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Torcedor do Flamengo é preso após assédio contra repórter

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Um torcedor do Flamengo foi preso depois que praticou assédio contra a repórter Jéssica Dias, da ESPN, antes da partida da última quarta-feira (7), no Maracanã. Válida pela semifinal da Libertadores, o Flamengo venceu o Vélez por 2 a 1, somando 6 a 1 no agregado e garantindo a vaga na final, contra o Athletico-PR.

Assim sendo, a repórter acompanhava a chegada da torcida do lado de fora do estádio em um ao vivo na ESPN quando um torcedor do Flamengo, sem autorização, deu um beijo em seu rosto. O nome do homem não foi divulgado.

De acordo com a ESPN, a equipe que acompanhava Jéssica Dias conseguiu segurar o assediador e pediu que PMs o levassem para a delegacia. Então, uma audiência de custódia foi realizada ainda na quarta-feira, no Juizado Especial Criminal e sua prisão foi decretada. O homem foi levado para a 19ª DP (Tijuca).

torcedor do flamenho assedia repórter

Cahê Mota/ge

Nota de repúdio

O Flamengo, assim como a ESPN, repudiaram a atitude do torcedor. “O Clube de Regatas do Flamengo repudia o assédio cometido por um torcedor rubro-negro com a jornalista da ESPN Jéssica Dias durante reportagem antes da partida desta noite. É lamentável que atos repugnantes como este, que não representam a Nação Rubro-Negra, ainda aconteçam”.

Também por meio de uma nota, a ESPM afirmou que “a repórter Jéssica Dias foi vítima de assédio na porta do Maracanã, onde trabalhava na cobertura de Flamengo X Velez”.

“Atitudes como essa não cabem hoje no nosso planeta, seja em um jogo de futebol ou na casa de qualquer mulher. Nossa equipe que acompanhava a Jéssica conseguiu segurar o agressor e pediu à polícia que o encaminhasse para a delegacia do Maracanã.

Jéssica, como toda mulher deve fazer, registrou boletim de ocorrência. A ESPN e a Disney repudiam qualquer tipo de agressão contra as mulheres. A empresa vai dar todo apoio a nossa repórter e esperamos que o agressor seja punido com todo o rigor que a lei permite.”

Marta repudia assédio

Lucas Figueiredo / CBF

Frente ao caso de assédio sofrido pela repórter no Maracanã, em evento de inauguração da estátua de cera de Marta, a maior atleta do futebol feminino da história do Brasil falou sobre o assunto. Comentado pelos presentes, Marta fez questão de usar a oportunidade para pedir mais respeito para as mulheres que trabalham com o futebol.

“O resumo é falta de respeito. Ela estava ali como qualquer outro jornalista, trabalhando em um grande evento do futebol brasileiro e esse acontecimento ocorreu de forma lamentável. A gente deixa aqui a nossa indignação e gostaria de pedir mais respeito”, disse.

Além disso, o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, também manifestou sua indignação. “A CBF repudia de forma veemente qualquer tipo de discriminação e desrespeito. Que o rigor da lei possa fazer com que as pessoas que fazem esse tipo de situação não fiquem esquecidas. O respeito tem que vir em qualquer circunstância. A CBF se solidariza com a repórter que sofreu assédio no exercício do seu trabalho”.

Assédio no esporte

Para além do assédio sofrido pelas mulheres que trabalham no futebol, ainda há aquele sofrido pelos atletas dos demais esportes. Uma pesquisa feita pela ex-nadadora brasileira e integrante da Comissão de Ética do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Joanna Maranhão, constatou uma triste realidade no esporte brasileiro. Os dados apontaram que 93% dos atletas brasileiros já sofreram algum tipo de assédio, seja físico, sexual ou psicológico.

“Os números são alarmantes e demonstram que temos um grave problema de cultura, que ultrapassa as barreiras do esporte e do Brasil. Vemos diversos escândalos de assédio acontecendo e, em muitos casos, as entidades agem para acobertar ou tentar normalizar estes comportamentos inadequados. Pesquisas como essa ajudam, pois colocam o problema em evidência. Agora é preciso que a sociedade e instituições se unam para conscientização, educação e mecanismos de prevenção, detecção e tratamento de casos de assédio moral e sexual, sempre visando a preservação das vítimas”, afirma Fernando Monfardini, advogado especializado em compliance.

“O alcance do esporte o insere em um papel social de responsabilidade perante demandas como essa. Por essa razão, as organizações que administram o esporte e as entidades desportivas devem conter com estrutura adequada para assegurar que mecanismos de integridade e governança sejam implementados e cumpridos”, reforça Ana Mizutori, advogada especialista em direito desportivo.

Fonte: G1

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