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SeteAlem: o que é essa lenda urbana que viralizou no Brasil?

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As lendas urbanas são uma parte inevitável de qualquer cultura, sejam elas um mistério não resolvido ou apenas uma história popular. Contam-se essas lendas em festas de amigos, conversas e até em acampamentos quando se quer passar medo nos outros. Elas vão passando de geração para geração.

Por mais que tenhamos evoluído em todos os sentidos e que algumas dessas lendas tenham se provado falsas, algumas delas sobrevivem ao tempo e se recusam a serem eliminadas. Quer você acredite ou não nelas, uma coisa é certa: ouvir as histórias pode fazer com que você comece a duvidar, nem que seja um pouco, do seu próprio ceticismo.

Um desses exemplos é o Setealém, um universo que várias pessoas dizem já ter visitado. Muito se diz que essa lenda urbana foi a primeira creepypasta do Brasil. Para quem não sabe o que isso é, é um compilado de lendas urbanas a respeito de um mesmo tema em um grupo na internet.

Origem da lenda

Pop fantasma

Desde 2000, o termo Setealém é um trending topic no nosso país. Mas o que realmente ele é? Um lugar, uma cidade, um bairro? Existem várias pessoas que têm a certeza de terem visitado o lugar sem querer, ou até mesmo querendo, através de rituais.

Explicando de fato o que é, o Setealém é um lugar apagado, decadente e com pessoas rancorosas ou tristes que sabem que o nosso mundo e nós existimos e não querem a nossa presença por lá. Não é sabido ao certo se ele é um plano espiritual ou um universo paralelo. O sabido é que as pessoas de Setealém podem chegar ao “nosso mundo” e nós podemos ir até o deles.

A lenda urbana parece ter surgido em 2004 quando Luciano Milici criou um grupo de discussão no Orkut que se chamava Setealém. Na descrição desse grupo estava a suposta experiência dele que teria acontecido por volta de 1994.

Setealém

Aminoapps

De acordo com a lenda, em 1994, como fazia todos os dias, Milici pegou um ônibus em uma avenida movimentada de São Paulo. E ele nem olhou o destino do ônibus porque todos faziam a mesma rota que ele precisava e continuou ouvindo Nação Zumbi em seu discman.

Quando ele entrou no ônibus, uma passageira vendo que ele “não pertencia” ?àquele lugar o perguntou se ele estava indo para Setealém. Milici ficou confuso com a pergunta e os outros passageiros pareciam estar incomodados com a presença dele ali. Eles o encaravam fixamente para que ele saísse logo e avisaram o motorista para parar o ônibus para ele descer. Quando a porta se abriu Milici desceu.

O ônibus então fechou a porta e voltou ao seu caminho até virar em uma rua estreita de paralelepípedos. O que era muito estranho porque não tinham ônibus naquela rota. Com todo o ocorrido, Milici tentou encontrar uma explicação para aquilo pensando que se tratava de um transporte particular, mas depois ele se lembrou de que tinha um cobrador dentro do ônibus.

Dez anos depois ele criou o grupo de discussão no Orkut e recebeu várias histórias parecidas. Algumas delas bastante bizarras e com experiências em que as pessoas, distraidamente, em caminhos familiares acabavam chegando em Setealém.

O lugar é composto por casas decadentes, pontos de beira de estrada fedidos e empoeirados, luzes fracas, pessoas ríspidas, mas algumas que aparecem para ajudar, e crianças pálidas com olhos amarelados ou totalmente pretos. Tudo isso é envolto por uma cor sépia ou sombria.

Luciano Milici

Webfic

Luciano é escritor e especialista em marketing e diz ter o registro da marca “setealém” e de todas as suas variações. Ele deu uma entrevista ao canal Pop Fantasma falando um pouco sobre essa lenda. Transcrevemos aqui.

Vou fazer algumas perguntas-chave. A história inicial eu já conheço. Também conheço o grupo do Orkut e os primeiros relatos. Vou procurar perguntar coisas que talvez não tenham te perguntado. Você tem recomendações prévias para familiares ou amigos próximos se por algum acaso você for parar em Setealém novamente? E se algum deles quisesse propositalmente visitar Setealém, você deixaria?

LUCIANO MILICI: Eu sempre estive envolvido com estudos reais e ficcionais de terror e sobrenatural, mas nunca cheguei a recomendar nada a ninguém, nem mesmo aos mais próximos.

Você já recebeu relatos bastante verossímeis, embora as histórias sejam muito fantásticas. Você acha que estas pessoas que enviam relatos destas viagens interdimensionais possam ser escritores de literatura de terror ou literatura fantástica que estejam testando a aceitação das histórias?

Sim. Já encontrei muitos que agiram assim no grupo de Facebook, principalmente. E não são só escritores. Há pessoas que querem “polarizar” a atenção dizendo ter receitas ou contatos específicos para, assim, chamarem atenção. Se o escritor é sincero e me diz que está criando uma ficção, deixo postar no grupo avisando.

Já ocorreu também de escritores mandarem relatos para o canal do YouTube pedindo para que eu divulgue como caso real. Ah, não posso esquecer: dada a minha negativa, os escritores buscam outros canais para emplacarem seus contos. Porém, nem sempre outros canais aceitam ficção deslavada. Meu filtro não é a verossimilhança, mas sim, o quanto a história é interessante.

Qual seria o relato que mais te assustou nestes dezesseis anos de divulgação da suposta existência desta dimensão chamada Setealém? 

O relato que mais me assusta é o meu mesmo. O do ônibus, na década de 1990. Isso, porque ele é real e é o único que eu posso colocar a mão no fogo no tocante à veracidade.

Escrevi sobre o aplicativo Randonautica e os jovens que alegam ter chegado em Setealém através dele. Você acha que o aplicativo tem algo sobrenatural? Em época de isolamento social, notou um maior interesse dos internautas sobre viagens interdimensionais? Por que eles querem viver tais experiências?

Não acredito no Randonautica de maneira alguma. Acho a proposta interessante, mas não acho que funciona. Recebi e divulguei relatos a respeito por achá-los interessantes apenas. Não creio que a pandemia e o isolamento tenham aumentado o interesse por universos paralelos.

Para você ter uma ideia, as gigantes mundiais de quadrinhos Marvel e DC, que já exploravam o tema multiverso desde os anos 1980, começaram a desenvolver histórias para TV e Cinema ligados a esse tema, como a Crise nas Infinitas Terras do Arrowverse da DC e o Spiderverse da Marvel. O assunto Multiverso é a NEXT BIG THING da ficção.

Quem é fã da série da Netflix Stranger things vai naturalmente achar que Setealém é uma espécie de “mundo invertido”, pois em ambas dimensões há escuridão, monstros, seres estranhos e versões maléficas de nós. Fãs do terror mais tradicionais dirão que as crianças descritas nos relatos de Setealém têm uma pitada de Stephen King. O que você acha? É fã?

Sou fã e admirador de Stranger things, Stephen King, Twilight zone, Black mirror, horror vintage e tudo o que facilmente encontramos em relatos de Setealém. Acho válido dizer aqui, em primeira mão, que há três tipos de relatos no meu canal. São os que eu recebi e mexi muito pouco (no mínimo 20% da história foi mexida, nunca menos que isso); os que eu recebi e mexi em quase tudo (no mínimo 80% da história foi mexida) e os que escrevi inteiramente. Qual é qual? Nunca contarei.

Fonte: Pop fantasma

Imagens: Pop fantasma, Aminoapps, Webfic

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