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Saiba qual a origem da festa junina no Brasil

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O mês de julho é marcado por uma das comemorações populares mais adoradas pelos brasileiros: a festa junina. Em todo o país ocorrem eventos com quadrilhas e alimentos feitos à base de milho e amendoim.

Para começar, precisamos destacar que a festa junina que celebramos hoje não é parecida com a de origem pagã. Para quem deseja entender mais sobre o festival pagão ligado ao solstício de verão, pode conferir na nossa outra matéria.

Já a festa junina que conhecemos atualmente só surgiu após a Igreja Católica começar o seu processo de cristianização. A partir disso, a celebração festeja os santos, como Santo Antônio, São João e São Pedro.

“A festa junina, que surge no meio pagão, vai sendo gradualmente cristianizada, ou seja, adotada e convertida ao cristianismo, a partir do momento em que o Cristianismo se confirma como a principal religião da Europa”, pontua Maurício Saliba, professor de Sociologia da Universidade Estácio, em entrevista ao Aventuras.

Saliba acrescenta que com isso, a festa pagã acabou sendo incorporada ao calendário festivo do catolicismo. Essa prática de incorporação era muito comum na época, servindo inclusive para consolidar a Igreja Católica e facilitar a conversão de diferentes povos pagãos. 

“E isso era feito adicionando essas festas ao calendário católico e, sobrepondo a elas, elementos cristãos. Várias outras festas católicas nasceram entre os pagãos ou mesmo entre os romanos e foram aculturadas e cristianizadas, se transformando em festas católicas. O Natal é outro exemplo”, diz.

Por que no mês de junho?

Foto: Ministério da Cultura

Maurício Saliba explica que existe um motivo para a celebração ser feita no mês de junho, tanto para os pagãos quanto para os católicos. Isso se dá “por conta do chamado de ‘solstício de verão’, que tem origem nos termos latinos ‘sol’ e ‘sistere’, traduzidos como a ‘parada do Sol’. Pela posição do sol, tem-se a impressão de que ele para de movimentar-se no céu. Na verdade, é um evento astronômico em que a Terra recebe a maior quantidade de raios solares e são, consequentemente, os dias mais longos e as noites mais curtas do ano”, disse ao Aventuras na História.

O solstício de verão marca o começo do verão no hemisfério norte, o que engloba a Europa. O professor explica que em junho, povos camponeses europeus se juntavam para celebrar a colheita e pedir proteção, o que foi mantido no calendário católico.

A Igreja Católica introduziu nessa tradição o caráter religioso, aproveitando que o mês de junho celebra os dias dos santos mais populares.

“Primeiro com São João e São Pedro, e mais tarde, especialmente em Portugal, com Santo Antônio”, aponta o professor de Sociologia.

A festa junina no Brasil

Foto: Pixabay

Em terras tupiniquins, a tradição das festas juninas desembarcou em meados do século 16, por meio dos portugueses, durante o processo de colonização.

“Já era uma tradição bastante popular em Portugal e Espanha, e era conhecida como festa joanina, em referência a São João, mas, como ocorre em junho, seguindo a tradição da sua criação, seu nome foi alterado para festa junina”, disse Saliba ao Aventuras na História.  

Lentamente, a festa foi se adaptando ao nosso país. Por exemplo, a quadrilha teve origem nas danças da nobreza francesa, mas atualmente tem um ritmo mais regional.

Outro ponto que se ‘regionalizou’ foram as decorações. No começo, as famosas bandeirinhas eram decoradas com figuras de santos, mas agora são mais coloridas.

A simbologia da festa junina 

Foto: Pixabay

No Brasil, a festa junina, além dos fatores citados acima, está relacionada com fogueiras e comidas feitas à base de milho. O alimento plantado no campo é incorporado na celebração com a pamonha, curau, pipoca, bolos de milho e outros.

“No nordeste do Brasil, a festa junina é uma tradição muito forte com grandes festas que se prolongam até o mês de julho”, aponta Maurício Saliba.

Em relação à fogueira, o professor explica que para os católicos, ela está relacionada à data de nascimento de São João. “Segundo a tradição católica, Isabel fez uma fogueira para avisar sua prima Maria do nascimento de seu filho, São João. A ligação entre cultura pagã e cristianismo é reproduzida até hoje tendo a fogueira como um elemento simbólico e importante.”

Fonte: Aventuras na História

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