Ciência e Tecnologia

Robô descobre lago e rocha esverdeada em Marte

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O robô Perseverance está em Marte desde o início de 2021. Ao longo do ano, diversas descobertas e imagens já foram feitas por ele no que concerne à missão intitulada Perseverance Mars. Além disso, amostras do solo do planeta têm sido coletadas para que o robô as traga à Terra para estudo. 

O objetivo do rover é achar sinais de vida no planeta e obter materiais para trazer de volta à Terra. Atualmente, o Perserverance tem explorado as dunas de Jezero, uma região de Marte que intriga os cientistas pela diversidade de rochas com muitas camadas.

A broca no final do braço robótico do Perseverance pode lixar, ou triturar, superfícies rochosas para permitir que outros instrumentos como o PIXL as estudem. O PIXL, que é uma abreviação em inglês de Instrumento Planetário para Litoquímica de raios X, usa fluorescência de raios X para mapear a composição elementar das rochas. 

Análise de rochas

Em 12 de novembro, o instrumento analisou uma rocha que a equipe da missão escolheu para extrair uma amostra do núcleo usando a broca do rover. Os dados do PIXL mostraram que a rocha, apelidada de “Brac”, era composta por uma abundância incomum de grandes cristais de olivina envolvidos em cristais de piroxênio. O mineral olivina é abundante no manto da Terra e é composto de silicato de magnésio e ferro.

Uma amostra da pedra foi coletada e armazenada em um tubo de titânio para ser preservada. O material será trazido à Terra para maiores estudos. Quando for enviada de Marte para cá, os cientistas determinarão se a rocha rica em olivina se formou em um lago de lava espesso, resfriando na superfície, ou em uma câmara subterrânea posteriormente exposta pela erosão. 

Dos 43 tubos de amostra do Perseverance, seis foram selados até agora. Três deles contém núcleos de rocha. As outras duas amostras foram obtidas no início de setembro, e se trata de uma rocha que ficou conhecida como “Rochette”. Uma análise prévia das duas primeiras rochas coletadas sugere que elas provêm de antigos derramamentos de lava. Além disso, as pedras mostram indícios de interação com água.

NASA

Mesmo com o poder de análise do robô, as amostras serão enviadas à Terra para que sejam atenciosamente estudadas com equipamentos de laboratório poderosos, grandes demais para serem enviados a Marte. Junto com suas capacidades de amostragem de núcleo de rocha, o Perseverance trouxe o primeiro radar de penetração no solo para a superfície de Marte. 

Mapeamento geológico

O Rimfax (Radar Imager for Mars’ Subsurface Experiment) cria um “radargrama” de características de subsuperfície de até cerca de 10 metros de profundidade. Os dados para esse primeiro radargrama lançado foram coletados enquanto o rover se locomovia através de uma linha de cume da unidade geológica “Crater Floor Fractured Rough” (algo como “Terreno Acidentado Fraturado da Superfície da Cratera”). 

O cume tem várias formações rochosas com uma inclinação visível para baixo. Com as análises, os cientistas do Perseverance agora sabem que essas camadas de rocha continuam no mesmo ângulo bem abaixo da superfície. A capacidade de observar características geológicas, mesmo abaixo da superfície, adiciona uma nova dimensão às capacidades de mapeamento geológico dos cientistas em Marte.

NASA

Outras descobertas sobre Marte

A partir do robô de seis rodas, os cientistas envolvidos na missão fizeram uma outra descoberta: o leito rochoso de Marte provavelmente se formou a partir de magma incandescente. A descoberta contribui para a compreensão e datação precisa de eventos críticos na história do planeta.

Além disso, um estudo publicado na revista “Science” em 7 de outubro usou imagens feitas pelo robô para confirmar que um lago já existiu na Cratera Jezero. As imagens mostraram não apenas os indícios da existência do lago, mas que ele também era alimentado por um rio. Segundo o estudo, a existência do lago remonta a bilhões de anos, quando a atmosfera marciana possibilitava o fluxo de água pela superfície do planeta.

A equipe também concluiu que, além de terem interagido com a água, algumas rochas da cratera contêm moléculas orgânicas. Essas e outras descobertas foram apresentadas em uma coletiva de imprensa na reunião científica do outono de 2021, da American Geophysical Union (AGU), em Nova Orleans.

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