Tubarões da Groenlândia podem viver por séculos. Entenda como

Sabe-se que os tubarões estão vivos no planeta Terra há muitos anos, mais ou menos há 400 milhões de anos. Mesmo que esses animais não sejam os mais queridos das pessoas, eles despertam uma curiosidade nos pesquisadores. Como no caso dos tubarões da Groenlândia que podem viver por séculos, tanto que eles são os vertebrados mais longevos do planeta, com uma expectativa de vida que chega a aproximadamente 400 anos.

Esses animais ficam séculos mergulhados nas profundezas das águas geladas do Ártico e do Atlântico Norte e, nelas eles chegam ao seu tamanho enorme com um crescimento de um centímetro por ano. Para se ter uma noção, os maiores tubarões da Groenlândia podem ser maiores do que um carro e pesar mais de 900 quilos.

O mais curioso é que, geralmente, os animais não envelhecem tanto assim já que com o passar do tempo suas funções corporais tem um declínio e doenças vão se acumulando. Contudo, os tubarões da Groenlândia desafiam essa percepção, o que sugere que eles desenvolveram ferramentas genéticas para evitar doenças que vem com a idade.

Os cientistas conseguiram, recentemente, pistas genéticas a respeito da longevidade desse animal. Mesmo que as descobertas não sejam aplicadas aos humanos para que nós vivamos 400 anos , elas dão aos cientistas possibilidades de estudo em como as pessoas podem manter a saúde por mais tempo.

Longevidade dos tubarões da Groenlândia

National geographic

Imaginando o genoma como um livro de instruções, o DNA seria as palavras e os genes seriam os parágrafos. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram juntar o livro inteiro dos tubarões da Groenlândia com o genoma cromossômico. Com isso, eles viram que o livro desses animais é quase o dobro do livro humano, tendo 22634 genes e aproximadamente 6,45 bilhões de pares de bases.

Com o genoma completo em mãos, os cientistas procuraram pistas por trás da longevidade gigante desse animal. Dentre tudo, o destaque foi para a grande quantidade de “genes saltadores”, ou transposons, que são genes que se duplicam em uma nova seção de uma sequência genética.

Para os tubarões da Groenlândia os transposons pode ter um papel benéfico porque várias das duplicações eram de genes relacionados ao reparo do DNA. Ou seja, eles podem ter criado genes adicionais úteis que, em teoria, podem retardar o envelhecimento. Na visão dos cientistas, quanto melhor a manutenção do genoma for, maior será a vida útil do animal.

Outro ponto que chamou atenção foi o gene TP53, tido como “guardião do genoma”, ele é essencial para a prevenção do câncer. Esse gene tem instruções para a proteína p53, que ajuda a suprimir tumores e no reparar o DNA.

Nos tubarões da Groenlândia, parte da sequência do gene TP53 é alterada em relação ao seu funcionamento normal em outros animais. Sabendo disso, através de um modelo de IA, os cientistas previram que tal mutação poderia atingir a estrutura do p53 e na forma que ele lida com o reparo do DNA, o que resultaria em uma vida mais longa.

De acordo com Arne Sahm, bioinformata do Leibniz Institute on Aging – Fritz Lipmann Institute, na Alemanha, tudo é somente previsões que precisam de experimentos com células no laboratório para que os cientistas entendam melhor essa mudança.

Fonte: National geographic

Imagens: National geographic

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