Adolescente perde pernas e dedos após confundir doença grave com gripe

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosSaúdesetembro 25, 2025

Um começo de faculdade que virou pesadelo

Ketia Moponda tinha 19 anos e estava animada com o início da vida universitária em Leicester, no Reino Unido. Estudante de marketing e publicidade, ela acreditava que os primeiros dias de tosse e mal-estar eram apenas a famosa “gripe dos calouros”. Mas, em poucas horas, a rotina normal se transformou em uma corrida desesperada contra a morte.

A estudante universitária contraiu uma condição com risco de vida, que levou a várias amputações (SWNS).

De gripe a emergência médica

No dia seguinte aos primeiros sintomas, Ketia chegou a ligar para familiares e amigos dizendo que se sentia muito mal, como se estivesse “à beira da morte”. Pouco depois, parou de responder ligações. Preocupados, colegas e funcionários da universidade entraram em seu quarto e a encontraram inconsciente. A jovem foi levada de ambulância ao Leicester Royal Infirmary, onde os médicos descobriram algo muito mais grave do que uma gripe.

O diagnóstico devastador

O exame revelou uma septicemia meningocócica, causada pela bactéria Neisseria meningitidis. A infecção rapidamente evoluiu para meningite bacteriana e sepse, condições capazes de causar falência de órgãos e necrose dos tecidos. Os sintomas iniciais, febre, dor de cabeça e mal-estar, são tão parecidos com os de uma gripe comum que enganam facilmente. Mas, em poucas horas, o quadro se agrava: manchas roxas na pele, falta de ar e risco de choque séptico.

Entre a vida e a morte

Quando chegou ao hospital, Ketia estava em estado crítico. O nível de oxigênio no sangue era de apenas 1%, a pele havia perdido a cor e os pés já estavam verdes e inchados. Os médicos alertaram a família de que, mesmo se sobrevivesse, havia chance de danos cerebrais permanentes. Para tentar salvar sua vida, ela foi induzida ao coma. Dois dias depois, ao despertar, não conseguia falar nem enxergar.

As consequências

A falta de circulação fez com que seus dedos e pés necrosassem. Além disso, parte do tecido da região pélvica precisou ser reconstruída com enxertos de pele das coxas. Em janeiro, a jovem passou por amputações: perdeu as pernas abaixo dos joelhos e os dedos das mãos.

“Eu chorava sem parar. Era como se minha vida estivesse começando e, de repente, tivesse que recomeçar de outra forma”, contou.

Um recomeço com próteses

Ketia Moponda agora está animada para retomar suas aspirações no mundo da moda (SWNS).

Apesar do choque inicial, Ketia mostrou resiliência impressionante. Em maio, recebeu próteses nas pernas e, mesmo sem os polegares, já conseguiu dar os primeiros passos sozinha. Aos poucos, voltou a frequentar a academia e até a sonhar em correr novamente. O que poderia ser o fim virou um novo começo.

Da tragédia à inspiração

Hoje, Ketia está determinada a seguir carreira no mundo da moda e quer usar sua história como inspiração.

“No começo pensei em desistir, mas percebi que não preciso me esconder. Isso não me torna menos pessoa. Quero ajudar outros a se sentirem confiantes com quem são”, disse.

Sua coragem tem emocionado familiares, amigos e milhares de pessoas que acompanham sua recuperação.

O alerta da medicina

Médicos reforçam que a septicemia meningocócica é rara, mas extremamente perigosa. Reconhecer sinais precoces e buscar atendimento imediato pode salvar vidas. Se os sintomas de uma gripe comum piorarem rapidamente, com manchas na pele e dificuldades respiratórias, é fundamental procurar ajuda médica sem demora.

A história de Ketia Moponda mostra como a vida pode mudar em questão de horas. O que parecia uma gripe inofensiva se revelou uma das doenças mais graves que existem. Mas, em meio à tragédia, ela se tornou exemplo de força e superação, provando que é possível recomeçar mesmo após perder quase tudo.

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