Sultão Ibrahim: um governante marcado por sua sexualidade extrema

Quem foi Ibrahim, o Mad Sultan?

Ibrahim I reinou no Império Otomano entre 1640 e 1648, sucedendo seu irmão Murad IV. Antes disso, passou anos confinado no temido kafes, uma jaula dourada no palácio, desidrato, ansioso e hoje creditado à infância traumática e à instabilidade emocional. Algumas fontes respeitadas afirmam que foi mais incompetente do que louco.

Ibrahim I / Crédito: Wikimedia Commons

Harém: luxo absoluto e comportamento escandaloso

Logo no início do reinado, Ibrahim transformou seu harém num espaço de ostentação e extravagância. Ele fez do local um show particular: perfumaria, joias, tecidos finos. O sultão tinha preferência por mulheres obesas, mandava buscar a mulher mais gorda do império para seu harém, e Šivekar Sultan, apelidada de “a mais gorda de Constantinopla”, virou sua favorita quase imediatamente.

Desejos perturbadores

As histórias são extremamente bizarras: segundo relatos históricos, Ibrahim mandou fundir em ouro o molde do traseiro de uma vaca e ordenou que procurassem uma mulher cujo corpo replicasse aquela forma. Em outra ocasião, reuniu concubinas nuas no jardim e saiu trotando entre elas, urrando como um cavalo, um ritual erótico e selvagem que ficou marcado como símbolo do seu comportamento chocante.

Extremos no harém: morte e insanidade

Alguns relatos afirmam que Ibrahim, desconfiado de traições, mandou encher sacos com 280 de suas concubinas, colocou pesos e as jogou no Bósforo para morrer afogadas. A história teria sido contada por uma sobrevivente, cujo saco estaria mal fechado, e despertou horror em sua mãe, Kösem Sultan, que então teria se vingado da instigadora, Šivekar.

Vale dizer, porém, que muitos historiadores questionam essa versão como exagerada ou falaciosa, fruto de relatos sensacionalistas da época.

Quem comandava de verdade?

A mãe de Ibrahim, Kösem Sultan, era regente de fato durante seu reinado. Ela mandou estimular seu comportamento, incluindo o uso de afrodisíacos e entretenimento sexual para mantê-lo distraído e garantir sua própria posição de poder.

Ibrahim chegou a mostrar sinais de preocupação política: disfarçava-se e inspecionava mercados, fazia análises escritas ao Grão-Vizir, sugerindo que havia sido preparado para governar. Mas, em pouco tempo, a administração real foi cedendo a conselheiros desonestos e à crescente instabilidade.

O fim de um reinado

Com o tempo, a situação deteriorou: influenciadores como Cinci Hoca e Yusuf Agha ganharam poder, não para o bem, e a economia girou em torno dos luxos de Ibrahim, enquanto sua sanidade e liderança real desmoronavam. Em 1648, a revolta se concretizou: o exército depôs Ibrahim, executou conselheiros e, alguns dias depois, ele mesmo foi assassinado.

Fonte: Aventuras na História

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