Pode não ser bom, mas fazer exercício com máscara não deve prejudicar a ingestão de oxigênio
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Pode não ser bom, mas fazer exercício com máscara não deve prejudicar a ingestão de oxigênio

A pandemia do coronavírus está mudando os hábitos das pessoas. Quem imaginou que máscaras seriam indispensáveis? No começo da pandemia, foi muito discutido sobre quem, quando e onde se deveria usar as máscaras para prevenir a transmissão do vírus. As recomendações foram mudando ao longo dos meses, até chegar na que estamos agora. Em suma, o uso é obrigatório para todas as pessoas quando saírem de casa.

As máscaras protegem sim as pessoas. E claro que também temos que manter nossa saúde em dia. E várias pessoas parecem ficar num dilema, se têm que usar máscaras fazendo atividades físicas intensas. Ou se algum tipo de cobertura faria a respiração ficar mais difícil.

Uma nova revisão dos efeitos das máscaras nos sistema cardiorrespiratório, como no coração, vasos sanguíneos e pulmões, foi feita. E durante a atividade física, ela sugere que a maioria das pessoas deve conseguir respirar bem com uma máscara, por mais que nem sempre essa seja a sensação.

“Pode haver uma percepção de maior esforço com a atividade, mas os efeitos do uso de máscara no trabalho respiratório, em gases como oxigênio e CO2 no sangue ou outros parâmetros fisiológicos, são pequenos, muitas vezes pequenos demais para serem detectados”, disse o exercício a fisiologista Susan Hopkins, da University of California San Diego.

Estudo

Nesse novo estudo, Hopkins e sua equipe analisaram a literatura científica que existe e observaram os efeitos de diferentes coberturas faciais na resposta cardiorrespiratória enquanto alguém faz uma atividade física. Foram revisados dezenas de estudos diferentes com diferentes tipos de máscaras. Incluindo as coberturas de pano, máscaras cirúrgicas, máscaras N95 e respiradores industriais.

Mesmo assim, os pesquisadores disseram que toda a literatura a respeito disso ainda está evoluindo e mais estudos são necessários. No entanto, eles dizem que as evidências, que têm até o momento, sugerem que as máscaras usadas  pelas pessoas saudáveis durante o exercício parecem não afetar de forma significativa a função pulmonar e a ingestão de oxigênio. Isso significa que usar máscara ou respirador, durante a atividade física, é bem improvável que cause algum dano.

Uso de máscara

Contudo, a dispnéia, que é a sensação de falta de ar, e outras formas de desconforto podem sim aumentar quando as pessoas estão fazendo exercícios físicos, principalmente se elas não estiverem acostumadas com as máscaras.

“Usar uma máscara facial pode ser desconfortável. Pode haver pequenos aumentos na resistência à respiração. Você pode inspirar ar mais quente e ligeiramente enriquecido com CO2. E, se estiver se exercitando, a máscara pode fazer com que seu rosto fique quente e suado. Mas essas são percepções sensoriais. Não impacta na função cardiopulmonar em pessoas saudáveis”, disse Hopkins.

Além disso, os pesquisadores dizem que esse mesmo resultado parece se aplicar a  jovens e idosos independente do sexo. Mas eles ressaltam que os pacientes com doença cardiopulmonar grave podem ser uma exceção para essa regra por conta das maiores chances de ter dispnéia quando fazem esforços físicos.

“Nesses casos, esses indivíduos podem se sentir muito desconfortáveis ​​para se exercitar, e isso deve ser discutido com seu médico”, ressalta.