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O que é o efeito placebo e como ele funciona?

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Um placebo é um medicamento, substância ou qualquer outro tipo de tratamento que se parece com um tratamento normal, mas que não possui efeito ativo, ou seja, que não faz qualquer alteração no organismo. Este tipo de medicamento ou tratamento é utilizado em testes para descobrir um novo remédio.

Durante os experimentos, algumas pessoas fazem o tratamento com o remédio novo, enquanto outras o fazem com um placebo. Assim, no final do teste, se os resultados forem iguais para os dois grupos, é sinal de que o novo medicamento não faz qualquer efeito.

Na prática clínica, há dilemas éticos que envolvem a prescrição de tratamento com placebo, como a quebra de confiança entre médico e paciente (se for prescrito placebo sem consentimento do paciente). No Brasil, “é vedado ao médico indicar o uso de placebo quando há tratamento eficaz para a doença”, segundo o código de ética do Conselho Federal de Medicina (CFM). Por esses motivos, o placebo deve ser utilizado apenas sob condições regulamentadas e em função de experiências.

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Durante testes realizados em 1950, cientistas perceberam que um terço dos pacientes testados apresentam melhora das queixas, independentemente de que natureza fossem, quando submetidos a terapias com placebo. Até hoje esse é o índice de sucesso em tratamentos com o método.

O tratamento

Doenças comumente relacionadas a causas emocionais, como alergias, síndrome do intestino irritável e fobias diversas são combatidas em determinados casos com o uso de placebo. No entanto, conforme explicitado acima, a prática é condenável entre o Conselho de Medicina e não deve ser realizada de forma deliberada.

Os mecanismos de ação do placebo não são totalmente estabelecidos, mas sabe-se que as expectativas do paciente em relação ao sucesso do tratamento têm papel central no efeito. Ou seja, quando se toma um medicamento esperando que tenha um determinado efeito, os próprios processos químicos do corpo tentam imitar o efeito e produzem alterações no organismo, melhorando os sintomas, por exemplo.

A relação com o médico também faz a diferença: quanto maior a empatia e confiança nele, maior a chance de êxito. É importante ressaltar que o placebo não é só remédio, mas também pode ser algum cosmético, bebida, tratamento estético e até acessórios, como pulseiras e anéis.

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O fator psicológico

A importância do fator psicológico no efeito placebo foi demonstrada em um importante estudo com indivíduos com Parkinson. O intuito da pesquisa era medir nos pacientes o nível de liberação de dopamina, que é um neurotransmissor capaz de aliviar dores, tremores e rigidez muscular associadas à doença.

Os participantes foram informados de que teriam 25%, 50%, 75% ou 100% de probabilidade de receber medicação ativa quando, na verdade, estavam recebendo placebo. No grupo que acreditou 75%, observou-se aumento significativo na secreção de dopamina. A ativação do sistema de recompensa cerebral ficou evidente em tomografia e o trabalho foi publicado no General Archives of Psychiatry.

O chamado placebo open-label também tem se tornado alvo de investigação por parte dos médicos e cientistas. Nesse modelo de tratamento, o paciente sabe que está recebendo placebo, ou seja, que não se trata verdadeiramente de um remédio.

Em 2009, pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, conduziram o primeiro estudo com placebo open-label com pacientes portadores de síndrome do intestino irritável (SII). Metade deles não recebeu nenhum medicamento e a outra metade sabia que estava tomando placebo.

O alívio de sintomas foi percebido pelo dobro de pessoas no grupo de placebo aberto em comparação com quem não foi tratado. O grau de melhora foi superior, inclusive, ao obtido com drogas de verdade usadas para SII.

Não se chegou ainda à conclusão de por qual motivo o placebo aberto surte efeito positivo, mas a aposta continua sendo na disposição mental do paciente para que o tratamento funcione. Os autores do estudo sugerem que o placebo open-label seria benéfico para controlar sintomas como dor, náusea e fadiga relacionadas a várias patologias, mas não o defendem como uma opção para eliminar tumores, curar doenças infecciosas ou diminuir o colesterol, por exemplo.

Fonte: UOL

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