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Pedra gigantesca ‘listra de tigre’ na Etiópia mostra um mistério antigo

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Nosso planeta já tem seu longo período de existência e já passou por várias mudanças.Umas delas, que os pesquisadores consideram uma das mais drásticas, é a mudança climática. Isso vem afetando o mundo de várias maneiras diferentes e talvez caminhe para um ponto onde se torne cada vez mais difícil a nossa existência.

E se quisermos ver como será o futuro da Terra com essas mudanças é preciso entender melhor o que aconteceu com o planeta antes. Indo até centenas de milhares de anos no passado.

Estudo

Uma nova pesquisa, feita nas Terras Altas da Etiópia durante o último período glacial, nos ajuda a fazer exatamente isso. Além de responder algumas questões geológicas, a pesquisa também trouxe uma nova questão. O que criou as faixas gigantescas no planalto central de Sanetti nas montanhas Bale?

Os cientistas analisaram amostras de pedregulho em Bale e nas montanhas Arsi. Essas rochas teriam, uma vez, sido levadas pelos glaciares. Eles estudaram o arranjo físico e mediram a extensão da decomposição em um isótopo de cloro. Com isso, conseguiram determinar que as glaciações anteriores não estavam em sincronia com os outros trechos parecidos de montanhas.

“Nossos resultados mostram que as geleiras nas montanhas do sul da Etiópia atingiram sua extensão máxima entre 40.000 e 30.000 anos atrás, vários milhares de anos antes do que em outras regiões montanhosas na África Oriental e em todo o mundo”, disse o glaciologista Alexander Groos, da Universidade de Berna, na Suíça.

Observações

Por mais que atualmente essas terras altas não estejam cobertas de gelo, entre 42 e 28 mil anos atrás elas estavam cobertas por geleiras que cobriam até 350 quilômetros quadrados. Esse resfriamento relativamente precoce e o começo da geleira foram causados, provavelmente, por conta da variação na precipitação e das características das montanhas.

Ou seja, a temperatura não foi o único impulsionador desse movimento das geleiras na África Oriental nesse tempo. Saber disso, ajuda os pesquisadores a entender o que pode acontecer no futuro e qual será o provável impacto que isso terá sobre a biodiversidade e os ecossistemas.

As faixas de pedra formadas por rochas e colunas de basalto que foram descobertas durante a pesquisa medem até mil metros de comprimento, 15 metros de largura e dois de profundidade. Elas nunca tinham sido vistas antes nos trópicos.

“A existência dessas faixas de pedra em um planalto tropical nos surpreendeu, pois os chamados acidentes geográficos periglaciais dessa magnitude eram anteriormente conhecidos apenas na zona temperada e regiões polares e estão associados a temperaturas do solo em torno do ponto de congelamento”, disse Groos.

Pedra

Isso é outro fator que faz com que as Terras Altas da Etiópia sejam diferentes dos seus vizinhos. Os cientistas acreditam que essas listras são resultado natural do congelamento e descongelamento periódico do solo perto da calota polar que teria juntado essas rochas parecidas.

Contudo, ainda é preciso esperar que estudos futuros em outras regiões sejam feitos para descobrir isso. Mas essa pesquisa dá muito para que os cientistas continuem investigando. Saber as mudanças climáticas nos trópicos é algo crucial. Até porque é de onde grande parte da circulação da atmosfera e dos oceanos do mundo acontece.

“Nossas descobertas destacam a importância de compreender o cenário climático local ao tentar extrair interpretações climáticas mais amplas das cronologias glaciais”, concluem os pesquisadores.

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