trabalhado é de que depois que o oxigênio do oceano foi usado para decompor o material orgânico, os micróbios começaram a ‘respirar’ sulfato e produziram sulfeto de hidrogênio. Essa substância é, basicamente, um gás que cheira a ovo podre e é venenoso para os animais. Com a produção de sulfeto em larga escala, havia um cheiro horrível por toda parte!

À medida que os micróbios e plantas que formam a base da cadeia alimentar apodreciam, outros micróbios consumiam rapidamente o oxigênio e deixavam pouco para os organismos maiores. Na ausência de oxigênio, os micróbios consumiam sulfato e depois expeliam o tóxico sulfeto de hidrogênio, ou H2S, criando uma condição ainda mais extrema chamada euxínia.

Essas condições eram sustentadas pela liberação de nutrientes durante a decomposição, promovendo a produção de mais matéria orgânica, que ajudava a manter esse ciclo fedorento e tóxico. No entanto, o oceano não ficou euxínico de uma vez só. Essas condições começaram nas partes mais profundas dos mares e, à medida que as temperaturas aumentaram, as zonas euxínicas ficaram maiores e mais tóxicas.

Consequentemente, as toxinas chegaram às partes mais rasas do oceano e à superfície, envenenando a maioria dos animais marinhos. Esse processo resultou na extinção em massa dos animais marinhos e terrestres e, sem dúvidas, deixou todo o planeta com um cheiro de ovo podre. Imagine milhões de ovos podres espalhados por todo lugar que se passa. Era basicamente assim que a Terra estava naquele período.

Atenção: isso não pode se repetir na Terra

Na atualidade, já é possível perceber situações parecidas com a descrita acima (embora em menor escala). O Canal Dominguez, em Los Angeles, tem 25 quilômetros de extensão e já apresenta águas euxínicas. Em setembro de 2021, um incêndio em um depósito próximo ao rio liberou etanol no canal. O combustível matou a vegetação de todo o trecho do canal.

Dessa forma, a vegetação se decompôs e foi consumida por micróbios, que produziram sulfeto de hidrogênio em níveis tóxicos. Milhares de pessoas que respiravam na área do rio relataram vômitos, diarreia, tontura, insônia, dores de cabeça, espirros e outros sintomas.

É importante se atentar aos processos realizados pelos seres humanos de forma deliberada e sem consciência dos danos reais. A longo prazo, situações como a ocorrida no Canal Dominguez podem ocasionar verdadeiras extinções animais. Caso tudo isso passe a acontecer com ainda mais frequência do que já acontece, o cheiro ruim pode ser o menor dos problemas enfrentados pelo ser humano.

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