A NASA pretende enviar humanos para Marte na década de 2030, um plano um tanto audacioso quando pensamos que o planeta ainda é inabitável. Valeri Polyakov é o homem recordista mundial de permanência contínua no espaço, tendo passado 437 dias em órbita. Mas quais são os efeitos da gravidade zero no cérebro humano? Precisamos pensar que a sensação de estar na gravidade zero pode ser algo incrível, mas também pode ser desconfortável para o nosso corpo.

Um estudo, liderado pelo neurocientista Floris Wuyts, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica, colheu testes de imagens cerebrais de dez cosmonautas, todos eles do sexo masculino e com idade média de 44 anos. Eles foram submetidos a exames de ressonância magnética antes e depois das missões espaciais. O resultado desse estudo? A gente conta para vocês nessa matéria.

Os efeitos da gravidade zero no cérebro humano

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Sete dos cosmonautas foram estudados por 200 dias depois de suas viagens. Foram precisos em média 189 dias para que todos os sete cosmonautas fossem avaliados de acordo com suas capacidades de recuperação ao longo do tempo. Os pesquisadores descobriram que os cosmonautas tiveram uma redução do volume da massa cinzenta do cérebro.

A massa cinzenta é um importante componente do sistema nervoso central, consistindo em corpos de células nervosas, células da glia, capilares, axônios e dendritos. Resumindo, a massa cinzenta é responsável por processar as informações que recebemos e por raciocinarmos.

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A redução foi de cerca de 3,3% durante as missões espaciais. Tudo bem que uma parte desse tecido foi recuperada ao longo dos 200 dias, mas o volume da perda ainda era notável.

Os cientistas também notaram que o volume líquido cefalorraquidiano (líquido que envolve todo o cérebro e medula espinhal e um dos principais fluidos do corpo humano), tiveram um aumento ao longo dos voos espaciais. Ainda não se sabe até onde essa alteração influenciaria a capacidade cognitiva ou mesmo os comportamentos dos cosmonautas.

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A pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Antuérpia, Angelique Van Ombergen, afirma que o principal motivo para essas mudanças é a gravidade. Ela faz com que mais fluidos se desloquem para cima, em direção ao tronco da cabeça. Mas e você, tinha ideia do que a gravidade zero podia fazer no nosso cérebro? Comente!

Publicado em: 27/11/18 18h27