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A triste história da última arara livre do Rio de Janeiro

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Nas últimas duas décadas, durante quase todas as manhãs, a arara Julieta tem visitado o zoológico do Rio de Janeiro para interagir com as aves que estão sob os cuidados do recinto. De acordo com uma recente reportagem do portal de notícias Odditycentral, Julieta é a única arara selvagem que habita na metrópole brasileira e, por isso, esta é a sua única oportunidade de se socializar.

Julieta

As araras são pássaros que vivem em grupos. Por conta disso, torna-se praticamente impossível descrever o quão Julieta acha a solidão um fardo difícil de ser carregado. De acordo com informações do portal Odditycentral, a arara é o único exemplar selvagem visto na cidade do Rio de Janeiro desde 1818.

Curiosamente, poucos conhecem a história desta ave. Além disso, ninguém sabe dizer se o pássaro é macho ou fêmea – para definir o sexo é preciso capturar o animal, examinar suas gônadas ou colher amostras de sangue ou penas (e não há necessidade de fazer o bicho em questão passar por todo o processo). Sabe-se apenas que o nome Julieta foi dado pela equipe do zoológico que a encontra quase todas as manhãs.

Também é sabido que, quando está no zoo, sempre interage com os transeuntes e com as araras de sua espécie – azul e amarela. As vezes Julieta fica próxima ao recinto de suas “irmãs” ou aproveita uma das árvores para apreciar a vista, antes de voar sabe Deus para onde.

Esperança

As araras vivem, em média, cerca de 35 anos. Acredita-se que Julieta tenha pelo menos 20. Por sempre ser vista sozinha e ser a única ave selvagem da espécie a sobrevoar o céu do Rio de Janeiro, supõe-se que nunca teve um companheiro e, portanto, nunca construiu um ninho ou teve filhotes.

“São pássaros sociais, o que significa que não gostam de viver sozinhos, seja na natureza ou em cativeiro, eles precisam de companhia”, disse à AP Neiva Guedes, presidente do Instituto Arara Azul. “Julieta, muito provavelmente, se sente sozinha e por isso vai até o zoológico para se comunicar e interagir”.

Felizmente, a realidade descrita acima não será a única que Julieta irá viver ao longo de sua vida. Sim, há esperança para a ave que tem sido classificada pelos meios de comunicação como a mais solitária do Rio de Janeiro. Quem irá mudar o destino de Julieta é o projeto Refauna, uma iniciativa que reintroduz espécies em áreas protegidas.

O projeto

Os pesquisadores que atuam no projeto querem criar cerca de 20 filhotes de araras e treiná-los para buscar alimentos em fontes silvestres, bem como evitar predadores. Assim que receberem o treinamento, os bichinhos serão soltos no Parque Nacional da Floresta da Tijuca, onde acredita-se que Julieta passa as noites.

Os cientistas esperam que as novas aves ajudem a manter o equilíbrio no ecossistema local, usando, por exemplo, seus grandes bicos para quebrar frutas e dispersar sementes – hábito que outras aves não têm, e sejam uma companhia para Julieta, permitindo, assim, que a ave possa integrir livremente com outras araras de sua espécie pela primeira vez em 20 anos. E, quem sabe, talvez até encontre um amor .

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