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Pesquisadores colocam IAs para conversar e isso pode mudar tudo

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A Inteligência Artificial (IA) é uma tecnologia que dá às máquinas a possibilidade de terem conhecimentos através de experiências, e permite que elas se adaptem ao seu meio e desempenhem tarefas quase da mesma maneira que um ser humano faria. A princípio, isso é uma ótima ideia. No entanto, ninguém sabe ao certo até onde essa tecnologia pode nos ajudar ou então ser a nossa ruína.

E conforme as ferramentas vão se desenvolvendo mais coisas são feitas e vistas com a IA. Por exemplo, pesquisadores Universidade de Genebra (Unige) colocaram duas IAs para conversarem entre si. No estudo feito por eles, eles criaram uma rede neural artificial que conseguisse realizar tarefas a partir de instruções verbais e textuais e que deu uma descrição dessas tarefas para outra IA. Como resultado, essa segunda foi capaz de replicá-las.

O objetivo desse experimento foi testar a capacidade cognitiva tipicamente humana nas IAs, como a capacidade de aprender algo e transmitir esse conhecimento para outro indivíduo. De acordo com Alexandre Pouget, professor da Unige, até o momento, era considerado inalcançável essa complexidade cognitiva para as máquinas.

Ainda conforme Pouget, mesmo com os avanços tidos em IA, ainda não tinha sido possível que essa tecnologia traduzisse instruções em ações sensório-motoras e, depois, explicá-las para que outra IA pudesse executá-las. O estudo feito superou essa barreira ao criar um modelo de neurônios artificiais com essa capacidade dupla.

Conversa de IA

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Para essa criação foi usado um modelo chamado S-Bert, que tem 300 milhões de neurônios, e conectado em uma rede neural mais simples para que o aprendizado e comunicação fossem mais simples. O sistema foi treinado para entender e produzir linguagem, imitando funções cerebrais humanas.

O foco dos neurocientistas foi replicar de forma digital a área de Wernicke, que interpreta linguagem, e a área de Broca, que articula palavras, através do treinamento das redes neurais. Foi justamente isso que fez possível a “conversa” entre as IAs.

Como resultado, uma IA aprendeu uma ação e conseguiu ensiná-la para uma segunda IA através de computadores convencionais e textos em inglês. Isso mostrou um nível de interação linguística novo entre as inteligências artificiais.

Por conta disso que a IA conseguir descrever tarefas para outra é um verdadeiro marco. “Esta pode ser a primeira vez que duas IAs conseguem se comunicar dessa maneira”, destacou Pouget.

Desenvolvimento

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A conversa entre as IAs é um marco, mas também pode servir como um sinal de alerta. Até porque outras questões as envolvendo já foram levantadas. Como por exemplo, debates a respeito de um potencial nível de consciência. Em 2022, Ilya Sutskever, cientista-chefe da OpenAI, sugeriu que uma IA avançada poderia ter um certo grau de consciência.

Com isso em mente, uma equipe composta por 19 especialistas de várias áreas criou uma lista de verificação. Através desses critérios seria possível indicar se um sistema de IA teria ou não a probabilidade de ser consciente.

De acordo com Robert Long, um dos coautores e filósofo do Center for AI Safety, esse estudo foi feito porque existia uma falta significativa de discussões em detalhes e com ponderações a respeito da consciência da inteligência artificial.

Isso era necessário porque um sistema de IA consciente tem várias implicações morais. Conforme pontuou Megan Peters, coautora e neurocientista da University of California, Irvine, colocar o rótulo de “consciente” em uma entidade muda drasticamente a maneira como ela é tratada.

Por conta disso, Long ressaltou que as empresas que estão fazendo avanços na tecnologia de IA têm que aumentar seus esforços para que os modelos criados por eles sejam avaliados quanto à sua consciência, além de planejar possíveis desenvolvimentos de IA conscientes.

A maior questão é definir a consciência em uma IA. Para o estudo, o foco dos pesquisadores foi em “consciência fenomenal”, que é uma experiência subjetiva. Ela faz referência à experiência de ser, seja como uma pessoa, animal ou sistema de IA.

Para construir a estrutura da consciência, os pesquisadores usaram várias teorias baseadas em neurociência. Na visão deles, os sistemas de inteligência artificial que funcionam conforme várias dessas teorias, têm uma chance maior de serem conscientes.

Embora concorde com essa visão, Anil Seth, Diretor do Centre for Consciousness Science da University of Sussex, pontuou a necessidade de teorias mais precisas a respeito da consciência.

No caso, para criarem seus critérios, os pesquisadores partiram de duas suposições. A primeira foi a de que a consciência está relacionada com a forma como os sistemas processam informações, independentemente se eles são compostos por chips de computador ou neurônios. A segunda foram as aplicações de teorias que se baseiam em neurociência da consciência para a IA.

Então, eles selecionaram seis teorias e identificaram uma lista de indicadores de consciência se baseando nelas. Uma delas foi a teoria do espaço global de trabalho, que pontua que os humanos e outros animais usam vários sistemas especializados para fazer tarefas cognitivas. E mesmo que eles funcionem de forma independente, eles compartilham informações se integrando em um sistema só.

Ao final, os pesquisadores afirmam que o seu estudo não é a palavra final para essa avaliação de consciência em IA. Além disso, eles também fazem o convite a outros estudiosos para que eles refinem essa metodologia.

Esse estudo já foi usado em sistemas de IA que existem atualmente, como por exemplo, o ChatGPT. Por mais que esse sistema tenha alguns indicadores relacionados com a teoria do espaço global de trabalho, nenhum sistema de inteligência artificial que existe se mostrou um forte candidato a ter uma consciência.

Fonte: Olhar digital, Socientifica

Imagens: Canaltech, Tudo pop

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