Elizabeth Báthory, a Condessa Sangrenta
Com apenas 15 anos, casou-se com o conde Ferenc Nádasdy. A partir daí, começaram os rumores de que Elizabeth atraía camponesas para seu castelo com promessas de trabalho e educação, mas que na verdade elas se tornavam vítimas de tortura e assassinato. Segundo relatos da época, a condessa acreditava que o sangue de jovens virgens poderia manter sua beleza e juventude.
Estima-se que mais de 600 meninas tenham sido mortas entre o fim do século XVI e início do XVII, embora não existam documentos que confirmem esse número.

As investigações oficiais
Em 1610, o rei da Hungria, Matthias II, ordenou que György Thurzó, palatino do reino, investigasse os boatos. Mais de 300 testemunhas foram ouvidas, muitas relatando sinais de tortura e corpos encontrados próximos ao castelo de Cachtice, na atual Eslováquia. Em 1611, Thurzó prendeu Elizabeth após encontrar uma vítima morta e outra ainda viva no local.
Os servos da condessa foram condenados a penas severas, incluindo execuções públicas. Já Elizabeth, devido ao seu status nobre, recebeu prisão domiciliar perpétua. Ela permaneceu confinada em seus aposentos até morrer em 1614, aos 54 anos.
Crime ou conspiração
Apesar das acusações, a culpabilidade de Elizabeth é questionada até hoje. Muitos dos depoimentos foram obtidos sob tortura, o que compromete sua credibilidade. Além disso, há teorias de que ela teria sido vítima de uma armação política. O rei Matthias II devia grandes somas à condessa, e sua prisão resultou na anulação dessa dívida e na redistribuição de suas vastas terras.
O famoso diário que teria registrado o número exato de vítimas jamais foi encontrado. E as histórias sobre banhos de sangue só surgiram décadas após sua morte, o que levanta dúvidas sobre sua veracidade.
O legado sombrio
Elizabeth Báthory se tornou figura lendária, associada ao vampirismo e inspiração para histórias como o clássico Drácula, de Bram Stoker. Sua imagem mistura fatos históricos e mitos que atravessaram os séculos, transformando-a em um ícone do imaginário gótico europeu.
Seja como assassina cruel ou vítima de conspiração, a Condessa Sangrenta permanece como uma das personagens mais enigmáticas da história medieval, símbolo de como lendas podem se sobrepor à realidade.
Fonte: Revista Galileu















