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Primeira estudante formada em medicina após perder fala e movimentos

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A educação é algo fundamental e indispensável na vida das pessoas. Por esse motivo, tornou-se um direito de todos. Nesse sentido, muitas pessoas sonham em fazer faculdade e ter um diploma, mas às vezes algumas coisas parecem dificultar esse sonho, como no caso da estudante Eliane Luiza dos Santos.

A estudante tem 33 anos e não fala, não anda e não tem o movimento dos braços e nem das mãos. Mesmo assim, ela é a primeira estudante do Brasil, com essas condições, a se formar em medicina.

Quando tinha 21 anos, Eliane foi aprovada no curso de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, no campus de Cascavel. Contudo, em 2014, quando ela tinha 26 anos, um episódio mudou a vida da estudante para sempre. Ela acordou com dor de cabeça em uma madrugada, mas não conseguiu tomar o remédio. Isso porque, ao ingerir a pílula, ela vomitou e logo em seguida caiu no chão, ficando consciente, mas sem movimentos.

Ela esperou socorro por 16 horas. Quando ela chegou ao hospital, Eliane recebeu o diagnóstico de que tinha sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). O AVC da estudante foi no tronco encefálico, que é a região do cérebro acima da medula espinhal e que regula a respiração, a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Acidente

O presente

Por conta do acidente, o sangue dela engrossou e formou um coágulo, que por sua vez provocou um entupimento. A estudante tinha uma doença chamada trombofilia, que talvez seja uma das maiores causas de AVC em pacientes jovens e mulheres.

Depois de ter tido o acidente. Eliane ficou 30 dias na UTI. Em decorrência do AVC, ela perdeu todos os movimentos do pescoço para baixo e a capacidade de falar, mas manteve a lucidez e o intelecto.

Enquanto ela estava na UTI, um colega de curso a apresentou uma prancha alfabética. Ela é composta de cinco linhas, cada uma com cinco letras. Através dela, a estudante reaprendeu a se comunicar. Ao invés de usar a fala, ela usa o olhar.

“Conforme ela quer soletrar a palavra que ela quer dizer, nós perguntamos se linha 1, 2, 3, 4, 5. E ela pisca conforme a linha que ela quer soletrar. Quando é a letra que ela quer, ela pisca. Quando não é a letra, ela olha pra cima. Nesse sistema, vamos organizando palavras e frases até ir formando o discurso que ela quer proferir”, explicou Clarice, cuidadora de Elaine.

Formação

Tribuna PR

Quando ela tinha 22 anos ela se graduou em farmácia também pela Unioeste. Insatisfeita com sua área de atuação, a jovem resolveu entrar em um cursinho para buscar a entrada em uma universidade pública no curso de medicina.

Mesmo depois do seu AVC, Eliane não desistiu do seu sonho antigo de ser médica. E foi justamente a prancha alfabética que possibilitou a volta da estudante. Mesmo que essa alternativa tenha sido encontrada somente em setembro de 2015, foi ela que possibilitou o retorno à sala de aula.

“Havia muita resistência dos docentes e colegas do curso, mas eu tinha claro e firme meu objetivo de concluir o curso e me tornar médica. Queria e tinha direito de estar ali, mas para isso dependia de uma cadeira de rodas”, disse ela.

Depois de uma ação judicial movida por Eliane, a faculdade contratou agentes de educação especial para ajudá-la nas aulas e na interação com os professores e com os colegas. E em todos os sete anos de curso, os cuidadores a ajudaram. Além disso, todos os estudantes também aprenderam a usar a prancha alfabética.

De início, a expectativa era que a estudante se formasse em 2017. Porém, sua condição fez com que ela tivesse que conciliar as fisioterapias com os estudos. Como resultado, Eliane pegou poucas matérias ao longo dos semestres. Dessa forma, ela conviveu com diversas turmas até a festa de formatura, que aconteceu em fevereiro de 2022.

“O curso de medicina aprendeu. Aprendeu que os limitados éramos nós. Elaine não tem limites”, concluiu um dos professores da faculdade.

Fonte: G1

Imagens: O presente, Tribuna PR

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