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Desastre ambiental que ocorre há 70 anos na costa da Califórnia choca cientistas

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Em 2011, David Valentine, pesquisador da vida marinha na Universidade da Califórnia, descobriu que um desastre ambiental está ocorrendo há mais de 70 anos na costa de Los Angeles.

A descoberta realizada pelo pesquisador foi guiada por rumores e palpites.  Após analisar os fatos, Valentine descobriu que, desde os anos 1940, incontáveis ​​barris de lixo tóxico, misturados com DDT – um composto orgânico sintético, usado como inseticida -, encontram-se no fundo do oceano, entre Long Beach e a Ilha Catalina.

“Com minha câmera subaquática, registrei a presença de dezenas de barris em decomposição, os quais estão há anos promovendo um ambiente estéril e desértico”, disse Valentine em entrevista à CBS News, um dos veículos que realizaram uma cobertura sobre a descoberta do pesquisador.

O esforço de Valentine em se aprofundar no caso permitiu que sua pesquisa revelasse a extensão da contaminação. A presença do conteúdo, segundo as informações que constam em uma reportagem publicada pela CBS News, está ocasionando um impacto contínuo na vida marinha, incluindo na população de leões-marinhos – 1 em cada 4 leões-marinhos adultos foram diagnosticados com câncer.

A história

O DDT foi inventado em 1939. O produto foi usado durante a Segunda Guerra Mundial, para proteger as tropas de doenças transmitidas por insetos, como, por exemplo, a malária. Depois da Segunda Guerra Mundial, a produção do produto aumentou. O DDT, então, começou a ser usado rotineiramente na pulverização de plantações e até mesmo em praias, para eliminar certas pragas, como os mosquitos.

Na década de 1960, descobriu-se que o DDT era tóxico. Com o tempo, percebeu-se que a ingestão de alimentos que eram tratados com o produto provocava diversos efeitos colaterais. Em 1982, o governo dos Estados Unidos, por meio de legislações, como a Clean Air Act, proibiu o uso do composto.

A maior fabricante de DDT nos Estados Unidos, antes do produto ser proibido, foi a Montrose Chemical Corporation. A fábrica da empresa, localizada ao longo da costa do sul da Califórnia, na cidade de Torrance, entre 1947 a 1982, produzia em grande escala o composto. Assim que a proibição se fez vigente, a Montrose encerrou a fabricação do DDT. O que sobrou do produto foi descartado – no fundo do oceano.

Por décadas, a existência desses barris foi presumida apenas por um grupo muito pequeno de cientistas. Valentine, agora, com registros fotográficos em mãos, transformou a suposição em fato.

O local

Montrose, mesmo fechada, foi processada e depois de uma longa batalha legal que terminou no final de 2000, se viu obrigada a desembolsar US$ 140 milhões. Mesmo assim, os barris seguem no mesmo local. Estima-se que haja até 500.000 barris com DDT no fundo do oceano.

Nas últimas duas décadas, a maior parte do dinheiro que foi pago pela Montrose foi usada para tentar restaurar os locais contaminados. Parte da quantia foi direcionada a o Programa de Restauração de Assentamentos Marinhos e o restante foi alocado para a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que também realizou um trabalho de revitalização do ecossistema marinho contaminado.

Mesmo diante de todos os esforços, o DDT acabou fazendo parte da cadeia alimentar dos seres marinhos que habitam a região. O composto, obviamente, começou a ser consumido primeiramente por minúsculas criaturas marinhas, que, consequentemente, servem de alimentos para pequenos peixes, que são consumidos por peixes maiores e mamíferos marinhos, como leões-marinhos.

Hoje, novos projetos de revitalização da vinha marinha no local seguem sendo executados. O NOAA, por exemplo, gerencia atualmente quase 20 projetos de restauração na costa de Los Angeles.

Descobrindo os barris

Apesar do fato dos barris tóxicos terem sido despejados no fundo do oceano décadas atrás, a existência do composto no local só veio à tona no outono passado, quando o Los Angeles Times publicou um artigo sobre o trabalho de Valentine. Como dissemos no início da matéria, Valentine descobriu os barris em 2011, mas sua pesquisa só foi publicada em março de 2019.

Os 500.000 barris foram descobertos pela Scripps Institution of Oceanography, que iniciou realizou uma exploração na região por duas semanas. Ao todo, 31 cientistas participaram da busca.

Leões-marinhos em apuros

O Marine Mammal Center, uma associação da Califórnia que trabalha com o resgate de mamíferos marinhos em perigo, publicou um estudo de 30 anos sobre leões-marinhos, em dezembro do ano passado. O documento aponta que 25% dos leões-marinhos adultos que foram resgatados têm câncer.

Para a veterinária Cara Field, o número de leões marinhos com câncer é “extremamente alarmante” e “sem precedentes na vida selvagem”.

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