
Pesquisadores brasileiros identificaram uma nova espécie e um novo gênero de peixe fóssil que viveu há cerca de 125 milhões de anos, durante o início do período Cretáceo. O fóssil foi encontrado no estado de Alagoas e trouxe novas pistas sobre a evolução dos peixes com espinhos nas nadadeiras.

Foto: Alexandre Cunha Ribeiro
Os cientistas deram ao animal o nome científico Gondwanacanthus decollatus. A equipe publicou a descoberta na revista científica Papers in Palaeontology. Além disso, participaram do estudo pesquisadores como Alexandre Cunha Ribeiro, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e Flávio Bockmann, da Universidade de São Paulo (USP).
Os pesquisadores localizaram o fóssil na região de São Miguel dos Campos, em Alagoas. O exemplar pertence à Formação Morro do Chaves, uma unidade geológica conhecida por preservar fósseis importantes da bacia sedimentar Sergipe-Alagoas.
Primeiramente, os cientistas estimam que o peixe viveu entre 120 e 125 milhões de anos atrás. Naquela época, o supercontinente Gondwana passava por um processo de separação e o Oceano Atlântico Sul começava a se formar.
Embora o fóssil esteja incompleto, o exemplar principal não possui a cabeça, os pesquisadores conseguiram identificar várias características importantes. O peixe apresentava corpo relativamente alto, escamas grandes e espinhos nas nadadeiras.
Além disso, essas características são típicas de um grupo conhecido como Acanthomorpha. Atualmente, esse grupo inclui diversas espécies modernas, como bacalhau, robalo, corvina e garoupa.
Durante muito tempo, cientistas acreditaram que os peixes com espinhos nas nadadeiras surgiram apenas mais tarde na história evolutiva. Entretanto, o novo fóssil sugere que esses animais apareceram muito antes do que se imaginava.
Além disso, a descoberta indica que esses peixes já existiam no hemisfério sul durante o início do período Cretáceo.
Assim, o fóssil ajuda a preencher uma lacuna importante no registro evolutivo dos peixes.
Por outro lado, a descoberta também destaca a importância científica das bacias sedimentares brasileiras. Regiões do Nordeste preservam fósseis que ajudam a reconstruir a história da vida na Terra.
Portanto, quando pesquisadores analisam fósseis como esse, eles conseguem entender melhor como surgiram e se diversificaram os primeiros peixes modernos.
Além disso, esses estudos ajudam cientistas a reconstruir antigos ecossistemas e a compreender como os oceanos evoluíram ao longo de milhões de anos.
Fonte: Galileu






